terça-feira, 16 de novembro de 2010

Todas as cartas de amor são ridículas, Álvaro de Campos.

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.


Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.


As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.


Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.


Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.


A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.


(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)


Meu poema de chuva, Ildásio Tavares [1940-2010]


Meu poema não visita a antologia
Dos momentos que a chuva salpicou
Nem se curva ao tip-top na janela
Onde sem mais querer
A chuva semissente se instalou, —
Ele se esgueira, calmo e contemplado,
Até a intimidade sem recursos da gota mais minúscula,
E em uniliquescência permanece;
E assim, as palavras feitas chuva
Se escorrem lá pra baixo da ladeira e
São sorvidas sem serem pressentidas
Pela terra,
Pelo lago,
Ou pelas tradicionais bocas de lobo.


Aula do Dia: Sexo [parte 6], José Ângelo Gaiarsa.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

A culpa feminina, por Márcia Tilburi.



À famosa pergunta de Freud “o que quer uma mulher?” podemos responder: livrar-se da culpa. Mas vamos devagar: o que eu, em pleno século 21, livre financeira e sexualmente, dona do meu corpo, autora do meu projeto de vida, fiz pra me sentir culpada? Embora nossa cultura já viva certa democracia entre gêneros, a culpa continua sendo característica da subjetividade das mulheres muito mais do que dos homens. Dizer “sou mulher” é quase o mesmo que dizer “a culpa é minha”.

A culpa feminina não existiu desde sempre e jamais foi essencial. Não é impossível que tenha sido inventada para que as mulheres soubessem bem qual o seu lugar em uma sociedade de homens. A filosofia não se ocupou muito da questão até que F. Nietzsche, filósofo morto na virada do século 19 para o 20, sustentou uma contundente crítica da moral vigente como análise do sentimento de culpa. Ele entende a culpa como o ressentimento que em vez de ser lançado para o outro, é dirigido a si mesmo. Ela nasce de uma obrigação de fazer promessas que se transforma em incapacidade de cumpri-las e daí passa a valer como dívida que, impagável, se volta contra quem a contrai.

O ressentimento é uma espécie de peso morto que carregamos nos ombros sem que sirva a nada além de pesar. Ora, o que carregamos é o passado que não conseguimos esquecer nas camadas mais profundas da linguagem. Mulheres contemporâneas são herdeiras de uma vasta tradição simbólica que inclui mitos como Eva, a culpada da expulsão do paraíso que implica o ditado de que por trás de um grande homem há uma grande mulher, e Pandora que se assemelha à mãe onipotente culpada dos sofrimentos de seus filhos.

Mas a coisa não para por aí. Mesmo sem ser esposa ou mãe, uma mulher que deseje ser, por exemplo, amante, pode se sentir culpada em relação ao desamor do marido ou namorado por não ter, por exemplo, o corpo que ele deseja. Perguntar a si mesma se, ao contrário, “ele a agrada” não é possível para quem sente culpa. Já que o culpado precisa sempre pagar alguma coisa que ele não está devendo. Mas o que, tão livres, tão independentes, as mulheres de hoje ainda podem dever? Por trás das armadilhas dos mitos está a idéia greco-medieval de que a mulher é um macho falido. A natureza quando não tem força pra fazer um homem faz uma mulher. Culpa de quem?

A culpa aparece assim como um artifício infinito. Uma máquina poderosa de produzir dívidas inexistentes, pois se existissem realmente bastaria pagá-las ou pedir mais prazo, responsabilizando-se pelo que, de fato, se deve. No entanto, há certo prazer na culpa, justamente o da irresponsabilidade que afasta da convivência com o desejo e coloca a pessoa no lugar de uma vítima dos desejos alheios.

Percebemos que a estrutura da culpa é paradoxal. Nos tempos da liberdade feminina, uma mulher pode se sentir culpada de não querer ser esposa, mãe ou amante, ou por simplesmente ser bem sucedida. Como se seu sucesso a tornasse devedora de marido e filhos que muitas vezes ela não tem. A culpa pode aparecer ao assumir um desejo que não lhe foi autorizado. Acontece que a culpa surge exatamente para eliminar o desejo. Está, assim, na contramão da responsabilidade.

