terça-feira, 27 de outubro de 2009

HÉLIO OITICICA E O SUPERMODERNO [Antônio Cícero]

O Neoconcretismo não abandona o quadro num gesto contra a pintura mas, ao contrário, por radicalizar a exigência de que a pintura seja imanente. Ou seja, a pintura em si dispensa o enquadramento e o espaço da representação ou espaço virtual que é também o espaço da composição. Para Hélio Oiticica, o fim do quadro, "longe de ser a morte da pintura, é a sua salvação, pois a morte mesmo seria a continuar o quadro como tal, e como 'suporte' da pintura (...). A pintura teria que sair para o espaço”. É o que faz o Relevo Espacial, que o próprio Hélio já qualificava de estrutura-cor.

O Parangolé leva às últimas conseqüências a libertação da pintura de seus antigos liames. Como se sabe trata-se de uma espécie de capa (lembra ainda bandeira, estandarte, tenda) que não desfralda plenamente à luz sua imagem de uma miríade de tons, cores, formas, texturas ou grafismos senão a partir dos movimentos -- da dança -- de alguém que a vista. "O ato de vestir a obra já implica uma transmutação expressivo-corporal do espectador, característica primordial da dança, sua primeira condição”. A dança de quem veste o Parangolé não apenas o revela ao espectador que não o veste mas, sobretudo, ao dançarino mesmo. Na verdade, o dançarino se mostra ao dançar. Desaparece, assim, a separação tradicional entre o sujeito e o objeto da contemplação, a obra. O Parangolé em si constitui apenas o fecho do círculo, ou melhor, na bela expressão de Haroldo de Campos, o ponto de confluência em que o dançarino admira a própria dança.

Trata-se de uma dança narcísica. Mas quem é Narciso? Narciso é o ser ou estar que prova e aprova a si próprio. Narciso é a instância do ser ou estar que prova e aprova o próprio ser ou estar. A dança do Parangolé - o agora pelo agora - não tem necessidade de transcendência para se afirmar.

Assim, a superação do quadro em nome da pintura - um momento da qual é o Parangolé - acabou resultando: (a) no fim da própria pintura, que, enquanto objeto em si, deixa de existir; (b) no fim, pela mesma razão, da obra em si; e (c) no fim da arte em si, isto é, separada do fruidor ou do criador; em suma, da vida. "Aqui no Rio, o que caracterizou basicamente a produção, dizia Lygia Pape sobre os neoconcretistas, foi a quebra das categorias. De repente, pintura não era mais pintura, poesia não era poesia e começaram a se misturar as linguagens”.

Digamos, de passagem, que isso não se deu apenas no Rio. O Rio neoconcreto foi apenas um dos caminhos originais - um caminho construtivista - pelos quais o moderno chegou às últimas consequências na busca da arte enquanto arte e produziu a antiarte. Há outros. O próprio termo “antiarte”, por exemplo, surgiu no meio Dada. Os ready-made constituem exemplos de antiarte. Action painting, em suas últimas consequências, e arte conceitual são outros que vêm de diferentes tradições da pintura. Podemos dizer esquematicamente, que a variante duchampiana, partindo de uma forte reação contra a pintura retiniana, se caracteriza por uma atitude lúdico-intelectual (que conduz à antiarte por um curto-circuito conceitual) enquanto o caminho de Hélio Oiticica tende a ser lúdico-sensual.

Mas a antiarte será um fenômeno pós-moderno, como queria, por exemplo, Mário Pedrosa? Ela certamente rompe com a arte moderna que a precede. Romper com a tradição moderna, porém, é o que todo moderno parece sempre ter feito. O Parangolé, a "antiarte por excelência" para o próprio Hélio, se insere perfeitamente no que é conhecido como a tradição da ruptura. "O que o movimento neoconcreto faz", diz Ferreira Gullar, é levar às últimas conseqüências o que está implícito na experiência anterior do cubismo, do suprematismo, do neoplasticismo, de tudo isso que se encaminhou para algum ponto".

Mas então podemos nos perguntar: que acontece uma vez atingido esse ponto para onde convergiu todo o moderno? Se o moderno se caracterizava pela tradição da ruptura, queremos saber o que acontece quando ele rompe até com essa tradição, isto é, quando já chegou aonde queria e não tem mais caminhos a percorrer nem, ante si, tradições intactas. Que acontece quando já não há necessidade nem de heroísmo nem de marginalidade? Será que, quando não há mais necessidade de vanguarda, como hoje, já não saímos do moderno para entrar em outra coisa?

