sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Mário Cravo Neto.

Nas fotografias de Mario Cravo Neto testemunhamos uma tentativa de recuperar para o tempo contemporâneo aquilo que seriam as palavras, o pensamento, e as ações humanas primordiais, numa constante junção entre arte e mito. Tal indicação deve-se à ligação forte do artista com todo o universo religioso afro-cristão existente na cidade onde reside, Salvador (Bahia).
Suas fotografias possuem, ao mesmo tempo, influências dos mitos religiosos do candomblé e da cristandade, e também do saber ocidental, como as pinturas rupestres, Brancusi, Pierre Verger, Faulkner, Ezra Pound e Carl Jung.

Recebe as primeiras orientações no campo do desenho e da escultura de seu pai, Mario Cravo Júnior (1923).
Acompanhando o pai, que participa do programa
“Artists on Residence”, patrocinado pela Ford Foundation, viaja para Berlim, em 1964. Nessa cidade mantém contato com o artista italiano Emilio Vedova (1919 - 2006) e com o fotógrafo Max Jakob.
Em 1968, muda-se para Nova York e estuda na Arts Students League, com orientação de Jack Krueger, um dos precursores da arte conceitual na cidade. Nesse período, realiza a série de fotografias em cores “On the Subway” e produz suas primeiras esculturas de acrílico. Retorna ao Brasil em 1970. Dedica-se então à fotografia de estúdio, cria instalações e realiza trabalho fotográfico com temática relacionada ao candomblé e à religiosidade católica.

O pequeno Demônio

Sujeitai-vos, portanto a Deus; mas resisti ao diabo, e ele fugirá de vós.
Tiago 4:7


Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em redor, como leão que ruge procurando alguém para devorar; resisti-lhe firmes na fé, certos que sofrimentos iguais aos vossos estão-se cumprindo na vossa irmandade espalhada pelo mundo.
1Pedro 5:8-9

Para que Satanás não alcance vantagem sobre nós, pois não lhe ignoramos os desígnios. 2Coríntios 2:11

Amados e preciosos irmãos, precisamos rejeitar todas as formas de medo. Satanás precisa ter base para poder trabalhar nos filhos de Deus. Ele não consegue trabalhar onde não tem base. Portanto, seu primeiro ataque visa ganhar uma cabeça-de-praia. Ele, então, nos ataca a partir daí. Portanto, não devemos dar-lhe nenhuma base. Esse é o caminho da vitória. Há uma área que pode se tornar a maior fortaleza de Satanás: o medo. Quando ele nos tenta colocar em aflições, a primeira coisa que faz é injetar medo em nós. Uma irmã muito experiente disse certa vez que o medo é o cartão de visitas de Satanás. Se você aceita o medo, Satanás entra. Se rejeita o medo, ele não consegue entrar.

Os pensamentos de medo são ataques de Satanás. Tudo o que você teme, certamente experimentará. Jó disse: “Aquilo que temo me sobrevém, e o que receio me acontece” (Jó 3:25). Jó experimentou o que temia. O ataque satânico no ambiente vem principalmente na forma de medo. Se resistir ao medo, as coisas que você teme não virão. Mas se permitir que permaneça, dará oportunidade a Satanás para fazer exatamente as coisas que você teme.

Portanto, para que os filhos de Deus resistam à obra de Satanás, a primeira coisa a fazer é rejeitar o medo. Quando Satanás coloca em você o medo disso ou daquilo, você não deve ceder a esse medo. Deve dizer: “Nunca aceitarei nada que o Senhor não tenha designado para mim!” Se uma pessoa se livra do medo, livra-se da esfera de Satanás. É isso que Paulo queria dizer com: “Nem deis lugar ao diabo” (Efésios 4:27).

Por que não precisamos temer? Não tememos “porque maior é aquele que está em vós do que aquele que está no mundo” (1João 4:4). Se temos medo é porque ignoramos esse fato.


