sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

PEDRA POUND RAP


“A arte de Arnaut Daniel não é literatura. É a arte de combinar palavras e música numa sequência onde as rimas caem com precisão e os sons se fundem ou se alongam. Arnaut tentou criar quase uma nova língua, ou pelo menos ampliar a língua existente e renová-la.” (Ezra Pound)


Noigandres

Er vei vermeils, vertz, blaus, blancs, groucs
Vergiers, plans, plais, tertree e vaus;
Ei l votz Del auzeuls sona e tint
Ab doutz acort maitin e tart.
So m met em cor qu’ieu colore mon chan
D’um’ aital flor Don lo fruitz sai amors,
E jois lo grans, e l’olors de noigandres.

Vejo vermelhos, verdes, blaus, brancos, cobaltos
Vérgeis, plainos, planaltos, montes, vales;
A voz dos passarinhos voa e soa
Em doces notas, manhã, tarde, noite.
Então todo o meu ser quer que eu colora o canto
De uma flor cujo fruto é só de amor,
O grão só de alegria e o olor de noigandres.


(Arnaut Daniel/Trad.: Augusto de Campos)


Teoria de Pound fundamenta trabalhos.

Em inglês, rap é a sigla de rhythm and poetry (ritmo e poesia). Ou seja, o gênero musical que nasceu na Jamaica nos anos 60 e se fortaleceu nos Estados Unidos uma década depois, mais precisamente nos bairros periféricos de Nova York, tem sua gênese fundada na expressão poética. Mas e o rap brasileiro, ele reúne recursos formais que podem caracterizá-lo como uma manifestação da poesia oral contemporânea? Para a estudante de Letras da Unicamp Marília Gessa, a resposta é afirmativa. De acordo com ela, que pesquisou o tema em trabalho de iniciação científica, o rap apresenta os três elementos fundamentais do texto poético: sonoridade, ideia e imagem.

Orientada pela professora Anna Christina Bentes da Silva, Marília se aprofundou no universo do rap, pesquisando a produção musical dos principais grupos e rappers brasileiros. Para sustentar sua análise, a estudante foi buscar amparo na teoria do poeta norte-americano Ezra Pound. De acordo com ele, para que possa ser classificado como poético, o texto precisa reunir ao menos dois de três elementos essenciais: sonoridade, ideia e imagem. “O rap apresenta essas três características, além da rima, que também faz parte da poesia. As letras são normalmente autobiográficas. Com freqüência, elas falam da história de uma pessoa, cuja trajetória está associada à realidade de toda a comunidade onde ela vive. Os rappers fazem uso da rima para condensar o texto e de imagens para reforçar as mensagens carregadas de ideologia. Os temas mais explorados são exclusão, preconceito racial, violência policial e a carência de infra-estrutura social e urbana das periferias”, afirma.


Antigamente, conforme a professora Anna Bentes, a maioria dos rappers enxergava a sua música apenas como um recurso para protestar contra a desigualdade e a exploração. Atualmente, vários deles já reconhecem a expressão poética presente em suas letras e entendem que um aspecto não exclui o outro. Conforme Marília, Mano Brown, líder do grupo paulistano Racionais MCs, um dos mais importantes do movimento rap brasileiro, tem caminhado nesse sentido. “Num debate do qual participei com ele, Brown admitiu que, no início da carreira, não aceitava ser chamado de poeta. Para ele, o rap era uma arma para lutar contra a opressão. Atualmente, após reconhecer que amadureceu e construiu outros olhares, ele afirma que já consegue se aceitar como poeta, sem que isso acarrete na valorização da forma em detrimento da mensagem e, muito menos, na mudança de conteúdo de suas letras”, conta.

A professora Anna Bentes considera que, ao construir sonoramente imagens visuais, o rap contribuiu para o surgimento de um novo tipo de arte no século 20, baseado numa estética igualmente inovadora. Ao ser indagada se o gênero musical terá vida longa, ela responde que sim. Por uma razão muito clara, conforme a docente. “O rap é um modo de comunicação, do qual qualquer um pode se apropriar. Uma das regras do rap é a seguinte: ninguém diz nada por você. Nesse sentido, ele tem um compromisso muito mais profundo com a mensagem do que com a estética. Por conta dessas características, penso que ele permanecerá por muito tempo”.


PASSARINHO QUE COME PEDRA...

Uma espécie de passarinho que vive em cidades canta um tipo de "rap", enquanto exemplares da mesma espécie que vivem em áreas rurais cantam em um estilo mais tradicional, diz um estudo.

Pesquisadores da Universidade de Leiden, na Holanda, descobriram que o canto do chapim-real (Parus major) que vive regiões urbanas é mais curto e rápido, em comparação com o dos pássaros do interior.

Os pássaros urbanos também cantam mais agudo e são mais experimentais, arriscando formas diferentes de cantar. Segundo os especialistas, os pássaros urbanos se adaptaram para contrabalançar o barulho e aumentar suas chances de encontrar um parceiro. O estudo foi publicado na revista científica Current Biology.



Os pesquisadores observaram o chapim-real em dez grandes cidades europeias, entre elas Londres, Paris, Amsterdã e Praga, e comparou os cantos dessas aves com os de passarinhos da mesma espécie que vivem em florestas. Em todos os países pesquisados, os chapins da cidade grande cantam uma maior variedade de canções, que são mais curtas e têm frequências mais agudas. Os chapins urbanos tendem a cantar de forma pouco comum. Seus cantos podem conter apenas uma nota, ou combinações de cinco ou mais notas. Já os da floresta preferem cantos mais "normais" com combinações de duas, três e quatro notas, diz o estudo. A pesquisa cita o exemplo de um chapim-real de Rotterdam que arriscou uma canção com 16 notas, possivelmente copiada de um chapim-azul (Parus caeruleus).