Pode, no entanto, parecer que as mulheres se sintam culpadas por serem excessivamente responsabilizadas. Mas não é verdade. Se a responsabilidade é um valor ético objetivo que pode ser juridicamente medido, a culpa é apenas um sentimento de quem, não tendo porque carregá-lo, o faz por aceitar a posição de vítima que pode ser bem mais confortável do que a de quem se responsabiliza por seus desejos. Artificial, a culpa aparece como algo que eu lanço sobre o outro para disfarçar aquilo de que eu mesmo não posso ser responsável. O culpado culpa o outro e a si mesmo. O culpado é, assim, um covarde que se disfarça de vítima e que encontra sua comunidade de culpados, deprimidos e entristecidos contra um mundo supostamente hostil. Fica mais fácil culpabilizar os outros do que responsabilizar-se. Mais fácil endividar o outro e a si mesmo do que pagar os custos da própria vida.

Culpados aqui e ali exigem que ajudemos a carregar seus fardos. Jogam seu peso sobre os ombros próprios e os dos outros. Bem que podiam trocar tudo isso pelas asas do desejo que, em nós, estão prontas a se abrir, deixando tudo mais leve e permitindo voar e ver mais longe.
O impulso pro vôo vem da coragem da responsabilização.

Peça que a gente passa: Lenine canta MAGRA.



Para uma mulher brasileira, chegar à adolescência e perceber que não vai ser gostosona e cheia de curvas é quase um atestado de que a moça vai passar o resto da vida tendo que conviver com o fato de não ser desejada (feminismo de lado, no fundo toda mulher quer isso também). Se as gordinhas fizerem dieta e frequentarem a academia, até podem chegar lá. Mas e as magras por natureza, aquelas de ruim? Estão fadadas à posição de indesejáveis? Para o Zeca Baleiro (de quem também sou fã), uma “top model magrela na passarela” é sem graça. Mas o Lenine descobriu beleza e poesia em uma mulher magra, como eu. Ainda bem que tem gosto pra tudo… [Adriana Caitano]

Fórum: Pastor Emanuel Bragança não tolera a Bigamia.

A bigamia é um tipo de poligamia seu significado é (bi significa dois e gamia significa casamento), portando ela é bigamia a pessoa que é casada com duas pessoas ao mesmo tempo. A bigamia é considerada crime pela lei brasileira de acordo com o artigo 235 do código penal estando o infrator (a) sujeito de dois até seis anos de cadeia. É considerada como crime contra a família.

O primeiro homem bigamo da história foi Lameque, ele era da linhagem de Caim, os nomes de suas mulheres eram: Ada e Zilá como podem notar essa prática é muito antiga desde o começo do mundo era praticada, esse foi sem dúvida o embrião da praga chamada poligamia, ora se o homem muitas vezes não amava se quer a uma mulher como iria amar duas? A rivalidade era uma marca registrada nesse tipo de relacionamento, como era o caso de Eucana que tinha duas mulheres: Ana e Penina, as rivalidades entre ambas era flagrante, o homem amava demais uma e bem menos outra, Amava demais Ana, e bem menos Penina, sua amada não gerava filhos, a outra sim tinha filhos e filhas, e podemos ver as humilhações no capítulo 1º de Samuel. Nesse caso vemos uma terrível desavença, porém é fato que tem registros antigos mostram é que havia em muitos casos a ocorrência até lesbianismo entre muitos desses casamentos (entre as próprias esposas), sabemos que essa nunca foi a vontade perfeita do Senhor era apenas tolerada naqueles distantes tempos.