A religião da voz de Deus

Você é religioso?

Fui criado na igreja católica, mas não concordo com essa coisa do pecado e do inferno. Conheci o espiritismo e vivi uma experiência que me marcou. Fui num centro espírita e uma entidade me avisou que dali a três meses aconteceria algo que iria mudar minha vida. Em três meses estava no palco do Maracanãzinho, no Festival Internacional da Canção. Nunca imaginava estar lá porque fui inscrito à revelia por Agostinho dos Santos. Algum tempo depois conheci o candomblé. Estava com tonteiras quando Nana Caymmi arrumou uma mãe- de-santo para me dar uns passes. Ela me levou a uma cachoeira no Rio. E fez lá o trabalho, um negócio bonito, com velas e começou a cantar. Daria tudo para ter um gravador ali.

Teve outras experiências?

Fui batizado na igreja católica e no budismo. Em três ocasiões, uma no espiritismo e duas no candomblé me falaram: “Olha. Não adianta querer se esconder porque você vai ser dono de um terreiro”. Eu pensei: “Mas eu não sou preso a nada”. Aí um dia fui tocar no interior, num ginásio de uns cinco mil lugares. Na hora em que estava cantando apareceu uma luz passando na platéia e pensei: “Meu Deus! Como sou idiota. O meu terreiro é o palco, é o lugar mais sagrado que existe na minha vida”.

Chorar é bom!

A glândula lacrimal é capaz de produzir aproximadamente 500 ml de lágrimas em um ano. Estas, formadas por água, muco, lipídios, proteínas, magnésio, potássio, enzimas antibacterianas, dentre outros; têm sua composição levemente alterada quando são secretadas em momentos de choro, apresentando-se, por exemplo, ricas em manganês.

Nossa espécie é a única do reino animal capaz de chorar, sendo este evento diretamente relacionado ao nosso instinto de defesa e comunicação – basta nos lembrarmos do choro do bebê, indicando que algo não vai bem. Chorar pode expressar uma gama de sentimentos, dentre eles a tristeza, dor física, indignação, insegurança, medo - ou mesmo felicidade – externalizando-os.

Aproximadamente 75% dos homens e 85% das mulheres sentem-se melhor depois de chorar: e isso não é por um acaso. Em determinadas situações, nosso cérebro produz certas substâncias, como a prolactina, que ativam a ação das glândulas lacrimais. Esta, cujas concentrações aumentam em momentos de estresse, reduz novamente sua quantidade quando começamos a chorar; tal como a adrenalina. Este fator, aliado à liberação de substâncias como a leucina-encefalina, noradrenalina e serotonina, nos proporciona uma sensação anestésica e de calma, aliviando a angústia e liberando a tensão.

Reprimir-se em momentos adversos pode fazer com que o indivíduo, em longo prazo, desenvolva quadros de depressão; ou mesmo doenças psicossomáticas. Pressão alta, úlcera, e gastrite são alguns sintomas que podem surgir desta forma. Além disso, crianças que são educadas a reprimir o choro têm muito mais probabilidade de desenvolverem problemas de inibição emocional no futuro. Entretanto, fique atento: indivíduos nesta faixa etária tendem a utilizar o choro, também, como um instrumento de chantagem.



quinta-feira, 13 de agosto de 2009

O QUE SEU CORPO FALA?

Na música “Carinhoso”, Pixinguinha sorri com os olhos. Já “Carolina”, musa de Chico Buarque, “guarda a dor de todo esse mundo” em seu olhar. Mas não é preciso ser poeta para perceber que mãos, posturas, gestos e olhares passam mensagens, às vezes contrárias às proferidas pela fala. E o mundo corporativo tem visto com cuidado a questão. Prova disso são treinamentos voltados para o aprimoramento da comunicação não verbal destinados a executivos.