Acontece que o moderno não é em primeiro lugar a tal tradição da ruptura. Esta constitui apenas o lado negativo da manifestação do poder criativo do agora. À destruição das convenções pela vanguarda correspondiam, no polo positivo, novas fantasias, novas invenções, novos exercícios da criatividade. O próprio Parangolé é um exemplo disso. É essa afirmação do poder do agora - que, quando ainda há formas tradicionais fetichizadas, choca-se com elas - o aspecto positivo fundamental do moderno. É nisso que ele difere do não-moderno.
O homem arcaico, por exemplo, somente faz o que "já foi feito", ensina-nos Mircea Eliade. "A vida dele é a repetição ininterrupta de gestos inaugurados por outros".7 Se o passado perfeito (ou às vezes o futuro perfeito, isto é escatológico), dimensão ausente do tempo, é constitutivo para o homem arcaico, para o homem moderno dá-se algo muito diferente. Ele considera a sua própria atualidade, o seu agora, como a única essência. Ora, o agora é tanto mais agora quanto difere do passado. A própria palavra "moderno", como se sabe, vem do advérbio latino "modo", que quer dizer agora mesmo. "Moderno", relativo a agora, consiste, portanto, em um universal, como o próprio "agora". Moderna se diz a época que não se define, ao contrário de outras épocas, por um nome próprio que o passado lhe tenha atribuído, a época que não se define. Assim como o agora somente pode ser superado por outro agora, o moderno somente pode ser superado por outro moderno. É por essa simples razão que não se pode consistentemente empregar o termo "pós-moderno" nem aqui nem em nenhum outro contexto.

Assim, o que a antiarte e toda vanguarda realizaram foram exatamente as últimas conseqüências do moderno. Se quisermos, por isso, opor nossa época àquela em que a vanguarda ainda se encaminhava para este ponto em que nos encontramos, podemos chamar a nossa época não de pós mas de supermoderna. Destarte, a criatividade não tem preferência maior pela pintura ou por qualquer forma convencional, mas pode tanto criar novas formas como usar qualquer das formas - novas ou antigas, desta ou daquela cultura, de caráter "estético" ou não - disponíveis. Nessa situação constituem evidentes tolices as repetitivas queixas que se fazem ouvir no sentido de que hoje não haveria mais "grande pintura" ou de que não se produziriam mais tantas "obras-primas" ou de que não surgiriam mais tantos "gênios" quanto "antigamente". A pintura de fato perdeu a ilusão de que sua aura lhe pertencia por direito divino, mas provou-se que a fonte de toda aura, de todo encantamento, de todo direito e de todo divino é a boca mesmo do agora.

Desfez-se também, por exemplo, a ilusão de que haja critérios objetivos" ou mesmo consensuais para a seleção das obras que figurarão em uma mostra qualquer de arte. Todas as escolhas são (mas sempre foram sem o saber) autorais. Mas não é melhor que, de fato, cada qual assine as escolhas que faz, em lugar de falsamente imputá-las a qualquer tipo de "objetividade"?

O fato é que jamais a tantos, em qualquer outra época, foi possível tanta experiência de liberdade ou ambição de criar. Evidentemente, o medo dessa liberdade e a frustração dessa ambição também se espalharam pelo mundo, produzindo o pessimismo vulgar que caracteriza o senso comum jornalístico de nossa época. Mas a verdade deve ser também dita: a vanguarda chegou à sua conclusão, isto é, deu certo.

Reconheça: PAULINHO NOGUEIRA


Paulo Artur Mendes Pupo Nogueira nasceu em Campinas SP em 08 de Outubro de 1929. Autor de um dos mais procurados métodos de violão existentes no Brasil, aprendeu a tocar com o pai, aos 11 anos. Na mesma época integrou o Grupo Cacique, conjunto vocal dirigido por seu irmão Celso Mendes. Mudou-se para São Paulo SP em 1952, estreando na boate ltapoã e tocando nas rádios Bandeirantes e Gazeta. Oito anos depois gravou seu primeiro LP, na Columbia, a convite de Roberto Corte Real.


A primeira composição sua a aparecer em disco foi Menino, desce daí, em 1962, pela RGE, interpretada por ele mesmo.


Na época da bossa nova, destacou-se como solista e acompanhante em shows e programas de televisão. Começou a dar aulas de violão em 1964, ano em que também recebeu como melhor solista o troféu Pinheiro de Ouro, do governo do Paraná, o mesmo ocorrendo em 1965. Nesse ano foi contratado pela TV Record para atuar em O Fino da Bossa, programa de maior sucesso na época.






