sábado, 5 de fevereiro de 2011

Uma banda para Leila: Fitz & The Tantrums.


Olhar para o passado é complicado. Ao mesmo tempo em que nos deparamos com sons incríveis e inspiradores, é muito difícil conseguir tirar deles inspiração na medida certa sem recorrer a anacronismos, nostalgia ou cópia pura e simples.

Reproduzir o passado por meio de uma nova visão é um desafio, e é isso que a onda de artistas neo-soul tenta fazer: resgatar diversos elementos do R&B, pop, jazz e black music em geral através de uma visão contemporânea. Mais do que isso, o importante é conseguir trazer o passado para o presente sem deixar de contribuir com ideias e sonoridades novas. Entre os artistas dedicados a esse som temos Mayer Hawthorne, Adele, Raphael Saadiq, os dinamarqueses do Quadron, os veteranos Cee-Lo Green e Sharon Jones & The Dap Kings e a problemática rainha mainstream Amy Winehouse.
Curiosamente, um dos grupos mais bem acabados de toda essa leva neo-soul é provavelmente um dos menos conhecidos: o sexteto norte-americano Fitz & the Tantrums. O som do grupo resgata sonoridades da Motown, Stax e Chess Records por meio de um instrumental poderoso, que conta com dois cantores, um organista, um saxofonista, um baterista e um baixista. Longe de ser um exagero, o instrumental pesado da banda traz a força necessária para que as melodias pop ganhem consistência e façam com que o som do grupo sempre pareça estar sendo feito ao vivo.
O Fitz & The Tantrums estreou com o bom EP Songs for a Breakup Vol.1, mas foi em seu primeiro álbum de estúdio, Pickin' Up The Pieces, que o som da banda ganhou consistência e mostrou que sabe equilibrar o passado com o presente. Em entrevista à Spinner, o grupo definiu seu som como "Motown and soul-influenced indie pop", deixando bem claro que a intenção do Fitz & The Tantrums é não ficar preso a rótulos e tentar misturar estilos tão diferentes quanto pop, indie-rock e soul. Ao menos em seu primeiro álbum, o grupo conseguiu.

Se em estúdio algumas melodias da banda parecem repetitivas (e de fato são), o problema parece desaparecer ao vivo, com as canções tomando outros rumos. A ausência de uma guitarra, aliás, faz com que os vocais e as melodias sejam mais agressivos, como se tentassem substituir e suplantar a força do instrumento. E funciona.

Jornal Apocalipse Now: “Cientistas afirmam que mulheres gostam de homens ricos”

O que pode parecer um absurdo, um acicate às mulheres (e muito pior para os homens), tem fundamento científico agora, pois um grupo de pesquisadores britânicos da Universidade de Newcastle determinou que homens considerados ricos por suas parceiras proporcionam mais prazer às mulheres durante relações sexuais.

De acordo com a
BBC Brasil, a pesquisa revelou que a percepção da mulher do nível de riqueza do parceiro influencia sua capacidade de chegar ao orgasmo, e o prazer seria maior em relações mantidas com homens de maior renda. Em suma, quanto mais rico for o sujeito, maior a tendência a ter um orgasmo múltiplo. Não sei se isso é verdade, mas que mulher adora um presente caro, jóias e perfumes (a expressão delas quando ganham um “presentinho” desses é bem semelhante a um orgasmo), isso é incontestável. As feministas devem falar que não, que elas estão mais preocupadas com o caráter do cara. É tudo uma questão de fé.

Agora, isso tem uma certa explicação: Isso é culpa de Darwin (como sempre).

Os autores da pesquisa acreditam que esse resultado seja condicionado por uma “adaptação evolucionária” que faria com que as mulheres instintivamente selecionassem seus parceiros de acordo com a sua percepção de qualidade. Isso significa dizer que elas escolhem aquele que, em síntese, teria condições de prover sustento melhor aos filhos (se bem que os diamantes sempre foram considerados os melhores amigos das mulheres, e pra amigo devemos o melhor tratamento).