A comunicação não verbal não é exata. Entretanto, os consultores ouvidos para esta matéria afirmam que alguns gestos geralmente possuem o mesmo significado. Confira alguns deles: - Cruzar os braços durante um diálogo passa ideia de superioridade e de não-envolvimento; - Importante mostrar feições condizentes com o que se está falando, ou seja, jamais contar uma boa notícia de cara amarrada; - Estalar dedos ou ficar mexendo em objetos enquanto conversa denota falta de comprometimento; - Apoiar o queixo ou o rosto com as mãos significa atenção; - Cruzar as pernas pode representar desconfiança ou dúvida; - Manter o corpo ereto demonstra segurança. Todavia, se a postura for exagerada, a segurança pode se transformar em arrogância.



A UNIVERSAL MÚSICA BRASILEIRA

Há na musicalidade brasileira um estilo simultaneamente brincalhão e desafiador, exibindo audácia e virtuosismo, isto de forma graciosa e, principalmente, interesseira, individualista e maliciosa. Trata-se de um gesto profundo, impresso já na gênese de alguns gêneros, como o choro. Por exemplo, no final do século XIX e início do XX, período de gênese do choro, o flautista, solista do grupo, usualmente era o único músico que sabia ler partitura, e sua performance era marcada por frases modificadas em relação ao original, como que desafiando seus acompanhantes a segui-lo (DINIZ, 2003). Alguns mecanismos e frases musicais revelam este lado brincalhão, isto de forma a exibir algum virtuosismo instrumental. De fato, trata-se de um conjunto de tópicas que chamarei de brejeiro. O brejeiro na musicalidade brasileira é brincalhão, difere do gesto que se entende por scherzando, por seu caráter menos infantil e mais malicioso e desafiador. A figura do malandro na cultura carioca e brasileira em geral alude a este tópico: o malandro que ginga com os pés, é esperto e competente (na ginga), desafiador (quem me pega?). A expressão musical deste caráter da brasilidade se dá através das tópicas brejeiro, que envolvem transformações musicais presentes, inicialmente, no choro. Os flautistas de choro e suas variações melódicas que desafiam seus acompanhantes a não se perder na música, alguns temas de Pixinguinha (o início e certas passagens de “Um a zero”), Ernesto Nazareth (“Apanhei-te cavaquinho”; aliás, este título expressa a brejeirice do cavaquinho). Muitas vezes está em jogo um tipo de “ataque falso” de nota, no qual um “deslize” cromático no agudo faz crer que houve erro, e no entanto se trata de uma transformação brejeira. Outras vezes, o tópico se manifesta mais na dimensão rítmica, como é o caso de certas “quebras” e deslocamentos irregulares que parecem brincadeiras rítmicas que, desafiadoramente (para os acompanhantes e ouvintes), atravessam os tempos como que brincando, sem se deixar perder.

Há um outro conjunto de tópicas, que estou designando “época de ouro”, no qual reinam os maneirismos das antigas valsas e serestas brasileiras, impera a nostalgia de um tempo de simplicidade e lirismo, de ruralidade e frescura. Um pouco do mundo lusitano está presente aqui, nas evocações do fado e na singeleza das modinhas. Como se fosse um mito, manifesta-se aqui um Brasil profundo, vindo do passado através de volteios e floreios melódicos (vários tipos de apojaturas e grupetos), padrões rítmicos (maxixe, polka, dobrado estilo “banda”) e certos padrões motívicos (escala cromática descendente atingindo a terça do acorde em tempo forte) que estão fortemente presentes no mundo do choro e em vários outros repertórios de música brasileira, tanto na camada superficial quanto em estruturas mais profundas.
Das “Valsas de Esquina”, de Francisco Mignone, a certos trechos de composições de Hermeto Pascoal, as tópicas época de ouro se apresentam com melodias em primeiro plano, em estilo cantabile, sempre com lirismo e nostalgia.