Este é o primeiro estudo a estabelecer um padrão europeu de canto de pássaros. O coordenador do estudo, Hans Sabbekoorn, e seus colegas disseram que os pássaros urbanos desenvolveram cantos mais curtos, variados e agudos para que possam se sobressair ao som de trens, aviões e do tráfego.


Os pássaros machos usam seu canto para demarcar território. Se suas canções não são ouvidas, podem se deparar com rivais. Se isso acontece, podem se ver forçados a brigar com o invasor, dizem os especialistas. Eles também usam canções pra atrair parceiras e tiveram de se adaptar para garantir que as fêmeas os ouçam. "Nossas informações mostram que o ajuste do chapim-real às condições de ruído locais não é um fenômeno localizado, mas ocorre por toda a Europa e provavelmente em todas as áreas urbanas", diz o estudo. "Pássaros urbanos enfrentam muito ruído quando cantam, o que pode influenciar a eficácia de seus sinais acústicos."

ASSUNTO SÉRIO: AS MUTAÇÕES DA JUVENTUDE


O problema de um namoro seguido de casamento é que todos esses encantos se perdem no ritmo do dia-a-dia. No casamento, ainda pode haver continuação do namoro para ambos os sexos, sendo fundamental a manutenção dos elogios verdadeiros, as surpresas, um bom perfume, uma roupa agradável, uma gentileza, uma boa conversa, fatores que ajudam a manter a relação sempre com cara de namoro, afinal esta fase é muito bonita e romântica e não pode ser pulada. Portanto, em algum momento o namoro fará parte da vida dos jovens, mesmo que por pouco tempo. Dentre os muitos preconceitos que compõem o namoro, o mais conhecido é ouvir que não se deve mostrar ao moço interesse demasiado, visto que denota um sentido de excessiva preocupação. Segundo Gaiarsa (1995), isso pode tornar o moço muito exigente.

Da mesma forma, na opinião familiar, a moça deve ser mais reservada, com atitudes discretas e sérias, demonstrando que não está preocupada com a presença do namorado, mesmo querendo estar junto dele. Neste caso, a moça fica presa a uma situação de querer estar junto, mas parecer distante.

O namoro sempre é seguido de atitudes que irão caracterizar a relação, a menina sempre tenta aproximar-se o máximo possível do rapaz, pois está enamorada e cedida pelos encantos masculinos, enquanto que o menino começa a afastar-se de tanto zelo. No íntimo do jovem, é uma obrigação ‘ceder’ aos encantos femininos, assim desenvolvendo a arte da conquista, que nele acaba refletindo na satisfação sexual, na maioria dos casos, não compreendida ou não é conhecida, levando-o a manter-se só. Ainda para Gaiarsa (1995), o sentimento de amor mantido no namoro, uma vez que completa sua função, tende a desaparecer.


O autor acredita que talvez seja verdadeiro, mas que está descrito no modo de agir, nas atitudes e não apenas como sentimento. O amor depois que amadurece a personalidade dos jovens que estão enamorados, funde-se e torna mais branda a relação. Mas o que não impede que ele se ascenda por algumas horas ou, às vezes, por minutos, sendo em muitos casos um sentimento que ainda não se completou, ou a saudade e até mesmo a nostalgia de um amor do passado. Quando se trata do amor vivido no namoro, podemos constatar que todas as características do jovem, como os gestos, ações e opiniões tendem a dissolver-se quando o amor se aprofunda com a relação.

Na época passada, os pais ainda detinham o poder sobre os arranjos matrimoniais, os quais tinham por objetivo a perpetuação das obrigações morais e tradições entre as famílias, o que não tinha como obrigação as relações amorosas. O período compreendido entre namoro e noivado não era o suficiente para proporcionar contato físico e depois da realização deste não havia como voltar atrás e dissolvê-lo. O que hoje se avalia não é mais a união matrimonial para satisfazer os gostos familiares, mas a si próprio, tornando o namoro e noivado centralizados apenas nos valores afetivos, como simpatia, atração física, correspondência afetiva (SILVA, 2002). As rápidas transformações ocorridas com a década atual ainda são recriminadas pelos pais da geração anterior, pois todos os padrões morais vividos por eles estão sendo derrubados pelos jovens sem que estes se dessem conta, trazendo a tona seus anseios sexuais, o que os deixa constrangidos ao tratarem este assunto com seus filhos. Com isso, cometem os mesmos erros que recriminavam em seus pais.

O objetivo do estudo foi investigar a concepção do namoro na visão dos adolescentes que estudam na 8ª série do ensino fundamental.

PEÇA QUE A GENTE PASSA: AMADOU E MARIAM



O estudante de História, Darlan dos Santos Gomes, nos envio a carta abaixo, em que se escreve:

"A música é 'Sabali', de Amadou & Mariam, de seu novo álbum 'Welcome to Mali'. Conhecidos como 'o casal cego de Mali', se conheceram em um instituto de cegos e descobriram que compartilhavam interesses musicais parecidos.Seus primeiros CDs eram de arranjos de guitarra e voz. No final dos anos 90, a dupla começou a produzir musica que mixa os tradicionais sons de Mali com guitarra de rock, violinos sírios, trompetes cubanos, instrumentos egípcios, trombones colombianos, instrumentos indianos e percussão. Essa combinação eclética de instrumentos é conhecida como 'Afro-Blues'.A dupla está de cd novo e mostra uma mudança na dupla, que agora usa também elementos eletrônicos na sua música."

NO PASSO DE XANGÔ


Shango ou Xango, é cultuado como vodun e dependendo do país como orixá.


Pierre Verger dá como resultado de suas pesquisas que: Shango ou Xangô, como todos os outros imolè (orixás e ebora), pode ser descrito sob dois aspectos: histórico e divino.

Como personagem histórico, Xangô teria sido o terceiro Aláàfìn Òyó, "Rei de Oyó", filho de Oranian e Torosi, a filha de Elempê, rei dos tapás, aquele que havia firmado uma aliança com Oranian.