Thomas Pollet e Daniel Nettles usaram informações de uma pesquisa chinesa (não riam, por favor) que contém a maior base de dados já coletada sobre estilo de vida, saúde e família e o motivo vocês devem imaginar qual é. Segundo tal pesquisa, as informações pessoais e detalhes sobre a vida sexual de mais de 5 mil pessoas em várias partes da China, baseadas em entrevistas e questionários ilustram a proposição, mas eu fico imaginando o quanto deve-se levar em conta, considerando um país com quase doi BILHÕES de pessoas.

Dentre as 1.534 mulheres com maridos ou namorados que responderam à pesquisa, 121 delas disseram sempre ter orgasmos durante suas relações sexuais, 408 disseram ter orgasmos com freqüência, 762 tinham orgasmos “às vezes” e 243 raramente tinham orgasmos. Esses resultados seguiriam um padrão semelhante ao verificado em países ocidentais, segundo os autores do estudo.

Entre os fatores identificados como influências na freqüência dos orgasmos relatada pelas mulheres, a riqueza do parceiro foi o mais determinante, segundo os pesquisadores.

“O resultado da pesquisa parece consistente com a idéia de que o orgasmo feminino evoluiu a partir de uma função evolutiva”, afirma o psicólogo Thomas Pollet, um dos autores do estudo, publicado na revista especializada Evolution and Human Behaviour (resumo
AQUI).

“O orgasmo serve para selecionar entre os machos com base em sua qualidade. Assim, deve ser mais freqüente nas fêmeas unidas a machos de alta qualidade. Parceiros mais desejáveis levam as mulheres a ter mais orgasmos”, afirma Pollet. Segundo Pollet, a influência do nível de renda sobre a freqüência de orgasmos parece ser ainda maior que outros fatores, como simetria corporal ou atratividade, apontados em estudos anteriores, isto é, você pode ter cara torta, feio, chato, falar besteiras, rude etc. Mas, se tiver um American Express, o mundo está em suas mãos.
Fonte: http://ceticismo.net


Da Rainha do Mar.



YEMANJÁ é considerada mãe de todos os demais ORIXÁS OGUM, XANGÔ, OBÁ, OXOSSI e OXUM que nasceram de caso ilícito que teve com IFÁ. NANÃ como vimos, é mãe de OMULU e OXUMARÉ. YEMANJÁ, por sua vez, filha de OLODKUN, ORIXÁ masculino em BENIN, ou feminino em IFÉ, sempre do mar. No Brasil, é muito venerada, e seu culto tornou-se quase independente do CANDOMBLÉ. É representada como uma sereia de longos cabelos pretos.

Rege a maternidade, e é a mãe dos peixes que representam fecundidade. Seu dia à sábado. Nas grandes "obrigações", são oferecidos cabra branca, pata ou galinha branca.

Gosta muito de flores e é costume oferecer-lhe sete rosas brancas abertas, que são jogadas ao mar para agradecimento.

Sua cor é a branca com azul. Usa um ADÉ com franjas de miçangas que esconde o rosto. Leva na mão o BÉBÊ - leque ritual de metal prateado de forma circular, com uma sereia recortada no centro.

0 tipo psicológico dos filhos de YEMANJÁ é imponente, majestoso e belo, calmo, sensual, fecundo e cheio de dignidade e dotado de irresistível fascínio (o canto da sereia).

As filhas de YEMANJÁ são boas donas de casa, educadoras pródigas e generosas, criando até os filhos de outros (OMULU).

À deusa das águas recorrem as mulheres que não conseguem engravidar.

Porque é Iemanjá quem controla a fertilidade, simbolizada em seu corpo robusto, forte, em seus seios volumosos e na aparência sensual.

Qualidades, aliás, de todas as suas filhas, que se revelam excelentes como donas de casa, educadoras e mães. Não perdoam facilmente, quando ofendidas.

São possessivas e muito ciumentas. Embora se mostrem tranquilas a maioria do tempo, podem se tornar verdadeiras feras quando perdem a paciência.

Mais do que isso, não perdoam ofensas com facilidade. Intrometem-se tanto na vida dos familiares que chegam a sufocar.