Outro conjunto de tópicas é o nordestino: a musicalidade nordestina é um recurso fortemente empregado na expressão da brasilidade (PIEDADE, 2003). Desde cedo este Nordeste profundo se apresentou musicalmente ao Brasil em diversos repertórios musicais. O baião e a escala mixolídia, usada mediante uma série de padrões, se tornaram índice da identidade brasileira, por exemplo, nas composições nacionalistas de Camargo Guarnieri e de outros compositores que se opunham ao atonalismo do movimento Música Viva dos anos 40.


A análise musical mostra que tópicas brejeiro, época de ouro e nordestino são articuladas de forma intensa em diversos repertórios da música brasileira erudita e popular.


Além deles, pode-se apontar para alguns outros conjuntos: a presença da musicalidade do jazz permeia várias esferas da música brasileira. Na investigação da chamada “musica instrumental”, ou jazz brasileiro, caminha-se em direção a um conjunto de tópicas bebop, de acordo como uso específico deste termo entre músicos brasileiros (ver PIEDADE, 2003, 2005); o universo afro-brasileiro constitui um conjunto de tópicas afro, presente nos batuques, lundus, jongos, etc.


Outros conjuntos a serem mencionados são: tópicas sulinas (envolvendo a música tradicional das terras gaúchas e gêneros musicais argentinos, uruguaios e paraguaios tais como guarânia, chacarera, milonga, tango, etc., envolvendo especialmente a superposição rítmica de 3 contra 2 tempos); tópicas caipiras (que evocam o mundo rural conforme a imaginação do Brasil do sudoeste e central, tendo a figura do caipira e seus duetos em terças e sextas paralelas, bem como os ponteios da viola caipira como referenciais mais evidentes); outros possíveis conjuntos a serem investigados: tópicas ameríndios (principalmente no uso de flautas nativas e de percussão do tipo “pau-de-chuva”); árabe (mais recentes, com a influência da world music, principalmente através de escalas e ornamentações); oriental (pentatonismo); experimental (especialmente na exploração timbrística); atonal (evocando um cultivo erudito de “vanguarda”); tropical (estratégias icônicas denotando as florestas e a exuberância tropical, como os pássaros em Villa-Lobos). A listagem certamente não se esgota aqui, dada a dimensão continental da musicalidade brasileira.


Acredito que na música brasileira, independentemente da oposição popular/erudito, uma retórica se faz presente, articulando tópicas que colocam em jogo identidades e referências culturais que constroem um universo musical entendido como brasileiro. Assim, creio que se pode levantar conjuntos de figurações que se apresentam tanto em Egberto Gismonti, Chico Buarque e Pixinguinha quanto em Villa-Lobos, Guerra-Peixe, Cláudio Santoro, entre tantos outros. Afirmo, portanto, o rendimento de investigações da dimensão expressiva da música brasileira, bem como da análise musical detalhada dos textos musicais deste vasto repertório, desta forma contribuindo para dissolver as fronteiras entre o mundo erudito e popular. A perspectiva retórica e a “teoria das tópicas” representam orientações de análise musical que superam o mero formalismo, ao envolver simultaneamente conhecimentos musicais e interpretações histórico-culturais. Desta forma, funcionam como via de acesso à significação e aos nexos culturais em jogo na música brasileira.



As Meninas [Lygia Fagundes Telles]


- Desde ontem ela não aparece. Telefonou dizendo que está na chácara do noivo.

- Noivo. A senhora me desculpe, Madre Alix, mas Ana é o produto desta nossa bela sociedade, tem milhares de Anas por aí, algumas agüentando a curtição. Outras se despedaçando. As intenções de socorro e et cetera são as melhores do mundo, não é o inferno que está exorbitando de boas intenções, é esta cidade. Vejo a senhora sair com outras senhoras bondosas dando sopinha aos mendigos. Bons conselhos, cobertores. Eles bebem a sopinha, ouvem os conselhos e vão correndo trocar o cobertorzinho pelo litro de cachaça porque o dia amanheceu mais quente, pra que cobertor? Tudo continua como na véspera com uma noite de demência a mais fornecida pelo donativo. Um padre nosso amigo foi ensinar catecismo à menininha de nove anos que o pai vendeu pro bordel e quase morreu de tanto apanhar do agregado da proprietária. Aprendeu a lição, ô se aprendeu. Caridade individual é romantismo, cheguei a essa conclusão não faz muito tempo. Agora ele funciona com a gente mas dentro de outra perspectiva. Nos esquecemos, nos descuidamos, diz Bela Akmadulina. E tudo caminha ao contrário.