Shango, no seu aspecto divino, permanece filho de Oranian, divinizado porém, tendo Yamase como mãe e três divindades como esposas: Oyá, Oxum e Obá.

Shango é viril e atrevido, violento e justiceiro; castiga os mentirosos, os ladrões e os malfeitores. Por esse motivo, a morte pelo raio é considerada infamante. Da mesma forma, uma casa atingida por um raio é uma casa marcada pela cólera de xangô.



O TEMPO DE DAVID BYRNE



O Manifesto Futurista foi escrito pelo poeta italiano Filippo Tommaso Marinetti, e publicado no jornal francês Le Figaro em 1909. Este manifesto marcou a fundação do Futurismo, um dos primeiros movimentos da arte moderna. Ele consistia nos seguintes itens:

1. Nós queremos cantar o amor ao perigo, o hábito à energia e à temeridade.

2. Os elementos essenciais de nossa poesia serão a coragem, a audácia e a revolta.

3. Tendo a literatura até aqui enaltecido a imobilidade pensativa, o êxtase e o sono, nós queremos exaltar o movimento agressivo, a insónia febril, o passo ginástico, o salto mortal, a bofetada e o soco.

4. Nós declaramos que o esplendor do mundo se enriqueceu com uma beleza nova: a beleza da velocidade. Um automóvel de corrida com seu cofre adornado de grossos tubos como serpentes de fôlego explosivo... um automóvel rugidor, que parece correr sobre a metralha, é mais belo que a Vitória de Somotrácia.

5. Nós queremos cantar o homem que está na direção, cuja haste ideal atravessa a Terra, arremessada sobre o circuito de sua órbita.

6. É preciso que o poeta se desgaste com calor, brilho e prodigalidade, para aumentar o fervor entusiástico dos elementos primordiais.

7. Não há mais beleza senão na luta. Nada de obra-prima sem um caráter agressivo. A poesia deve ser um assalto violento contra as forças desconhecidas, para intimá-las a deitar-se diante do homem.

8. Nós estamos sobre o promontório extremo dos séculos!... Para que olhar para trás, no momento em que é preciso arrombar as portas misteriosas do impossível? O tempo e o espaço morreram ontem. Nós vivemos já no absoluto, já que nós criamos a eterna velocidade omnipresente.

9. Nós queremos glorificar a guerra - única higiene do mundo - o militarismo, o patriotismo, o gesto destrutor dos anarquistas, as belas idéias que matam, e o menosprezo à mulher.

10. Nós queremos demolir os museus, as bibliotecas, combater o moralismo, o feminismo e todas as covardias oportunistas e utilitárias.

11. Nós cantaremos as grandes multidões movimentadas pelo trabalho, pelo prazer ou pela revolta; as marés multicoloridas e polifônicas das revoluções nas capitais modernas; a vibração noturna dos arsenais e dos estaleiros e suas violentas luas elétricas; as estações glutonas comedoras de serpentes que fumam; as usinas suspensas nas nuvens pelos barbantes de suas fumaças; as pontes para pulos de ginastas lançadas sobre a cutelaria diabólica dos rios ensolarados; os navios aventureiros farejando o horizonte; as locomotivas de grande peito, que entoucinham os trilhos, como enormes cavalos de aço freados por longos trilhos, e o voo deslizante dos aeroplanos, cuja hélice tem os estalos da bandeira e os aplausos da multidão entusiasta.

FUNÇÃO E DESFUNÇÃO DOS RINS


Os rins situam-se na parte dorsal do abdome, logo abaixo do diafragma, um de cada lado da coluna vertebral, nessa posição estão protegidos pelas últimas costelas e também por uma camada de gordura. Cada rim tem cerca de 11,25 cm de comprimento, 5 a 7,5 cm de largura e um pouco mais de 2,5 cm de espessura. A massa do rim no homem adulto varia entre 125 e 170 g; na mulher adulta, entre 115 e 155 g. Tem cor vermelho-escuro e a forma de um grão de feijão enorme.

Agora, vamos ao Fórum...


fazer sexo de quatro é pecado?
Escrito por X, em 17-09-2008 19:43
"sou casada e eu gosto muito de fazer sexo, estando de joelhos na cama, na posição... de quatro, gostaria de saber, Pastor, se essa maneira de fazer sexo prejudica a saúde, prejudica o espírito? Por favor não diga o meu email."

Pastor Ronaldo Diniz: É uma das posições mais humilhantes para a mulher, pois ela fica prostrada como um animal enquanto seu parceiro ajoelhado a penetra. Querida X, animais são seres que não possuem espírito, então o homem que faz o “cachorrinho” com sua parceira, ambos ficam com a alma amaldiçoada e fétida.


quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

A MÚSICA MAIS BONITA DO MUNDO



ESTILHAÇOS DE BOWIE


[1] A pupila direita de Bowie é permanentemente dilatada pois seu amigo George Underwood acertou um soco em seu olho quando os dois ainda estavam na escola. O motivo da briga foi uma garota.

[2] Bowie cantou em uma linguagem totalmente inventada na faixa Subterraneans, do álbum Low, de 1976, quase uma década antes da banda The Cocteau Twins ter popularizado este recurso.

[3] Bowie tem 1 metro e 78 centímetros.

[4] Quando Bowie sugeriu que seus fãs deveriam votar pelo telefone quais as faixas que seriam tocadas em sua turnê mundial de 1990, a música The Laughing Gnome foi a mais pedida. Bowie não tocou.


[5] Em 1967 também foi lançada a música The Laughing Gnome que, segundo muitos fãs, é a pior música que Bowie já gravou.

[6] Em 1997 David Bowie inova mais uma vez lançando apenas pela internet uma música, Telling Lies. Um ano depois ele lançou seu próprio provedor de internet, Bowienet.

[7] Bowie foi atingido no olho por um pirulito durante uma apresentação em Oslo, na Noruega, em 2004.