Recebeu em 1966 o prêmio Guarani, conferido por jornalistas e críticos de radio e televisão. Em 1969 inventou a craviola, instrumento de 12 cordas que produz um som misto de cravo e viola, e recebeu o prêmio de melhor músico do ano, conferido pelo jornal O Estado de São Paulo. Uma de suas composições, Menina, gravada por ele na RGE, foi grande sucesso em 1970. Dois anos depois transferiu-se para a etiqueta Continental, onde gravou quatro LPs ate 1975.


Em 1986 gravou o LP solo Tons e semitons, com novas composições suas para violão, lançado juntamente com um álbum contendo as partituras das musicas incluídas no disco. Desde 1990 tem lançado vários videocassetes didáticos para solos de violão. Lançou pela Movieplay dois CDs o instrumental Late Night’ Guitar (1992), com musicas brasileiras e internacionais, e Coração violão (1995), no qual intercala solos de violão com musicas inéditas cantadas e regravações de suas composições mais conhecidas.


Regina Navarro: a assassina do Enlace Matrimonial!


Em um casamento, o companheirismo, a solidariedade e o carinho vão aumentando na mesma medida em que o desejo sexual vai diminuindo. A explicação mais ouvida para isso é que a rotina do dia-a-dia transforma o sexo num hábito, e como tudo o que é habitual vai perdendo a sensação de prazer, ele vai sendo feito automaticamente. Há quem diga também, de forma conformada, que a emoção no sexo só existe mesmo no início de uma relação, e o que resta, depois de algum tempo de vida em comum, é uma grande amizade. A única coisa que não entendo, então, é por que temos que dar satisfação, ter compromisso de horário, dormir na mesma cama todas as noites, com uma pessoa amiga. Não seria muito melhor sermos livres e encontrarmos os amigos apenas quando sentíssemos vontade? Quem sabe, assim, a emoção do sexo poderia ressurgir, e a vida, sem tantas obrigações desnecessárias, poderia ser bem mais interessante.

Na realidade, existe uma razão ainda maior para que no casamento o sexo se transforme em algo monótono e sem graça. É a ideologia da monogamia, que sempre foi adotada para a mulher e que de 30 anos para cá passou a atingir também os homens. Atualmente, homens e mulheres cobram fidelidade sexual de seus parceiros. Sem dúvida, essa obrigação de um só poder se relacionar com o outro mina progressivamente a relação. Por um lado as pessoas se sentem apaziguadas e seguras, acreditando que o parceiro nunca terá olhos para ninguém. Por outro, a mesma certeza de posse e de exclusividade que faz as pessoas se sentirem garantidas no casamento, leva à acomodação, inibindo o desenvolvimento de uma vida sexual criativa com o parceiro. Não existindo mais o estímulo da sedução e da conquista, o sexo vai se deteriorando.

É curioso assistir à cobrança de fidelidade feita nas relações estáveis, porque na verdade todos sabem que ela não existe. Temos notícia o tempo todo de relações extraconjugais de gente que nos cerca ou mesmo de pessoas famosas, como os membros da família real inglesa ou o presidente do Estados Unidos. Mas, inexplicavelmente, quase todos continuam defendendo a fidelidade como se fosse fácil e natural do amor, e a estabelecendo como condição para o casamento.

O número de homens e mulheres casados que têm relações extraconjugais ocasionais é enorme, e hoje o percentual de mulheres praticamente se nivela ao dos homens. A diferença é que o homem divulga para se afirmar como macho e a mulher tende a guardar segredo, com medo de ser considerada galinha.

Uma relação extraconjugal pode ser apenas acidental e não rivalizar com a relação estável. Nesse caso não afeta a pessoa nem o casamento, que em alguns casos sai até reforçado. Desconfiar que o outro esteja também tendo um romance com alguém abala a certeza de posse e estimula a conquista, o que pode provocar o reaparecimento do desejo sexual. É claro que, às vezes, a relação extraconjugal se torna mais intensa do que a do casamento, proporcionando mais emoção e prazer para as pessoas. Nesse caso, ou se aceita que faz parte da vida amar duas pessoas ao mesmo tempo, ou se separa.

Seja qual for a escolha, uma relação extraconjugal é sempre melhor do que o casamento sem graça de duas pessoas que desistem do sexo e ficam presas uma à outra por dependência e medo da vida.