Vou até a garrafa térmica e me sirvo de mais café mas queria um sanduíche. Presunto e queijo. Uma abelha se debate contra a vidraça e de repente seu zunido fica mais importante do que nossa fala. Mas de onde veio essa abelha numa noite dessas? Gostaria de escrever como ela faz mel. E quase me dobro num riso desatinado, era bem doidona a cigarra da fábula com suas cantorias mas a formiga de vassoura na mão não ficava atrás.


- Tinha tanta coisa que lhe dizer, filha. E já nem sei por onde começar. Essa sua política, por exemplo. Me pergunto se você está em segurança.

- Segurança? Mas quem é que está em segurança? Aparentemente a senhora pode parecer muito segura aí na sua redoma mas é bastante inteligente pra perceber do que essa redoma está lhe protegendo. Alguns padres romperam o vidro como aquele de que lhe falei. Por acaso estão em segurança? Não. Nem estão pensando em segurança quando se deitam no colchão sem travesseiro ou quando rezam suas missas num caixote feito altar.


Ela sorriu. Um sorriso triste que me arrependi de provocar.


- Mas não estou na redoma, Lia. É neste ponto que você se engana como se enganou também quando disse que eu queria lhe apontar a porta. Deus sabe que meu desejo maior é protegê-la e guardá-las para sempre, como se isso fosse possível. Se não interfiro, se não me aproximo é porque não quero que pensem em vigilância, fiscalização. Vocês bateriam as asas mais depressa ainda.

Pronto, magoou-se. Essa minha mania de discurso, baiano com subversão pode dar noutra coisa?

- Não sei explicar, Madre Alix, mas o que queria dizer é que embora resguardada a senhora luta a seu modo, respeito sua luta. Respeito até a luta dos que querem nos destruir, respeito sim senhora, eles estão na deles. Como estamos na nossa, enfraquecidos, traídos, divididos, não calcula como estamos divididos. Mas vamos aguentando. Um que fique tem que correr como um cão danado pra passar o facho ao seguinte que recebe e sai correndo até o próximo que nem estava na corrida, entende. De mão em mão. É demorado mas não estamos mais com tanta pressa.

- Facho, Lia? Você fala em facho, mas o que vejo é um levar ao outro violência, morte. Um rastro de sangue é o que vocês vão deixando por onde passam. Temos um Condutor Supremo e do Seu esquema transcendente a violência foi riscada. A espiritualidade...

Olha aí, vitória da espiritualidade. Arranco uma lasca da unha que vem com um fiapo de pele. O sangue brota. Chupo o dedo. Uma bala dum-dum no peito doeria menos.


DIZ-SE: LOVE, LOVE, LOVE...

POEMINHA SENTIMENTAL

O meu amor, o meu amor, Maria
É como um fio telegráfico da estrada
Aonde vêm pousar as andorinhas...
De vez em quando chega uma
E canta
(Não sei se as andorinhas cantam, mas vá lá!)
Canta e vai-se embora
Outra, nem isso,
Mal chega, vai-se embora.
A última que passou
Limitou-se a fazer cocô
No meu pobre fio de vida!
No entanto, Maria, o meu amor é sempre o mesmo:
As andorinhas é que mudam.
(Mário Quintana)


Quero apenas cinco coisas...
Primeiro é o amor sem fim
A segunda é ver o outono
A terceira é o grave inverno
Em quarto lugar o verão
A quinta coisa são teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser... sem que me olhes.
Abro mão da primavera para que continues me olhando.
(Pablo Neruda)

PAIXÃO – UM CONCEITO

PAIXÃO é um sentimento que surge com muita força na estrutura emocional de uma pessoa, que leva-na a se entregar de corpo e alma pelo objeto desencadeante de paixão.