[8] Em seu histórico escolar, Bowie tem apenas uma nota zero. Em Artes.

23 de dezembro


"Eu queria, humildemente, homenagear através da música todos os aniversariantes do mundo.”
[Hermeto Pascoal]


LEI Nº 8.313, DE 23 DE DEZEMBRO DE 1991
Restabelece princípios da Lei nº 7.505, de 2 de julho de 1986, institui o Programa Nacional de Apoio à Cultura - PRONAC e dá outras providências
O Presidente da República,
Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

CAPÍTULO I
Disposições Preliminares
Art. 1º Fica instituído o Programa Nacional de Apoio à Cultura - PRONAC, com a finalidade de captar e canalizar recursos para o setor de modo a:
I - contribuir para facilitar, a todos, os meios para o livre acesso às fontes da cultura e o pleno exercício dos direitos culturais;
II - promover e estimular a regionalização da produção cultural e artística brasileira, com valorização de recursos humanos e conteúdos locais;
III - apoiar, valorizar e difundir o conjunto das manifestações culturais e seus respectivos criadores;
IV - proteger as expressões culturais dos grupos formadores da sociedade brasileira e responsáveis pelo pluralismo da cultura nacional;
V - salvaguardar a sobrevivência e o florescimento dos modos de criar, fazer e viver da sociedade brasileira;
VI - preservar os bens materiais e imateriais do patrimônio cultural e histórico brasileiro;
VII - desenvolver a consciência internacional e o respeito aos valores culturais de outros povos ou nações;
VIII - estimular a produção e difusão de bens culturais de valor universal formadores e informadores de conhecimento, cultura e memória;
IX - priorizar o produto cultural originário do País.
Art. 2º O PRONAC será implementado através dos seguintes mecanismos:
I - Fundo Nacional da Cultura - FNC;
II - Fundos de Investimento Cultural e Artístico - FICART;
III - Incentivo a projetos culturais.
Parágrafo Único.
Os incentivos criados pela presente Lei somente serão concedidos a projetos culturais que visem a exibição, utilização e circulação públicas dos bens culturais deles resultantes, vedada a concessão de incentivo a obras, produtos, eventos ou outros decorrentes, destinados ou circunscritos a circuitos privados ou a coleções particulares.
Art. 3º Para cumprimento das finalidades expressas no artigo 1º desta Lei, os projetos culturais em cujo favor serão captados e canalizados os recursos do PRONAC atenderão, pelo menos, a um dos seguintes objetivos:
I - Incentivo à formação artística e cultural, mediante:
a) concessão de bolsas de estudo, pesquisa e trabalho, no Brasil ou no exterior, a autores, artistas e técnicos brasileiros ou estrangeiros residentes no Brasil;
b) concessão de prêmios a criadores, autores, artistas, técnicos e suas obras, filmes, espetáculos musicais e de artes cênicas em concursos e festivais realizados no Brasil;
c) instalação e manutenção de cursos de caráter cultural ou artístico, destinados à formação, especialização e aperfeiçoamento de pessoal da área da cultura, em estabelecimentos de ensino sem fins lucrativos.


II - fomento à produção cultural e artística, mediante:
a) produção de discos, vídeos, filmes e outras formas de reprodução fonovideográfica de caráter cultural;
b) edição de obras relativas às ciências humanas, às letras e às artes;
c) realização de exposições, festivais de arte, espetáculos de artes cênicas, de música e de folclore;
d) cobertura de despesas com transporte e seguro de objetos de valor cultural destinados a exposições públicas no País e no exterior;
e) realização de exposições, festivais de arte e espetáculos de artes cênicas ou congêneres.
III - preservação e difusão do patrimônio artístico, cultural e histórico, mediante:
a) construção, formação, organização, manutenção, ampliação e equipamento de museus, bibliotecas, arquivos e outras organizações culturais, bem como de suas coleções e acervos;
b) conservação e restauração de prédios, monumentos, logradouros, sítios e demais espaços, inclusive naturais, tombados pelos Poderes Públicos;
c) restauração de obras de arte e bens móveis e imóveis de reconhecido valor cultural;
d) proteção do folclore, do artesanato e das tradições populares nacionais.
IV - estímulo ao conhecimento dos bens e valores culturais, mediante:
a) distribuição gratuita e pública de ingressos para espetáculos culturais e artísticos;
b) levantamentos, estudos e pesquisas na área da cultura e da arte e de seus vários segmentos;
c) fornecimento de recursos para o FNC e para as fundações culturais com fins específicos ou para museus, bibliotecas, arquivos ou outras entidades de caráter cultural.
V - apoio a outras atividades culturais e artísticas, mediante:
a) realização de missões culturais no País e no exterior, inclusive através do fornecimento de passagens;
b) contratação de serviços para elaboração de projetos culturais;
c) ações não previstas nos incisos anteriores e consideradas relevantes pelo Ministro de Estado da Cultura, consultada a Comissão Nacional de Apoio à Cultura.

"O que eu quis mostrar é que para compor não tem dificuldade. Comparo isso ao pintor que vai para uma praça e pinta um monte de quadros. Eu poderia ir para uma praça também e ficar fazendo uma música atrás da outra. Não é difícil. Só depende da pessoa."
[Hermeto Pascoal]

ED MOTTA PRA CÁ DE RUMPILEZZ



O que você acha da música feita no Brasil hoje em dia, Ed? Há algo que te emociona?

Olha, sinceramente, nada. Aliás, tem, sim. Você conhece Letieres Leite e Orquestra Rumpilezz?

[Eu digo que não e Ed explica]

É a big band de um saxofonista baiano, que faz um som mesclando timbres de candomblé com sopros, dentro de uma abordagem totalmente jazz. Pra mim, o sujeito é o novo Moacir Santos. Música que me emociona mesmo. Além disso, nada.