Mas a intenção é sempre das melhores.

YEMANJÁ, por presidir a formação da individualidade, que como sabemos está na cabeça, está presente em todos os rituais, especialmente o BORI.

Passei toda a noite, Fernando Pessoa.

Passei toda a noite, sem dormir, vendo, sem espaço, a figura dela,
E vendo-a sempre de maneiras diferentes do que a encontro a ela.
Faço pensamentos com a recordação do que ela é quando me fala,
E em cada pensamento ela varia de acordo com a sua semelhança.
Amar é pensar.
E eu quase que me esqueço de sentir só de pensar nela.
Não sei bem o que quero, mesmo dela, e eu não penso senão nela.
Tenho uma grande distração animada.
Quando desejo encontrá-la
Quase que prefiro não a encontrar,
Para não ter que a deixar depois.
Não sei bem o que quero, nem quero saber o que quero.
Quero só Pensar nela.
Não peço nada a ninguém, nem a ela, senão pensar.



Fórum Coletivo: Vale a pena dar a bunda para manter o relacionamento?

"Infelizmente minha vida nos últimos tempos virou um grande motivo de chacota por parte de familiares, amigos e até gente que não me conhece. Desde a época da faculdade meu apelido era Kibe, por razões que agora não importam. Estudei artes plásticas na USP convivendo com um pessoal mais alternativo. Foi numa dessas que conheci e namorei uma menina que acabou com a minha vida. Ela veio com a idéia de usar um strap on, ou a famosa cinta-pica. Achei que era prafrentex demais e resolvi desconversar. O relacionamento entrou em crise e dar o cu para salvar o namoro me pareceu uma boa opção. Prefiro não dar muitos detalhes da transa, mas só te digo que foi meio desconfortável. Mas, pior ainda, foi ela me dando um pé na bunda dias depois!!!!

Fiquei mal, deprimido, arrasado. Você deve saber o quanto dói um fora de alguém que você ama. Imagine isso elevado a potência de ter topado dar para sua ex. Precisava de um apoio e resolvi ligar para meu melhor amigo e contar a história, pedindo sigilo. Resultado: a partir desse dia ganhei um novo apelido. KLB - Kibe Levou Borracha. Urso, o que eu faço para reverter isso? Estou realmente desesperado e não sei mais o que fazer. Sinto que preciso de uma nova vida."

KLB, 25 anos, São Paulo-SP.


Mandem suas sugestões, palavras de consolo, respostas conclusivas através dos Comentários abaixo.

Aula do Dia: Mr. Catra.

O filho é a benção, a mãe é a maldição!

Eu não sou um cara ciumento, te falar: ciúme é um sentimento feminino, tá ligado? Ou quem sente ciúmes é mulher ou aquela pessoa que tem um grau a mais de feminilidade!

Machista é você botar a mulher pra trabalhar, você querer que sua mulher seje independente, rapá, isso que é ser machista, rapá!

Eu sou adepto a putaria até hoje, porque putaria nada mais é que sexo com alegria, putaria é quase amor !

As mulheres nunca pararam pra pensar que na idade média se ela fosse mulher bonita e gostosa ela ia pra fogueira!



Pomba Enamorada ou Uma história de amor, Lygia Fagundes Telles.



