sábado, 4 de setembro de 2010

João Máximo conta Caymmi.



Era de Dorival Caymmi a explicação mais precisa, ainda que modesta, para a origem de suas canções praieiras: ‘Tratei desses motivos porque nada mais sou que um homem do cais da Bahia, devoto também de Iemanjá, certo eu também de que estamos todos nós nas suas mãos, rogando-lhe que não envie os ventos da tempestade, que seja de bonança o mar de minha vida.’ [...]

Uma lentidão que, atribuída à proverbial preguiça baiana, acabou assumindo como se devesse a ela a excepcional qualidade de sua obra, na qual não se encontra uma só canção menor, mal acabada. Há história sobre isso, uma delas com Antonio Carlos Jobim. Visitando o amigo, Jobim ficou intrigado com um tema em que Caymmi vinha trabalhando havia tempos, não saindo da primeira frase musical. Pois, sem cerimônia, Jobim disse que ficaria com a frase para ele, como se a lentidão a tornasse de domínio público. Daí o Tema de amor de Gabriela, para o filme de Bruno Barreto. Finalmente concluída, a canção de Caymmi se intitularia A mãe d’água e a menina.

Lentamente ou não, Caymmi construiu uma obra pequena (pouco mais de cem títulos) mas preciosa. Ficou famoso, foi gravado no exterior, esteve no programa de TV de Andy Williams nos Estados Unidos (onde sua Das rosas… fez sucesso), atuou com Vinicius de Moraes e Baden Powell em Buenos Aires, foi a França, à Angola, teve sua obra regravada pelos maiores artistas brasileiros, inclusive os mais jovens.

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