Caracteres d'Além mar



Um português gago foi ao médico. Então, o doutor pergunta ao paciente gago:
- Tu gaguejas sempre?
- Nã-nã-não, só-só-só quando fa-fa-falo.


Após a transa se encontravam olhando para o teto, Maria e Manuel:
- Manuel, tu bem que podias dar um pintada neste teto.
- É, Maria, e tu bem que podias dar uma bucetada naquela parede.


- Por favor! O senhor viu alguém dobrando esta esquina, agora a pouco?
- Não, senhor. Quando aqui cheguei, ela já estava dobrada...



- Comandante Joaquim, estou a avistar a tropa que se encaminha ao nosso forte!
- São amigos ou inimigos, Sentinela Manuel?
- Olha, eu acho que são amigos. Vêm todos juntos...


Um diálogo entre um agente de transito e um português:
- Você atropelou a velhinha. Porque não buzinou?
- Seu guarda, eu não queria assustá-la.


Português sozinho num ônibus sob uma goteira. O motorista vê a agonia do homem e pergunta:
- Por que é que não trocas de lugar?
- Mas Jesus! Trocar com quem?




quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

O amor antigo [Carlos Drummond de Andrade]


O amor antigo vive de si mesmo,
não de cultivo alheio ou de presença.

Nada exige nem pede. Nada espera,
mas do destino vão nega a sentença.

O amor antigo tem raízes fundas,
feitas de sofrimento e de beleza.
Por aquelas mergulha no infinito,
e por estas suplanta a natureza.

Se em toda parte o tempo desmorona
aquilo que foi grande e deslumbrante,
o antigo amor, porém, nunca fenece
e a cada dia surge mais amante.

Mais ardente, mais pobre de esperança.
Mais triste? Não. Ele venceu a dor,
e resplandece no seu canto obscuro,
tanto mais velho quanto mais amor.


PANFLETAGEM



CHE GUEVARA: "O verdadeiro revolucionário é guiado por grandes sentimentos de generosidade; é impossível imaginar um revolucionário autêntico sem esta qualidade".


"Aprendi que mais vale lutar do que recolher dinheiro fácil. Antes acreditar do que duvidar". (Cora Coralina)



"O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo." (Bertold Brecht)




"A revolução vitoriosa num país tem por tarefa desenvolver e sustentar a revolução nos outros países”. (Stalin)


"A revolução não é a sublevação contra a ordem preexistente, mas a implantação de uma nova ordem que vira a tradicional pelo avesso." (José Ortega y Gasset)


"Uma revolução é uma opinião apoiada por baionetas." (Napoleão Bonaparte)


"Toda a revolução foi primeiro uma idéia na mente de uma pessoa." (Ralph Waldo Emerson)




"A verdadeira revolução acontece quando mudam os papéis e não apenas os autores." (Gilbert Cesbron)


"Em tempo de revolução, cuidado com a primeira cabeça que rola. Ela abre o apetite ao povo." (Victor Hugo)

O estudioso Antônio José Santana Martins


"A bossa nova era algo tão fino que minha qualidade de bárbaro me expulsava daquilo, eu mesmo me expulsava. Ao lado desse afastamento, porém, havia uma atração desde a aparição daquilo no mundo."


"A engenharia brasileira só conseguiu resolver o problema de construir a ponte Rio-Niterói quando fez a tradução intersemiótica dos ensinamentos da bossa nova. Suas plataformas flutuantes são a tradução para concreto e ferro do que a bossa nova fez na música. O feminino das plataformas traduz o feminino das síncopes. E, assim como a bossa nova, a tecnologia da ponte foi uma criação brasileira exportada. Em 1958, num único ano, o Brasil passou de exportador de matéria-prima, o grau mais baixo do desenvolvimento humano, a exportador de arte, o grau mais alto. Antes, a arte brasileira no mundo era vitimada pelo olhar do exótico, o que não aconteceu com a bossa nova, um gênero tão consumado que não permitiu esse engano."

"Nós jovens, estávamos cansados dos vibratos. Quando surgiu João, vimos que podia haver um outro jeito, íntimo, de cantar. O que foi uma explosão. Porque ao longo dos séculos várias experiências foram feitas com a garganta humana. O canto lírico foi fruto de uma evolução de gerações. Mas João, sozinho em seu banheiro de Juazeiro, fez com a voz humana algo que nunca havia sido feito. Foi o fonoaudiólogo, o esteta do bom gosto, o professor de anatomia que criou uma nova forma de usar a musculatura da face... Aliás, há dois banheiros que deveriam garantir um Prêmio Nobel a seus construtores: o de Arquimedes (que, em sua banheira, descobriu a lei do empuxo) e o de João Gilberto."

"Ouvi que tinha um rapaz em Brotas, bairro de Irará, que sabia fazer a levada, a batida de João Gilberto. Quando cheguei lá tinha mais de 20 na porta dele."

A CULPA É DO RAUL!



Os fãs de Raul Seixas talvez não saibam, mas se não fosse o roqueiro baiano, hoje Chitãozinho e Xororó ainda estariam tocando em alguma gafieira do interior do Paraná. Xororó explica: "No meio da década de 70 a nossa carreira ainda não tinha deslanchado. A gente tinha parado de estudar para cair na estrada e começamos a achar que a vida de músico não ia dar certo, estávamos quase desistindo", conta o cantor. "Um dia, ouvimos no rádio a música Tente Outra Vez , do Raul ("Veja, não diga que a canção está perdida/ Tenha fé em Deus, tenha fé na vida/ Tente outra vez") e a partir daí tomamos coragem para prosseguir a nossa luta".


A dupla até pensou em gravar a música no disco comemorativo de 30 anos, mas não conseguiu autorização de Kika Seixas, ex-mulher de Raul e administradora dos direitos autorais do roqueiro. "Ela me disse que ele com certeza iria gostar que a gente a gravasse, mas explicou que o Zé Ramalho está preparando um disco só com músicas do Raul e que, por enquanto, não poderia liberá-las", disse Chitãozinho.