O fazedor [Jorge Luis Borges]

Nunca se tinha demorado nos prazeres da memória. As impressões resvalavam sobre ele, momentâneas e vívidas; o vermelhão de um oleiro, a abóbada carregada de estrelas que também eram deuses, a lua, de onde tinha caído um leão, a lisura do mármore sob as lentas gemas sensíveis, o sabor da carne de javali, que gostava de rasgar com dentadas brancas e bruscas, uma palavra fenícia, a sombra negra que uma lança projecta na areia amarela, a proximidade do mar ou das mulheres, o pesado vinho cuja aspereza o mel mitigava podiam abarcar por inteiro o âmbito da sua alma. Conhecia o terror, mas também a cólera e a coragem, tendo sido uma vez o primeiro a escalar um muro inimigo. Ávido, curioso, casual, sem outra lei que a do gozo e da indiferença imediata, andou pela terra vária e olhou, numa e noutra margem do mar, as cidades dos homens e os seus palácios. Nos mercados populosos ou no sopé de uma montanha de cume incerto, onde bem podia haver sátiros, tinha escutado complica­das histórias que recebeu como recebia a realidade, sem indagar se eram verdadeiras ou falsas.

Gradualmente, o formoso universo foi-o abandonando; uma teimosa neblina confundiu-lhe as linhas da mão, a noite despovoou-se de estre­las, a terra era insegura sob os seus pés. Tudo se afastava e confundia. Quando soube que estava a ficar cego, gritou; o pudor estóico ainda não fora inventado e Heitor podia fugir sem deslustre. «Já não verei — per­cebeu — nem o céu cheio de pavor mitológico, nem esta cara que os anos transformarão.» Dias e noites passaram sobre esse desespero na sua carne, mas uma manhã acordou, olhou (já sem espanto) as indistintas coisas que o rodeavam e inexplicavelmente sentiu, como quem reconhece uma música ou uma voz, que tudo isso já lhe tinha acontecido e que o encarara com temor, mas também com júbilo, esperança e curiosidade. Então desceu à sua memória, que lhe pareceu interminável, e conseguiu tirar daquela vertigem a recordação perdida que reluziu como uma moe­da sob a chuva, talvez porque nunca a tivesse olhado, salvo, quem sabe, num sonho.

A recordação era assim. Outra criança havia-o insultado e ele fora ter com o seu pai e tinha-lhe contado a história. Este deixou-o falar como se o não ouvisse ou compreendesse e despendurou da parede um punhal de bronze, belo e carregado de poder, que a criança tinha furtivamente cobiçado. Agora segurava-o nas mãos e a surpresa da posse anulou a injú­ria sofrida, mas a voz do pai dizia: «Que alguém saiba que és um ho­mem», e havia uma ordem na voz. A noite cegava os caminhos; abraçado ao punhal, em que pressentia uma força mágica, desceu a brusca ladeira que rodeava a casa e correu até à beira-mar, julgando-se Ájax ou Perseu e povoando de feridas e batalhas a obscuridade salobra. O que procurava era o preciso sabor daquele momento; não lhe importava o resto: as afrontas do desafio, o torpe combate, o regresso com a lâmina ensan­guentada.

Outra recordação, em que também havia uma noite e uma iminência de aventura, brotou daquela. Uma mulher, a primeira que lhe enviaram os deuses, tinha-o esperado na sombra de um hipogeu, e ele procurou-a por galerias que eram como redes de pedra e por declives que se afunda­vam na sombra. Porque lhe chegavam essas memórias e porque lhe che­gariam elas sem amargura, como uma mera prefiguração do presente?

Com grave assombro compreendeu. Nessa noite dos seus olhos mor­tais, onde agora descia, aguardavam-no também o amor e o risco. Ares e Afrodite, porque já adivinhava (já o cercava) um rumor de glória e de hexâmetros, um rumor de homens que defendem um templo que os deu­ses não salvarão e de baixéis negros que procuram no mar uma ilha que­rida, o rumor das Odisseias e Ilíadas que era seu destino cantar e deixar ressoando concavamente na memória humana. Sabemos estas coisas, mas não as que sentiu ao descer à última sombra.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

APOCALIPSE [ONE MORE TIME] NOW!

“Depois apareceu no céu um grande sinal: uma mulher vestida de sol, com a lua debaixo dos seus pés, e uma coroa de doze estrelas sobre a sua cabeça. Estava grávida, e clamava com dores de parto e sofria tormentos para dar à luz.

Foi visto ainda outro sinal no céu: era um grande dragão vermelho, que tinha sete cabeças e dez pontas, e nas suas cabeças sete diademas; a sua cauda arrastou a terça parte das estrelas do céu, e precipitou-as na terra. Depois o Dragão parou diante da Mulher, que estava para dar à luz um filho varão, que havia de reger todas as gentes com vara de ferro; e o seu filho foi arrebatado para Deus e para o seu trono, e a Mulher fugiu para o deserto, onde tinha um retiro que Deus lhe tinha preparado, para aí a sustentarem durante mil duzentos e sessenta dias.