Geralmente atribuímos à PAIXÃO, o envolvimento amoroso para com uma pessoa; mas sabemos que podemos ser vítimas da PAIXÃO por ideologias, envolvimentos religiosos, ídolos, etc. O que mede uma PAIXÃO é a intensidade arrebatadora.


Se um adolescente disser com todas as letras que está amando sua namorada, com certeza poderemos confirma que ele pode estar APAIXONADO. Um adolescente não possui estrutura psicoafetiva para comprovar um amor, pois ainda se encontra em um estágio de vida na qual precisa ser amado. Assim, quando um adolescente não para de pensar na namorada e a todo momento quer vê-la, como se nada no mundo completasse aquele buraco afetivo, poderemos ter a certeza de que ali se instaurou uma PAIXÃO.

A PAIXÃO é forte, mas tende à superficialidade. Com certeza um grande amor geralmente nasce de uma PAIXÃO, que ao longo dos anos vai se canalizando em amor.

Muitos casais atribuem que na época do namoro era mais gostoso estar juntos. Depois veio o casamento, os filhos e a construção de um vinculo de amor, que se manifesta em outras proporções. Aparentemente, a atração da paixão desaparece, pois no lugar surgem outras necessidades.


A sociedade atual, através da mídia de consumo, tenta confundir os conceitos da PAIXÃO e AMOR, para levar à necessidade das compras. Pois a pessoa apaixonada tende a consumir mais.


A PAIXÃO pode cegar. Principalmente se atingir a pessoa em momentos de vazio interior. Para que não sejamos vítimas de uma PAIXÃO sem controle, é melhor construirmos o conceito AMOR…

A CULPA É DO LES PAUL

As primeiras experiências de Paul com a guitarra elétrica datam da metade dos anos 30. Naquela época, ele era imitador assumido de Django Reinhardt - e não muito mais do que isso. Não havia tido lá muito sucesso com o piano, tocava banjo, mas não era isso tudo, dedilhava o violão, mas não lia partitura. A reviravolta veio em 1941, quando ele levou a um clube noturno o que chamou de "the log (o tronco)". Fazia jus ao nome: era um toco de madeira com cordas de violão de aço pregadas. Ele deu suas dedilhadas por lá, mas não suscitou aplauso ou vaia. Posteriormente, ele lembraria, divertido, que ninguém entendeu nada.

Ele adaptou o tronco com asas de madeira, que o aproximaram do visual de um violão normal e o resto é história. A Gibson começou a produzir as guitarras Les Paul, que deram voz às mãos de gente tão diversa quanto Bob Marley, Pete Townsend (The Who), Al DiMeola, Steve Howe (Yes) e Jimmy Page (Led Zeppelin). Como se isso não fosse suficiente, sem Les Paul, nenhuma das experimentações progressistas de Page teria acontecido; George Martin não teria produzido Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band; Lee "Scratch" Perry não teria inventado o dub; Michael Jackson não teria gravado Thriller e, em última instância, não existiria música eletrônica.Todas essas viagens que moldaram a cultura do século XX só foram possíveis graças à gravação multicanais inventada por Les Paul. Antes dela, os músicos se reuniam no estúdio, gravavam ao vivo todos os instrumentos e o disco estava pronto. Depois dela, os artistas ganharam recursos até então inimagináveis: gravar a própria voz várias vezes e harmonizar consigo mesmo; sobrepor instrumentos diversos; duplicar riffs e construir harmonias a partir deles. Enfim, Paul acabou com os limites técnicos da criatividade.


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