TRECHO BIOGRÁFICO: ROBERTO CARLOS



"Diante da gritaria e do corre-corre, o maquinista Walter Sabino freou o trem, evitando consequências ainda mais graves para o menino, que, apesar da pouca idade, teve sangue-frio bastante para segurar uma alça do limpa-trilhos que lhe salvou a vida. Uma pequena multidão logo se aglomerou em volta do local e, enquanto uns foram buscar um macaco para levantar a locomotiva, outros entravam debaixo do vagão para suspender o tirante do freio que se apoiava sobre o peito da criança. Com muita dificuldade, ela foi retirada de debaixo da pesada máquina carregada de minério de ferro."

(do livro ROBERTO CARLOS EM DETALHES, de Paulo César Araújo)


HURTMOLD NA ÁREA


Hurtmold, que já tem 15 anos de estrada, nasceu em São Paulo depois do fim de uma banda chamada Pudding Lane. Os caras acabaram conhecendo Mário Cappi e Maurício Takara (que é outro destaque pra mais tarde) e começaram a fazer um som. Conseguiram uma notoriedade em SP circulando duas fitas cassetes durante 98 e o ano seguinte. Em 2000 sai o primeiro disco deles, Et Cetera, que é, também, uma paulera sonora. O disco tem traços fortes da influência de bandas como Sonic Youth e Fugazi, banda com a qual o baterista, Takara, já teve participações. Mas não espere baixar esse disco e ouvir dissonâncias e experimentalismos extremistas ao estilo de Thurston Moore e Kim Gordon, porque o Hurtmold é uma das bandas que tiveram um dos maiores amadurecimentos musicais.


Cozido é um dos trabalhos do Hurtmold que eu mais ouço. Ele é o marco do nascimento do som característico do grupo paulista, com uma levada menos punk e com experimentações que vibram pro lado de bandas como Tortoise, com toques da instrumentação de bandas do recém nascido post-rock, mas sem abdicar do tom brazuca que existe no som dos caras. É realmente um álbum de transição, passando de pauleras como "Mais Uma Vez Desanimou" para grooves controladíssimos como em "Kampala", que abre o disco. Apesar d'eu ter falado que Hurtmold se trata de uma banda instrumental, algumas músicas, neste e no primeiro disco (e algumas exceções espalhadas por outros álbuns) contem voz. Nesse disco, tudo é cantado em português, mas em outros Guilherme Granado também canta em inglês.



quarta-feira, 19 de novembro de 2008

CORPO VELADO: MIRIAM MAKEBA


A intérprete mantém em Johanesburgo, maior cidade da África do Sul e uma das mais violentas do mundo, o Makeba Center for Girls, que dá abrigo a meninas abandonadas nas ruas, vítimas de violência sexual, abusos, drogas e prostituição. Quando comenta sobre seus trabalhos sociais, fica mais claro o porquê de ser chamada de “mãe” pelos africanos: “ As mulheres são os pilares da nação. É preciso cuidar delas. Nós temos uma tendência a dizer: é culpa do governo, é responsabilidade do governo. Quem é o governo? Nos somos o governo. Ao inferno com o governo. Como indivíduos, nós devemos fazer algo, como sociedade civil”. E salienta: “Não sou política. Se a minha verdade se torna política, aleluia”.

Política ela realmente não é. Porém, é difícil não associar sua imagem à luta contra a segregação racial e exploração dos africanos. Makeba passou três décadas exilada por suas posições e declarações contra o apartheid (regime de discriminação mais cruel o qual se tem notícia. Nele, os negros não podiam ser proprietários de terras, não tinham direito de participação na política e eram obrigados a viver em zonas separadas das dos brancos. Vigorou na África do Sul de 1948 até 1990 e em menor escala nos EUA, durante as décadas de 40/50 e 60).

Outra passagem que deixa claro seu ativismo e mostra as conseqüências de suas opiniões foi seu casamento com Stokely Carmichael, líder dos Panteras Negras e criador da expressão “Black Power”. No dia em que Miriam fez o anúncio do noivado, o Sindicato das Estações de Rádio e Televisão dos EUA, deu uma declaração proibindo a apresentação ou a execução de suas músicas na época, em todos os Estados Unidos.


QUEM É MALLU MAGALHÃES?



"Eu tava vendo um filme de putaria, aí meu primo que é crente disse pra eu tirar o filme de putaria porque ele queria me mostrar uma menina que era cantora evangélica no computador... a gente entrou no youtube e ele me mostrou ela, aí eu gostei... nem assisti mais o filme de putaria aquele dia, assisti depois." (Cláudio Fonseca Barreto Júnior, 12 anos, estudante)

"Rapaz, eu tenho certeza que é um fenômeno da cosmopolitalização global que tanto afeta nossas novas gerações, se utilizando do artefato midiático e restritivo de difusão mono-cultural, que neste caso se absorve pela imposição linguística. O caso, decerto, é grave, pois não se abate sobre essas gerações o mínimo de conflito existencial, pois as armas de alienação de conduta social são um tanto atrativas, uma vez que é o contexto lúdico que se impregna, tornando inviável qualquer ação conjunta de rebeldia, imprescindivelmente, armada." (Roberval Camargo Duarte Brito, 48 anos, Historiador)





"Ah, eu adorei o som dela, bem melhor que Amy Winehouse, e o melhor é duas coisas nisso tudo: é brasileira e canta inglês muito bem e também não se droga. Amo Mallu, muito talentosa." (Karina Tavares Góes, 17 anos, estudante)

"Sei lá que desgraça é Mallu Magalhães... hahahahaha... num conheço não, véi, deve ser uma patricinha aí... ela canta é? É do programa do Raul Gil, né, não? Às vezes eu vejo lá, mas num gravo os nome, não. Tô por fora, na moral. Deixa quieto." (Edmilson Silva Santana de Jesus, 27 anos, desempregado)

DEUS ABENÇOE NOSSA SUBVERSÃO DE CADA DIA



Foi responsabilidade dos Rolling Stones a introdução da rebeldia como parte definitiva e importante da imagem das bandas de rock. Desde o início foram a antítese do rock bem comportado dos contemporâneos Beatles, deixando o amor juvenil em segundo plano e pregando abertamente o sexo como diversão ao invés de apenas sugerir isso a exemplo de astros americanos como Chuck Berry e Jerry Lee Lewis.