Houve no céu uma grande batalha: Miguel e os seus anjos pelejavam contra o Dragão, e o Dragão com os seus anjos pelejava contra ele; porém estes não prevaleceram, nem o seu lugar se encontrou mais no céu. Foi precipitado aquele grande dragão, aquela antiga serpente, que se chama demônio e satanás, que seduz todo o mundo, foi precipitado na terra, e foram precipitados com ele os anjos. Ouvi uma grande voz no céu, que dizia: agora foi estabelecida a salvação, a força, o reino do nosso Deus e o poder do seu Cristo, porque foi precipitado o acusador de nossos irmãos, que os acusava de dia e de noite diante do nosso Deus. Porém eles venceram-no pelo sangue do cordeiro e pela palavra do seu testemunho e desprezaram as suas vidas, até morrer. Por isso, ó céus, alegrai-vos, e vós, os que habitais neles. Ai da terra e do mar, porque o demônio desceu a vós com grande ira, sabendo que lhe resta pouco tempo.

Quando o dragão se viu precipitado na terra, perseguiu a Mulher que tinha dado à luz o filho varão, mas foram dadas a Mulher duas asas de uma grande águia, a fim de voar para o deserto, ao lugar do seu retiro, onde é sustentada por um tempo, por dois tempos e por metade de um tempo, fora da presença da serpente. Então, a serpente lançou da sua boca, atrás da Mulher, água como um rio, para fazer que Ela fosse arrebatada pela corrente. Porém a terra ajudou a Mulher e a terra abriu a sua boca e engoliu o rio que o dragão tinha vomitado da sua boca. O dragão irou-se contra a Mulher e foi fazer guerra aos outros seus filhos, que guardam os mandamentos de Deus e retém a confissão de Jesus Cristo. E parou sobre a areia do mar.” (Apocalipse 12, 1-18).


VOAR, VOAR. SUBIR, SUBIR.

O voo livre encanta o homem desde a mitologia grega com Ícaro, porém, foi por volta de 1871 que o alemão Otto Liliental construia planadores os quais ele próprio testava, vindo a realizar mais de 2000 vôos em sua vida. Faleceu em um acidente em 1896.


No final da segunda guerra mundial Francis Rogallo passa a estudar um novo tipo de asa que não era rígida. Rogallo defendia a idéia de que as asas flexíveis eram mais estáveis. Seus primeiros trabalhos ele realiza em casa, com sua esposa Gertrude, e para isso teve de instalar grandes ventiladores em sua sala. Em 1951 Rogallo e sua esposa registram a patente da primeira asa flexível.

Nesta época, a Nasa estava buscando uma forma de reintroduzir suas cápsulas espaciais na atmosfera através de um pára-quedas direcionável. A invenção de Rogallo deu origem ao projeto denominado PARASEV (Paraglider Rescue Vehicle).

No Centro de Investigação Langley, na Virgínia, Rogallo estuda a estrutura metálica das asas flexíveis, que nesta época ficavam apoiadas em um triciclo, que era rebocado por um avião. Uma vez em vôo, desconectava e seguia o vôo planando até o solo.

Em Grapton, na Austrália, John Dickenson ouve falar da asa de Rogallo e desenha sua própria asa, que foi construida com varas de bambu e vela de plástico, que mais tarde seriam substituídos pelo alumínio e nylon. Em 1963 realiza o primeiro vôo rebocado por um barco.

Porém, o primeiro desenho de uma asa delta como conhecemos atualmente se deve a Al Hartig, em 1966. Ele a batizou de Valkyrie. Bill Moyes, em 1968 foi o primeiro a voar no lift, também com uma asa do tipo Rogallo, na Austrália.

Em 1974 o vôo livre chega ao Brasil através do francês Stephan Dunoyer que realizou a primeira decolagem no Cristo Redetor e também realizou vários vôos em diversar cidades do Brasil.

O primeiro brasileiro a voar foi o carioca Luis Claudio Mattos. O primeiro brasileiro a conquistar um campeonato mundial foi Pedro Paulo Lopes, o Pepê, em 1981, no Japão.


HENFIL DIZ: “NÃO HÁ CONDIÇÕES DE EXISTIR NO HOMEM O LADO FEMININO.”