Parecer Bíblico

A escritura é clara em (Mateus 19: 4-6) “Ele, porém, respondendo, disse-lhes: Não tendes lido que aquele que os fez no princípio macho e fêmea os fez,
E disse: Portanto, deixará o homem pai e mãe, e se unirá a sua mulher, e serão dois numa só carne? Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem.”

Se na antiga aliança isso foi tolerado devido os costumes da sociedade, na nova a bigamia consiste num pecado contra Deus, contra a família, e contra o próprio corpo, pois quem se prostitui peca contra o próprio corpo.“Fugi da prostituição. Todo o pecado que o homem comete é fora do corpo; mas o que se prostitui peca contra o seu próprio corpo.” (1º Coríntios 6 :18).



Considerações da Professora Rosângela Epifanio a respeito do Beijo.

A química do beijo e da atração sexual vem sendo estudada há décadas e, em alguns aspectos, ainda é repleta de mistérios.

Beijo de amigo, beijo selinho, beijo comportado, beijo romântico, beijo sensual, beijo de lado, beijo roda-gigante, beijo aspirador de pó, beijo roubado, beijo devolvido, beijo com pressa, beijo sem pressa, beijo tântrico ... Quantos tipos de beijo você conhece? Provavelmente todos. A diferente “nomenclatura” depende apenas da sua geração, da cultura de seu país e de querer, enfim, dar “nome aos bois”.

Por exemplo, os romanos classificavam ou nomeavam os beijos em apenas três tipos: o basium, trocado entre conhecidos; o osculum, dado apenas em amigos íntimos; e o suavium, que era o beijo dos amantes.

No encontro anual da Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS), realizado de 12 a 16 de fevereiro de 2009, um dos simpósios foi dedicado à “Ciência do Beijo” e, entre outros assuntos, foram discutidos a química do beijo e de prováveis feromônios de atração sexual humana.

A antropóloga Helen Fischer da Universidade de Rutgers em Nova Jérsei (EUA) conta que, assim como os chipanzés, 90 % das sociedades humanas praticam o beijo e acredita-se que o ato de beijar oferece uma vantagem evolutiva.

Segundo matéria de Chip Walter para a revista Scientific American de Janeiro de 2008 (Affairs of the Lips: Why We Kiss), o beijo desencadeia uma cascata de eventos químicos que transmitem sensações táteis, estímulos sexuais, sentimento de proximidade, motivação e euforia.

Para Fischer, o homem prefere os beijos molhados e com a língua em ação, permitindo a transferência de maior quantidade de testosterona à mulher. Testosterona, todos já sabem, aumenta a libido - consequentemente melhora o humor - feminina. O “beijo de língua” também permitiria que os homens percebam, inconscientemente, se a mulher está em sua fase menstrual

Mas se é no “beijo molhado” que substâncias químicas são trocadas através da saliva, para os casais essa troca pode significar o fim do relacionamento ou o início de uma relação duradoura, até que o último beijo (ou a falta de) os separe.

Experiências, no mínimo interessantes, vêm sendo conduzidas por Wendy L. Hill e seus colaboradores no Centro de Saúde do Estudante do Lafayette College e foram descritas por Tina H. Saey em sua matéria para a Science News de 13 de fevereiro de 2009 (“Kissing Chemistry”).

Segundo a Profa. Hill, ainda não foi comprovado, ao menos cientificamente, que passar no teste do primeiro beijo significa passar no teste químico. Seu grupo fez uma experiência com 15 casais heterossexuais (com diferentes tempos de relacionamento) em que a saliva e o sangue de cada voluntário foram analisados antes e depois do “experimento”. Nas amostras de saliva mediu-se o cortisol (hormônio do estresse) e no sangue os níveis de oxitocina, peptídeo neurotransmissor, também conhecido pela internet como o hormônio do amor.


Aspas para Drummond.

"A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade. A dor é inevitável. O sofrimento é opcional."



O pecado no Budismo.