GAIARSA, O DESCOMPREENDIDO: "A sexualidade não é muito diferente de antes. A mãe continua não tendo xoxota e as crianças não podem ter xoxota nem pinto. A sexualidade natural de bicho saudável é castrada. Na adolescência, desenvolvemos uma sexualidade social. Tudo o que se aprende é com os similares. Se em casa ninguém tem pinto, na gangue, no grupo de adolescentes, todos só têm pinto. É impensável o desenvolvimento natural da sexualidade num esquema monogâmico, que é feito para baixar as necessidades sexuais. Se eu visse uma menina de 4 anos mexendo na xoxota eu daria uma piscada, um sorriso e diria: "é bom, né?" Talvez fosse chamado de pervertido. Mas não é à toa que todos os palavrões são anti-sexuais. Será que com todos esses palavrões a gente vai fazer bonito na cama? Globalmente, a mulher é mais amarrada do que o macho, porque quando jovem é vigiada pela mãe e, quando adulta, pelas amigas. Se a mulher sair com mais de um, logo é a piranha. E há muito mais masturbação que relações sexuais, além do que somos muito monótonos até nisso, não brincamos com as possibilidades. Uma mão com um pouco de criatividade pode fazer coisas incríveis."


Pescador foragido confessa que matou Luz del Fuego com cumplicidade do irmão
2 de agosto de 1967

Ao contrário do que disse à polícia anteontem, ao ser preso, o pescador Alfredo Teixeira Dias, foragido do Presídio-Geral do Estado do Rio, acabou confessando a autoria do assassinato de Luz del Fuego e do vigia Edgar, com a cumplicidade do irmão, Mozart Gaguinho. A confissão foi feita ontem, na delegacia de Vigilância e Capturas de Niterói.

O pescador, que está preso na Secretaria de Segurança Fluminense, declarou ao delegado Godofredo Ferreira da Silva Filho que ele e o irmão praticaram o crime na noite do último dia 19, entre as Ilhas do Sol e das Capuanas de Baixo. Revelaram que a vingança foi o motivo do assassinato, pois “há tempos Luz del Fuego nos denunciou”.


COMO FOI

Em seu novo depoimento, Alfredo Teixeira Dias revelou que no dia 19, por volta das 18 horas, partiu com o irmão para a Ilha do Sol, onde não puderam desembarcar porque os cães da ex-vedete logo notaram a presença de estranhos. Conseguiram, entretanto, com todo cuidado, cortar a corda que amarrava uma canoa de Luz del Fuego. Levaram-na até a Ilha das Capuanas, já planejando atrair a ex-vedete para uma armadilha.

Mozart Gaguinho gritou então, chamando Luz del Fuego, que logo apareceu, de calça, à beira do cais, com um revólver calibre 38 na mão e perguntando o que “havia”. Gaguinho respondeu que a sua canoa se afastara.

Disse Alfredo que Luz del Fuego não relutou em embarcar na canoa dos dois, a fim de recuperar a dela. Pouco depois, Mozart Gaguinho pediu que Luz del Fuego lhe entregasse a arma. Nesse momento, Alfredo deu uma pancada em sua cabeça, com um cacete. Em seguida, mais dois golpes fatais.

Deixaram o corpo na Ilha das Capuanas de Baixo e voltaram à Ilha do Sol, onde chamaram o vigia Edgar. Pediram que êle trouxesse uma corda e um remo, a fim de que a canoa de sua patroa fosse rebocada. Edgard, segundo disse Alfredo, não veio com os objetos solicitados, mas com uma foice. Hesitou um pouco, mas decidiu entrar no barco de Alfredo e Gaguinho, sentando-se entre os dois.


Ney Matogrosso disse assim: "Eu nunca contei essa história. Dois remadores grandes, dei um flagrante. Eu não conseguia dormir, tava muito calor e saí do alojamento. Era de madrugada. Vi dois homens largos, másculos, viris, não estou falando de veadinho, não. Um sentado e o outro de pé em cima, e abraçados. Quando olhei, vi muito mais do que estava ali, vi outra coisa. Vi que existia entre aqueles dois homens alguma coisa tão extraordinária que ultrapassava o fato de eles estarem abraçados. Existia – eu nunca tinha visto isso – amor. Você não sabe o que foi para mim, entortou a minha cabeça, fiquei desentendido, pensei: “Meu Deus, o que é isso?” Mas o amor existe entre homens e mulheres, homens e homens, mulheres e mulheres, mas existe, é um sentimento comum. Queira ou não queira, não adianta a Igreja, não adianta ninguém estrebuchar, existe. E eu vi isso acontecer, e não era sexo que estava acontecendo, era algo muito mais subversivo que sexo."



ARACY DE ALMEIDA LÁ LÁ RÁ LÁ RÁ LÁ RÁ...