Encontrou-o pela primeira vez quando foi coroada princesa no Baile da Primavera e assim que o coração deu aquele tranco e o olho ficou cheio d'água pensou: acho que vou amar ele pra sempre. Ao ser tirada teve uma tontura, enxugou depressa as mãos molhadas de suor no corpete do vestido (fingindo que alisava alguma prega) e de pernas bambas abriu-lhe os braços e o sorriso. Sorriso meio de lado, para esconder a falha do canino esquerdo que prometeu a si mesma arrumar no dentista do Rôni, o Doutor Élcio, isso se subisse de ajudante para cabeleireira. Ele disse apenas meia dúzia de palavras, tais como, Você é que devia ser a rainha porque a rainha é uma bela bosta, com o perdão da palavra. Ao que ela respondeu que o namorado da rainha tinha comprado todos os votos, infelizmente não tinha namorado e mesmo que tivesse não ia adiantar nada porque só conseguia coisas a custo de muito sacrifício, era do signo de Capricórnio e os desse signo têm que lutar o dobro pra vencer. Não acredito nessas babaquices, ele disse, e pediu licença pra fumar lá fora, já estavam dançando o bis da Valsa dos miosótis e estava quente pra danar. Ela deu a licença. Antes não desse, diria depois à rainha enquanto voltavam pra casa. Isso porque depois dessa licença não conseguiu mais botar os olhos nele, embora o procurasse por todo o salão e com tal empenho que o diretor do clube veio lhe perguntar o que tinha perdido. Meu namorado, ela disse rindo, quando ficava nervosa, ria sem motivo. Mas o Antenor é seu namorado? estranhou o diretor apertando-a com força enquanto dançavam Nosotros. É que ele saiu logo depois da valsa, todo atracado com uma escurinha de frente única, informou com ar distraído. Um cara legal mas que não esquentava o rabo em nenhum emprego, no começo do ano era motorista de ônibus, mês passado era borracheiro numa oficina da Praça Marechal Deodoro mas agora estava numa loja de acessórios na Guaianazes, quase esquina da General Osório, não sabia o número mas era fácil de achar. Não foi fácil assim ela pensou quando o encontrou no fundo da oficina, polindo uma peça. Não a reconheceu, em que podia servi-la? Ela começou a rir, Mas eu sou a princesa do São Paulo Chique, lembra? Ele lembrou enquanto sacudia a cabeça impressionado. Mas ninguém tem este endereço, porra, como é que você conseguiu? E levou-a até a porta: tinha um monte assim de serviço, andava sem tempo pra se coçar mas agradecia a visita, deixasse o telefone, tinha aí um lápis? Não fazia mal, guardava qualquer número, numa hora dessas dava uma ligada, tá? Não deu. Ela foi à Igreja dos Enforcados, acendeu sete velas para as almas mais aflitas e começou a Novena Milagrosa em louvor de Santo Antônio, isso depois de telefonar várias vezes só pra ouvir a voz dele. No primeiro sábado em que o horóscopo anunciou um dia maravilhoso para os nativos de Capricórnio, aproveitando a ausência da dona do salão de beleza que saíra para pentear uma noiva, telefonou de novo e dessa vez falou, mas tão baixinho que ele precisou gritar, Fala mais alto, merda, não estou escutando seu braço, as lágrimas se confundindo com a chuva. Na Conselheiro Crispiniano, se não estava enganada, tinha em cartaz um filme muito interessante, ele não gostaria de esperar a chuva passar num cinema? Nesse momento ele enfiou o pé até o tornozelo numa poça funda, duas vezes repetiu, essa filha-da-puta de chuva e empurrou-a para o ônibus estourando de gente e fumaça. Antes, falou bem dentro do seu ouvido que não o perseguisse mais porque já não estava agüentando, agradecia a camisa, o chaveirinho, os ovos de Páscoa e a caixa de lenços mas não queria namorar com ela porque estava namorando com outra, Me tire da cabeça, pelo amor de Deus, PELO AMOR DE DEUS! Na próxima esquina, ela desceu do ônibus, tomou condução no outro lado da rua, foi até a Igreja dos Enforcados, acendeu mais treze velas e quando chegou em casa pegou o Santo Antônio de gesso, tirou o filhinho dele, escondeu-o na gaveta da cômoda e avisou que enquanto Antenor não a procurasse não o soltava nem lhe devolvia o menino. Dormiu banhada em lágrimas, a meia de lã enrolada no pescoço por causa da dor de garganta, o retratinho de Antenor, três por quatro (que roubou da sua ficha de sócio do São Paulo Chique), com um galhinho de arruda, debaixo do travesseiro. No dia do Baile das Hortênsias, comprou um ingresso para cavalheiro, gratificou o bilheteiro que fazia ponto na Guaianazes pra que levasse o ingresso na oficina e pediu à dona do salão que lhe fizesse o penteado da Catherine Deneuve que foi capa do último número de Vidas Secretas. Passou a noite olhando para a porta de entrada do baile. Na tarde seguinte comprou o disco Ave-Maria dos namorados na liquidação, escreveu no postal a frase que Lucinha diz ao Mário na cena da estação, 'Te amo hoje mais do que ontem e menos do que amanhã, assinou P. E. e depois de emprestar dinheiro do Rôni foi deixar na encruzilhada perto da casa de Alzira o que o Pai Fuzô tinha lhe pedido há duas semanas pra se alegrar e cumprir os destinos: uma garrafa de champanhe e um pacote de cigarro Minister. Se ela quisesse um trabalho mais forte, podia pedir, Alzira ofereceu. Um exemplo? Se