O pecado é compreendido como ignorância. E onde é entendido como alguma forma de “erro moral”, o contexto no qual “bem” e “mal” são compreendidos é amoral. O Carma é compreendido como sendo o equilíbrio da natureza e não é reforçado de uma forma pessoal. A natureza não é moral, portanto, o Carma não é um código moral, e o pecado não é, no fim das contas, moral. Por isso podemos dizer, de acordo com o pensamento budista, que nosso erro, no final das contas, não é moral já que é apenas um engano impessoal e não uma violação interpessoal. A consequência que surge desse tipo de compreensão é devastadora. Para o budista, o pecado é mais um engano do que uma transgressão contra a natureza do Deus onipotente. Esse entendimento do pecado não concorda com a consciência moral inata de que os homens são condenados por causa de seu pecado diante de um Deus Santo (Rom. 1-2).
A crença de que o pecado é um erro impessoal que pode ser consertado não vai de acordo com a doutrina da depravidade, a qual é uma básica doutrina do Cristianismo. A Bíblia nos diz que o pecado do homem é um problema de consequências eternas e infinitas. As opiniões budistas sobre o pecado nem se comparam. De acordo com o budismo, não existe a necessidade de um Salvador para resgatar as pessoas de seus pecados condenadores. Para o Cristão, Jesus é a única forma de resgate da punição eterna de seus pecados pessoais e imputados. Para o budista, existe apenas uma forma de vida ética e apelos através de meditações a seres exaltados com a esperança de talvez alcançar iluminação ou Nirvana. Mas provavelmente certa pessoa terá que passar por várias reencarnações para pagar pela grande acumulação de débito relacionado ao carma. Para os verdadeiros seguidores do Budismo, essa religião é uma filosofia de moralidade e ética, encapsulada em uma vida de renúncia do próprio ego. Uma pessoa pode apelar a inúmeros Boddhisatvas ("Budas em formação") ou Budas (Gautama é visto mais tarde como um de muitos budas) (Ibid., 229). No fim das contas, a realidade é impessoal e não-relacional; portanto, não é amoroso. Deus não só é visto como ilusório, mas ao dissolver o pecado a um erro não moral e ao rejeitar toda realidade material como maya ("ilusão"), até mesmo nós “nos” perdemos. A personalidade em si se torna uma ilusão.

Perfil do Orkut: Cazzo Fontoura.



carlos leonídio santos santiago fontoura... resumindo: cazzo (pica, caralho, cacete, rola, tudo isso, em italiano), pq quando digo cazinho ninguém me leva a sério; poeta e escritor; escorpiano corrompido, filho de oxossi convicto; pai de joão, filho de eva; a primeira voz q me encantou foi a de noite ilustrada (decerto o nome me encantou primeiro, depois a voz); luiz gonzaga, para mim, desde menino, sempre foi mito; queria ter: a voz da cássia eller, o suingue do joão donato, o olhar do almodóvar; arrocha não é dança, é celebração; minha devoção por são francisco de assis é a tatuagem q hei de riscar; quando conheci manuel bandeira minha vida mudou; de vez em quando jesus, quase sempre nietzsche; chaves é fundamental, assim como dorival caymmi é fundamental; hollywood às vezes enche, glauber quase sempre preenche; as novelas de manoel carlos ainda me fascinam; a feiura não me assusta, me comove; me comovem: a voz de drummond, o andar de carlitos, o rebolado de nina simone; em nelson rodrigues minhas frases tentam, e falham, chegar perto; minha relação com a bahia é de amor e ódio, com o bahia também; não sou triste nem alegre, e só a felicidade de vinícius me enternece; tenho medo das academias – a dos músculos e a das letras – pq tendem a atrofiar; detesto jaca e amo banana; um baba é tão emocionante quanto um grande clássico; cansei dos poemas pq prefiro poesia; coca-cola não é refrigerante; chá é ruim pq tem gosto de nada; nem barulho, nem silêncio: prefiro joão gilberto e chet baker; não entendo a bolsa de valores - nem quero entender; sim, acredito em deus; o diabo é o pai do rock; importante é o coração.


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