Aracy de Almeida (Aracy Teles de Almeida)
19/8/1914 Rio de Janeiro, RJ - 20/6/1988 Rio de Janeiro, RJ

Juntamente com Marília Baptista é apontada como a melhor intérprete da obra de Noel Rosa. Nasceu e cresceu no Encantado, bairro do subúrbio do Rio de Janeiro. Seu pai, Baltasar Teles de Almeida, era chefe de trens da Central do Brasil. Ainda jovem, cantava no coro da igreja Batista da qual seu irmão Alcides era pastor. Menina pobre, desde os tempos de criança sonhava em ser cantora de rádio, o que acabou acontecendo a partir de seu encontro com o compositor Custódio Mesquita, para quem cantou "Bom dia, meu amor", de Joubert de Carvalho e Olegário Mariano. Durante essa década vai morar em São Paulo, onde reside por 12 anos (1950-1962). Foi casada com o goleiro de futebol Rei (José Fontana), que jogou no Vasco e no Bangu, entre as décadas de 1930 e 1940, mas o casamento durou pouco tempo. Cantava samba, mas era apreciadora de música clássica e se interessava por leituras de psicanálise, além de ter em sua casa quadros de importantes pintores brasileiros como Aldemir Martins e Di Cavalcanti. Os que conviviam com ela, na intimidade ou profissionalmente, a viam como uma mulher lida e esclarecida. Tratada por amigos pelo apelido de "Araca", dela Noel Rosa disse, em 1933, numa entrevista a Orestes Barbosa, para "A Hora": "Aracy de Almeida é, na minha opinião, a pessoa que interpreta com exatidão o que eu produzo".



Álbum bom: The Man Manchine [Kraftwerk]


Ano: 1978

A frieza das cidades em seu desenvolvimento desenfreado, das máquinas e robôs sem sentimentos próprios, a opressão e a falta de sensibilidade são os temas do álbum. Ralf Hutter, Wolfgang Flur, Karl Bartos e Florian Schneider estavam no auge da criatividade. Cada faixa de The Man Manchine é ao mesmo tempo um single em potencial, com vida e histórias próprias - mas também se completam, transformando o álbum numa deliciosa viagem.

As semelhanças com o filme Metropolis (1927) de Fritz Lang são grandes: em 2026, uma cidade vive sob o domínio de um tirano, e cujo rígido sistema de castas separa Pensadores dos Trabalhadores - estes, condenados a viver escravizados pelas máquinas que fazem a metropolis funcionar. O filho deste tirano, Freder, se revolta com a situação e vai viver com eles, se apaixonando pela jovem Maria, defensora dos direitos trabalhistas. Freder descobre que um cientista está criando um robô para substituir a mão de obra humana e faz com que ele tenha as feições de Maria, infiltrando-o na sociedade trabalhista, causando discórdia e destruição. A tecnologia, a arquitetura, a valorização da cultura e a importância do sentimento humano são forças importantes no filme, e são temas recorrentes no trabalho do Kraftwerk em todos estes anos.


terça-feira, 11 de novembro de 2008

PAUSA: JOÃO DONATO


Depois de 15 anos, você está concluindo um projeto que conseguiu amadurecer quando conheceu um teclado no estúdio do Ritchie. O que tem de especial nesse instrumento?
O negócio é que tenho admiração por Debussy e Ravel e músicas clássicas francesas. Comecei a estudar as partituras para orquestra com muita facilidade nesse teclado, que imita diversos instrumentos, e acabei fazendo umas experiências em casa.

Sampler?
É um tipo sampler: imita flauta, violino, piano. Transferi pro teclado toda a escrita que seria dedicada à uma orquestra sinfônica e acrescentei um ritmo ampliado. O resultado ficou muito bom. Pretendo lançar em disco essas experiências com Debussy e Ravel, com um pouquinho de música popular brasileira misturada à receita.Os demais instrumentos são tocados por uma banda?Não, tocados por uma orquestra!

E esse lance de ter um público fiel no Japão. Não é louco pra sua cabeça, que veio do Acre, ir tão longe?Não...Às vezes você não pára pra pensar nisso?
Já perguntei por que gostam tanto da música brasileira, e me falaram que traz alegria pra eles, os deixa contentes. É das qualidades que talvez eu tenha na minha música que admirem tanto e os fazem felizes.

Nas vezes que vai lá sente que rola um "frisson" japonês?
É, os japoneses são entusiastas e carinhosos, e demonstram isso publicamente com presentes e aplausos cada vez mais intensos. É surpreendente.

Na Rússia acontece a mesma coisa?
A mesma coisa. As apresentações foram melhorando com o tempo, e o público também melhorou. O público vai crescendo a cada temporada de shows.

Me fala um pouco sobre a tua rotina. Dá pra notar que seus horários são completamente distintos...
Gosto de trabalhar à noite e ficar estudando até cansar e dar sono, até enjoar. Principalmente as partituras de Debussy; esse é o feijão com arroz, o alimento diário. Estou tão influenciado por Debussy e Ravel que já acho que minha música tem uma parte deles na irrealidade que ela possa ter. Já vem com esse efeito. É como se fosse vírus, o negócio. Acho que peguei o vírus do Debussy e do Ravel.

Onde você pegou esse vírus?
Na minha música... Primeiro, de tanto gostar de ler e de comprar tudo quanto é livro de partitura deles, os arranjos das grandes orquestras. Com esse estudo, passei a saber tudo o que acontece dentro de uma orquestra.

Qual é a lembrança mais longínqua com a música?
Um nativo e sua canoa passando na beira do Rio Branco, alguém assobiando uma melodia (assobia "Lugar Comum")... Depois o Gilberto Gil botou letra. É a lembrança mais remota que tenho, a música que "passou pela minha infância". Devia ter 6 ou 7 anos. Na época fiz uma música para minha namorada, a Nininha. Eu tinha 7 anos, ela tinha 8.Foi aí que viu que música era seu negócio?Nem sabia! Apenas tinha mania de música, não sabia que viria a ser minha profissão. Profissão mesmo, só depois dos 18, quando fui reprovado pra ser piloto da aeronáutica, como meu pai. Tenho problema de daltonismo e disse pra mim mesmo: "Se não dá pra ser piloto, vou ser músico. Mas não foi decisão tomada...Foi a reprovação de um sonho que eu tinha de ser aviador.

Qual foi o primeiro instrumento que você tocou?
Acordeom, que eu ganhei de Papai Noel, ainda aqueles de papelão.