Descobri que realmente existem homem e mulher, duas coisas, completamente distintas. Os homens que se fazem mulheres, no caso dos travestis, são bem diferentes delas, são como homens vestidos de mulher, tomam a forma de mulher mas são homens, não adianta, isso faz parte de uma coisa que a natureza nos dá a todos, mas com muita diferença. Por exemplo, esse comportamento infantil é típico do homem... é... a criancice é típica do homem. A mulher nunca foi criança, nunca será criança. Ela vem preparada pra ser algo especial no mundo, que, no caso, é uma coisa irreversível, não há nada que possa evitar isso que é o gerar filhos. Ela é mais preparada numa série de coisas. O filho do homem é a bomba atômica, é o plástico, quer dizer, ele tem que arrumar uma outra forma. Tanto que Deus, que é homem, arrumou barro pra brincar de fazer a Terra, os seres humanos, deu o sopro, aquelas coisas... Nossa Senhora não precisou fazer nada disso. Simplesmente gerou Jesus Cristo, só isso e já fez tudo. O fato de ter um filho torna a mulher um ser adulto desde que nasceu, inclusive ela está pronta pra ter o filho, as meninas desde criança são especiais, você nota. Uma menina é muito mais viva, muito mais rápida, muito mais agressiva, muito mais inteligente do que um menino. Depois, como a disparidade é muita, o que a sociedade faz através das mães, da mulher? Ela paralisa o desenvolvimento da menina. Como? Desviando pra tarefas menores, como cozinhar, lavar, varrer chão, que é uma coisa obrigatória pra qualquer menina, ou desenvolver uma outra sensibilidade, mas fora da convivência social, como balé, piano, violino, quer dizer, paralisam a menina. O menino, por outro lado, é superativado porque em geral ele é muito bobo, é muito devagar, é mais burrinho; ele não é agressivo, é chorão, é superdevagar. Então, o que fazem? Esporte pra que ele fique mais rápido porque, se deixar, o homem fica mais fraco do que a mulher. O homem não tem estrutura física nenhuma; só tem osso, mas é através do esporte que ele fica mais forte, tanto que o intelectual, aquele que não teve uma atividade física, é muito frágil, magrinho, aquela coisa desprotegida, qualquer mulher com um tapa derruba ele. Então, o homem vai desenvolvendo, através do esporte, através do jogo, através do exército, agressividade que não tem. Ele é treinado tanto, que os primeiros dias no exército são um terror pra qualquer homem, mas depois ele é condicionado. À escola, só o homem ia, só o homem tinha conhecimento, lia pra que, quando chegasse aos 30 anos, fosse igual a uma menina de 15. Tanto que, antigamente, homens de 30 se casavam com mulher de 15, porque, se casassem com mulher de 30, eles estavam esmagados. Quando eles chegavam nos 50 anos, a mulher estava chegando nos 30, e eles estavam iguais, o homem era capaz de perceber. É por isso que os casamentos davam mais certo, porque não havia tanta distância de inteligência entre o homem e a mulher. No entanto, ainda assim a mulher efetivamente é mais adulta. O homem endurece o corpo à força dos exercícios físicos, através de um comportamento que a mãe influencia; se vê ele brincando de boneca, de casinha, vai dizer “mariquinha” – a mãe é que fala, o pai nem passa isso pela cabeça, o pai é o meninão que está no bar dando cuspe na parede, bebendo, se exibindo feito qualquer criancinha. Todos os pais são meninos, vão pra campo de futebol, ficam torcendo, gritando e, na hora do gol, carregam os jogadores... isso é o pai. Mas a mãe está ali vigilante, endurece o jogo com o menino, então esse menino vira o que eles chamam de homem, esse homem cumpre as suas funções, mas jamais deixará de ser menino... Ah, sim, a parte mulher, então esse homem se transforma, se embrutece, é morto como ser humano e é capaz inclusive de virar um Fleury, vira um cara esquadrão da morte. Devido a esse treinamento, mataram o menino que ele vai ser até o fim... se deixassem, a gente teria um bando de homens meninos por aí e as mulheres cuidando de tudo. Bem, quando você disse que existe a parte mulher, não é justamente essa coisa a parte