cosesse a boca de um sapo, o cara começaria a secar, secar e só parava o definhamento no dia em que a procurasse, era tiro e queda. Só de pensar em fazer uma ruindade dessas ela caiu em depressão, imagine, como é que podia desejar uma coisa assim horrível pro homem que amava tanto? A preta respeitou sua vontade mas lhe recomendou usar alho virgem na bolsa, na porta do quarto e reservar um dente pra enfiar lá dentro. Lá dentro?, ela se espantou, e ficou ouvindo outras simpatias só por ouvir, porque essas eram impossíveis para uma moça virgem: como ia pegar um pêlo das injúrias dele pra enlear com o seu e enterrar os dois assim enleados em terra de cemitério? No último dia do ano, numa folga que mal deu pra mastigar um sanduíche, Rôni chamou-a de lado, fez um agrado em seus cabelos (Mas que macios, meu bem, foi o banho de óleo, foi?) e depois de lhe tirar da mão a xícara de café contou que Antenor estava de casamento marcado para os primeiros dias de janeiro. Desmaiou ali mesmo, em cima da freguesa que estava no secador. Quando chegou em casa, a vizinha portuguesa lhe fez uma gemada (A menina está que é só osso!) e lhe ensinou um feitiço infalível, por acaso não tinha um retrato do animal? Pois colasse o retrato dele num coração de feltro vermelho e quando desse meio-dia tinha que cravar três vezes a ponta de uma tesoura de aço no peito do ingrato e dizer fulano, fulano, como se chamava ele, Antenor? Pois, na hora dos pontaços, devia dizer com toda fé, Antenor, Antenor, Antenor, não vais comer nem dormir nem descansar enquanto não vieres me falar! Levou ainda um pratinho de doces pra São Cosme e São Damião, deixou o pratinho no mais florido dos jardins que encontrou pelo caminho (tarefa dificílima porque os jardins públicos não tinham flores e os particulares eram fechados com a guarda de cachorros) e foi vê-lo de longe na saída da oficina. Não pôde vê-lo porque (soube através de Gilvan, um chofer de praça muito bonzinho, amigo de Antenor) nessa tarde ele se casava com uma despedida íntima depois do religioso, no São Paulo Chique. Dessa vez não chorou: foi ao crediário Mappin, comprou um licoreiro, escreveu um cartão desejando-lhe todas as felicidades do mundo, pediu ao Gilvan que levasse o presente, escreveu no papel de seda do pacote um P. E. bem grande (tinha esquecido de assinar o cartão) e quando chegou em casa bebeu soda cáustica. Saiu do hospital cinco quilos mais magra, amparada por Gilvan de um lado e por Rôni do outro, o táxi de Gilvan cheio de lembrancinhas que o pessoal do salão lhe mandou. Passou, ela disse a Gilvan num fio de voz. Nem penso mais nele, acrescentou, mas prestou bem atenção em Rôni quando ele contou que agora aquele vira-folha era manobrista de um estacionamento da Vila Pompéia, parece que ficava na rua Tito. Escreveu-lhe um bilhete contando que quase tinha morrido mas se arrependia do gesto tresloucado que lhe causara uma queimadura no queixo e outra na perna, que ia se casar com Gilvan que tinha sido muito bom no tempo em que esteve internada e que a perdoasse por tudo o que aconteceu. Seria melhor que ela tivesse morrido porque assim parava de encher o saco, Antenor teria dito quando recebeu o bilhete que picou em mil pedaços, isso diante de um conhecido do Rôni que espalhou a notícia na festa de São João do São Paulo Chique. Gilvan, Gilvan, você foi a minha salvação, ela soluçou na noite de núpcias enquanto fechava os olhos para se lembrar melhor daquela noite em que apertou o braço de Antenor debaixo do guarda-chuva. Quando engravidou, mandou-lhe um postal com uma vista do Cristo Redentor (ele morava agora em Piracicaba com a mulher e as gêmeas) comunicando-lhe o quanto estava feliz numa casa modesta mas limpa, com sua televisão a cores, seu canário e seu cachorrinho chamado Perereca. Assinou por puro hábito porque logo em seguida riscou a assinatura, mas levemente, deixando sob a tênue rede de risquinhos a Pomba Enamorada e um coração flechado. No dia em que Gilvanzinho fez três anos, de lenço na boca (estava enjoando por demais nessa segunda gravidez) escreveu-lhe uma carta desejando-lhe todas as venturas do mundo como chofer de uma empresa de ônibus da linha Piracicaba-São Pedro. Na carta, colou um amor-perfeito seco. No noivado da sua caçula Maria Aparecida, só por brincadeira, pediu que uma cigana muito famosa no bairro deitasse as cartas e lesse seu futuro. A mulher embaralhou as cartas encardidas, espalhou tudo na mesa e avisou que se ela fosse no próximo domingo à estação rodoviária veria chegar um homem que iria mudar por completo sua vida, Olha ali, o Rei de Paus com a Dama de Copas do lado esquerdo. Ele devia chegar num ônibus amarelo e vermelho, podia ver até como era, os cabelos grisalhos, costeleta. O nome começava por A, olha aqui o Ás de Espadas com a primeira letra do seu nome. Ela riu seu risinho torto (a falha do dente já preenchida, mas ficou o jeito) e disse que tudo isso era passado, que já estava ficando velha demais pra pensar nessas bobagens mas no domingo marcado deixou a neta com a comadre, vestiu o vestido azul-turquesa das bodas de prata, deu uma espiada no horóscopo do dia (não podia ser melhor) e foi.

