
Em termos musicais, modelizar é perceber e apreender sistemas de signos sonoros novos e atuais (a Planimetria, técnica composicional inventada por H.J. Koellreutter, caracteriza-se por ser um sistema de signos sonoros novos - novo estruturalismo). Dentro da gama de estilos e tendências atuais, podemos citar o Estruturalismo, Elementarismo, Concretismo, Ruidismo, Minimalismo, Reducismo, Neotonalismo, tendências restaurativas como Simplicidade Nova, assim como novas tendências no estilo do jazz e de música popular em geral.
O público-ouvinte - que representa a humanidade ou uma parte dela - decodifica esse
sistema modelizante sonoro através da criação destes novos sistemas de signos concebidos e projetados para o público através de criações artísticas. O que é apreendido pelo público são as informações - idéias - contidas na obra através de um conteúdo artístico, um mecanismo de transmissão que se utiliza de um conjunto de signos. A informação de conteúdo, que é expressada por signos sonoros, transforma-se em patrimônio cultural no sentido de uma coletividade humana - sistemas de códigos sociais. O ouvinte contemporâneo de uma obra musical do período atual decifra sua semântica musical - que é o estudo do sentido e das dimensões dos signos e ocorrências musicais - utilizando outros códigos estruturais diferentes do compositor.
Para o criador, a obra pertence à uma estética pessoal, enquanto que no sistema do ouvinte, pertence a códigos musicais diferentes. Conseqüentemente, o ouvinte associa uma determinada representação a uma determinada imagem acústica, produzindo uma passagem dos símbolos artísticos do plano da expressão para o plano do conteúdo, ou seja, pode-se verdadeiramente "sentir" aquilo que o compositor quis "dizer" musicalmente. A obra de arte só poderá ser compreendida e apreendida por um ouvinte com sensibilidade artística e musical, que depende de fatores tais como a inteligência, o ambiente sócio-cultural, a língua, a tradição, cultura, educação e outros fatores. Segundo H.J. Koellreutter, "a compreensão de uma obra de arte, portanto, pode se dar de diferentes maneiras. Ouvintes com bagagem sócio-cultural diferente colocam-se de forma diversa frente a uma obra de arte, vivenciam esta de formas diferentes e a valorizam de formas diferentes" (Koellreutter 1997: 71)
Portanto, a música é um meio de comunicação que se utiliza de signos sonoros que visam transmitir idéias e pensamentos provenientes de pesquisas, descobertas ou invenções. Comunicação é transmissão de informação, de uma mensagem nova, de fatos, acontecimentos, processos, desconhecidos ou pouco conhecidos. Como exemplo, na obra "Ácronon" - para piano e orquestra - composta por H.J. Koellreutter em 1978-79, o objetivo é conscientizar o público-ouvinte a respeito do tempo qualitativo (tempo como forma de percepção), pela ausência de referenciais fixos, pela relatividade das ocorrências musicais e pela trocabilidade - em princípio - dos signos musicais, ou seja, livre do tempo do relógio, do metrônomo, do tempo medido. "Ácronon" significa ser independente. Com esta obra, Koellreutter transmitiu uma idéia nova, uma mensagem desconhecida - tais como o conceito som e silêncio, a ausência de hierarquia dentro do processo sonoro, a livre improvisação, - através de suas constantes pesquisas na área da Física Quântica e da cultura oriental, especialmente a música japonesa e a estética Zen.
Um comentário:
Agradeço o texto que escrevi (por volta de 1999), e que já está no seu blog. O Conhecimento pode estar sempre compartilhado, pois devemos criar, e segundo Edgar Morin, o "conhecimento do conhecimento" sob novas estruturas do pensamento e complexidades. O futuro será diferente. Aguardemos.
Nélio T. Porto
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