menino, essa parte que dizem feminina só existe naqueles meninos que não viraram homem, que não foram transformados, torneados, exercitados para serem homens, homens fortes, homens soldados, homens músculos, homens atletas, homens massa. Só terão essa parte chamada mulher ou chamada menino os homens que escaparam do treinamento. E as mulheres permanecem nas suas funções normais, que é menina que vai ter criança e que, portanto, vai continuar convivendo com os meninos e meninas dentro dessa convivência de sensibilidade, de ter de perceber tudo pra saber se vai chorar ou não vai chorar. O homem que permanece menino, dizem que isso é a parte feminina, não tem nada a ver, apenas eles se salvaram. Agora, os homens estão sendo dispensados gradativamente dessa tarefa de lutar, porque as armas estão substituindo os homens, o soldado não está com nada; hoje, o míssil substitui milhões de soldados, então não precisa preparar o homem pra ser soldado, e com a entrada, por fatores econômicos, da mulher no mercado de trabalho produzindo riquezas etc., essas mulheres começam a deixar de ser infantis, a deixar de ter sensibilidade e, apesar de estarem preparadas biologicamente pra ser mulheres, elas se transformam violentamente, elas se transformam em seres que têm a mesma brutalidade dos chamados homens. Por exemplo, Golda Meir em Israel fez todas as guerras; Indira Ghandi fez todas as guerras e continua com o poder na Índia; guerras, massacres incríveis em cima daquelas tribos. A mulher mais perigosa na política internacional, hoje, é a Margaret Thatcher na Inglaterra, que invadiu as Malvinas, que invade o que for, que tem uma política agressivíssima, está rearmando a Inglaterra internamente, leis de exceção etc. E temos no Brasil uma série de mulheres muito mais perigosas, em todas as áreas, do que os homens; e os homens, como foram dispensados disso, tem muitos homens meninos aí. Então, o homem que está surgindo, o novo homem, é muito mais frágil fisicamente do que o homem de dez anos atrás, e temos aí uma série de mulheres fortes fazendo cooper, musculação; a dança é praticamente um treinamento físico, talvez mais rigoroso que o exército. São mulheres fortíssimas fisicamente e vão virando aquilo que o povo na sua ignorância e sabedoria diz, a mulher está virando homem e é neste sentido: endurecimento, embrutecimento, rigidez, está tendo enfarte, vão ficar carecas, está tendo todos os problemas que o homem tinha quando passava por isso. E diz o povo, na sua sabedoria, que os homens estão virando mulher e, então, sim, aquilo que se chamava mulher, que é menina, a sensibilidade, a brincadeira, você pega qualquer grupo de rapazes, parecem meninos indefesos. Eu vou fazer conferências e descubro que 99 por cento da platéia são mulheres; lançamento de livros, mulheres; quem lê os livros, mulheres; quem está no comando médio das empresas hoje, mulheres; daqui a pouco elas estão no comando total. E veja como esse negócio de lado feminino é uma brincadeira dos meninos cantores que inventaram isso pra serem mais agradáveis à platéia musical, que é constituída de mulheres. São elas que compram discos, então eles ficam paparicando as mulheres com isso “ser menino e menina”, “o meu lado feminino”, e vem o Gil, o Caetano, todas essas pessoas que são fisicamente frágeis são meninos brincalhões, daí as mulheres fortes musculadas ficam adorando e até incentivando isso, porque o homem vai ser desarmado. A mulher percebeu – a mulher especial chamada mãe – que aquele menino que era inofensivo e brincalhão e que ela ajudou a transformar em soldado perigoso, esse homem ameaçava a vida das mulheres, então parece que elas resolveram desativar isso e só vamos ter homens frágeis, pianistas. Os homens ficam estudando estrelas e as mulheres vão trabalhar, vão dominar o esquema financeiro, econômico e vão à guerra, inclusive porque vão estar mais preparadas fisicamente. Quer dizer, há uma questão aí, que falo em termos caricaturais, mas isso que é muito próximo do real e que não há condições de existir no homem o lado feminino.