Conheça: Kutiman.

A década de 2010 começou em fevereiro de 2009. Foi quando o músico e produtor israelense Kutiman lançou “Thru You”, um experimento colaborativo único: sete obras (ou mashups, como queiram) audiovisuais criadas a partir da recombinação de mais de 100 vídeos postados no YouTube por músicos amadores.

Durante dois meses, tempo que “Thru You” levou para ser concluído, Kutiman, nascido Ophir Kutie, deu olhos e ouvidos a tudo o que explodiu na sua frente durante sua expedição pelos novos sons no YouTube. Cada instrumento, nota, canto, ruído, imagem, nada relacionado entre si.

Como músico, produtor (remixólogo, no caso), ou como um jazzista a improvisar numa jam criando novas frases a partir de outras criadas pelos outros músicos da pajelança musical, Kutiman remixou e integrou as partes em sete composições autorais.
Com êxito de fazer corar os detratores da cultura do remix, Kutiman fez valer sua assinatura musical baseada nas escolas do funk, dub, soul e afrobeat. O que acrescenta valor diferencial ao seu experimento.

Ouve-se nas músicas do “Thru You” o mesmo enfoque dado por Kutiman às músicas do seu ótimo disco homônimo lançado em 2008 (Top 5 Impop na votação do Scream And Yell de 2008). Uma música orientada pelos grooves, das camadas rítmicas às harmônicas de todos os instrumentos e tratamentos eletrônico-digitais.

Nada produzido esse ano foi tão criativo. Nada foi tão integrado às conquistas e (r)evoluções que ocorreram nessa década. Está tudo aí: conteúdo colaborativo, compartilhamento de informação, creative commons, o mais transparente, luminoso e inspirador exemplo do que acontece quando o artista, artesão, produtor detém as ferramentas de produção. Uma revolução idealizada por Marx, DJ Shadow, JDilla, entre tantos outros pensadores e artistas ideólogos da liberdade.