Versinhos de Millôr

Nos dias quotidianos
É que se passam
Os anos.

Olha,
Entre um pingo e outro
A chuva não molha.

Esnobar
É exigir café fervendo
E deixar esfriar.

Na poça da rua
O vira-lata
Lambe a Lua.

Meu dinheiro
Vem todo
Do meu tinteiro.

O veludo
Tem um perfume
Mudo.



BEBA MART’NÁLIA!

O que não pode faltar no camarim de Mart’nália?

Cerveja e toalha branca.

Você veio de uma família de músicos. Desde criança sonhou em trabalhar com música ou foi influência da família?

Na verdade nunca pensei em ser ou não ser músico. Aconteceu…foi acontecendo desde criança nesse meio, eu nem sabia o que era ser artista, para mim era tudo muito normal todos eles em volta de mim…

De suas canções, qual representa melhor seu estilo de vida?

Chega, Entretanto, Tava por aí…todas tem um pouquinho de mim em tudo… Inclusive a que foi feita para mim pelo meu padrinho Caetano Veloso que se chama Pé do meu samba.

Faça um balanço de sua carreira desde que lançou seu primeiro álbum em 1987 (Mart’nália).

Foi acontecendo, depois desse LP, fiz o cd Minha cara, mais um de curtição…rs Aí fui para o Pé do meu samba…aí o bagulho começou a ser levado a sério… rs... Fiz um dvd e um cd, como se fosse o Pé do meu samba ao vivo que se chama Mart’nália ao vivo e tem participações especiais de meu pai, Djavan, Zélia Duncan, Moska e Caetano.Despois deste fui pro colo da minha cabocla Maria Bethânia que fizemos o Menino do Rio…deste veio o ao Vivo Mart’nália em Berlim. Agora o ultimo cd Madrugada veio com minha produtora e empresária desde sempre Marcia Alvarez, junto com Arthur Maia e Celso Fonseca dividindo a produção musical de faixas…e agora a caminho estamos gravando um dvd nas Africas.Já gravamos em Maputo/Moçambique e Luanda/Angola. Até o final do ano iremos para o Senegal terminar lá esse mais novo projeto para ser lançado em 2010.

Você tem planos para gravar um CD ou DVD dueto com seu pai?

Não, não tenho planos para isso.

Mart’nália está sempre bem-humorada, de bem com a vida. O que faz você perder a calma?

Cerveja quente!

PRA QUE SERVEM AS CRIANÇAS?

Uma coleira, um medidor de mastigadas e até um colete com controle remoto. Esses são alguns dos apetrechos tecnológicos aos quais os pais recorrem com o objetivo de controlar os filhos.

Parece estranho? Pois, os equipamentos são cada vez mais comuns, principalmente nas famílias em que a falta de tempo e o estresse da rotina diária acaba dividindo espaço com a criação dos pequenos. "Todo esse aparato ajuda a reduzir o tempo que os pais passariam correndo atrás dos pequenos ou supervisionando suas atividades, assim sobra mais horas (ou minutos) para dar conta de outras tarefas", explica a psicóloga Mariana Chalfon.



Para ela, os acessórios para os cuidados com as crianças surgem por conta da transformação da sociedade, em que o indivíduo assume multifunções. "A indústria mobiliza o marketing para as pessoas terem novas necessidades, que vão sendo incorporadas à vida delas", explica. Porém, será que tudo isso realmente é necessário? A especialista comenta três artigos à venda nas lojas.


Kami-Kami Sensor (o mastigador)

Lançamento da empresa japonesa Nitto Kagaku Co., o Kami-Kami Sensor monitora a movimentação da mandíbula da criança para garantir que ela mastigue os alimentos de forma adequada, ou seja, numa quantidade suficiente que não o faça engasgar.

O método pode até poupar os pais de assistirem com atenção o ritual da alimentação dos filhos, mas antes de partir para medidas extremas, a psicóloga explica que fazer uso desse tipo de objeto pode deixar transparecer que os pais não confiam na capacidade de entendimento do filho e que subestimam que ele possa seguir uma orientação simples como mastigar. "Quando a criança cria problemas na hora de comer, a mãe deve explicar por que é importante que ela mastigue os alimentos, incentivando o processo", completa.



Child Harness (a coleira)

A novidade Child-Harness parece ser a solução para os pais que vivem correndo atrás das crianças em um passeio no shopping ou no supermercado, sem falar os pequenos que "fogem" da vista dos pais em qualquer outro lugar. A vantagem é que a peça pode ser útil quando o assunto é garantir a segurança dos filhos em situações como atravessar a rua ou no meio da multidão dos parques de diversão.


O problema é a que preço essa troca é feita. Segundo Mariana Chalfon, a "coleira" pode bloquear a fase de aprendizado da criança. "Os pais podem passar a ideia de que não confiam nos filhos", diz ela.


Child Guardian (o colete)

Com a mesma proposta de não deixar a criança escapar de vista, o Child Guardian usa um
controle remoto para imobilizar imediatamente a criança desgarrada. Um alarme de 105 decibéis é disparado pelo colete que a criança usa, causando o efeito paralisante no corpo. Além do dispositivo para localizar a criança, há também um alarme que soa caso a criança se sinta ameaçada enquanto não está na companhia dos pais. De acordo com a psicóloga, o correto é que os pais passem orientações para os filhos para que, por exemplo, eles não corram na rua sem olhar para os lados ou que conversem com estranhos. "Trata-se de mais um caso em que os pais deixam parecer que não confiam na capacidade de aprendizado do filho. Uma orientação como “não atravesse a rua sem olhar para os dois lados” pode garantir a segurança da criança sem precisar desses acessórios", completa.
Powered By Blogger