“Thru You” é um álbum-mashup virtual, maiúscula obra artístico-cultural contemporânea, baseado no caos das experiências mundanas. Peça legítima de cultura livre, cercada de todas as questões imagináveis da era digital e de seus paradoxos. Autoral, orgânica, original. Música social: elogio e apologia à diversidade.

“Thru You” foi o álbum do ano, assinado por mais de 100 autores e regido por Kutiman, um maestro da contemporaneidade.

PEÇA QUE A GENTE PASSA: Ari Borger Quartet

Eu quero ouvir qualquer música do jazz-blues Ari Borger Quartet. Um som maneiro que tá rolando aí, é muito foda, os caras são virtuosíssimos, e conseguem uma sonoridade excitante, sem cair numa nostalgia ou mera imitação dos grandes ícones dos bons gêneros musicais. Aumenta o som, q é muito bacana mesmo. Valeu, Cazzo!

(Aloísio Martins, 28 anos, Odontólogo)



Decodificando A Obstipação Intestinal.

COMO FUNCIONA A DIGESTÃO?

O trato digestivo é um tubo contínuo que desmancha os alimentos até as suas formas elementares para que estas possam ser absorvidos sob a forma de nutrientes. Uma vez que o alimento chega ao estômago, inicia-se a mistura com o ácido produzido ali, o qual reduz o alimento a pequenas partículas . O estômago funciona como uma espécie de liquidificador. Só após ficarem de um determinado tamanho é que as partículas do alimento podem passar para o intestino delgado. Nele, o alimento vai sofrer mais um processo de quebra sob efeito dos sucos digestivos produzidos principalmente pelo fígado (bile) e pâncreas (suco pancreático). Durante a passagem do alimento através do intestino delgado, que tem aproximadamente 6 metros de comprimento, lentamente vai acontecendo a absorção dos nutrientes elementares. Ao atingir o início do intestino grosso, todos os nutrientes já foram absorvidos e o que sobra são resíduos (restos) de alimentos e água em grande quantidade. A função básica do intestino grosso (colon) é absorver toda a água e eliminar os resíduos através do seu produto final: as fezes.

COMO É UM RITMO INTESTINAL NORMAL?

Há uma grande variação dentro da normalidade para o ritmo intestinal que pode ser de 3 vezes ao dia a 3 vezes na semana. Qualquer ritmo entre estas variáveis pode ser considerado normal.

O QUE É OBSTIPAÇÃO?

O termo obstipação se refere a condição que o ritmo intestinal é irregular e a consistência das fezes é geralmente endurecida e ressecada. Isto resulta da absorção excessiva de água das fezes devido a passagem lenta das fezes pelo intestino grosso. Fazendo um pequeno questionário pessoal poderá saber se está com obstipação.

Houve qualquer mudança na sua alimentação , hábitos de exercício, rotina diária ou nível de estress? Qualquer mudança ou alteração da rotina normal pode resultar em modificações do hábito intestinal.

Que medicações está fazendo uso? Certas medicações com ferro, analgésicos, drogas anti-hipertensivas e uma variedade grande de drogas pode levar a obstipação.

Há outros sintomas associados? Pessoas com obstipação geralmente sentem a barriga estufada ou inchada. Pode apresentar desconforto retal ou pressão no reto.

QUANDO DEVO PROCURAR UM MÉDICO?

Qualquer alteração do seu hábito intestinal (ritmo) merece a atenção de um profissional. Sintomas associados como perda de peso, dor abdominal acentuada ou sangramento podem indicar doenças associadas e merecem especial atenção. Outras doenças sistêmicas podem estar associadas a obstipação como diabetes ou doenças da tireóide.

QUE TIPO DE EXAMES DEVO FAZER?

Seu médico deverá fazer algumas perguntas para avaliar a necessidade de determinados exames . Exames de RX do intestino chamado enema opaco ou endoscopia às vezes se faz necessário. A endoscopia é um método mais direto , pois é visualizada a superfície do intestino parcialmente através da retossigmoidoscopia ou todo o intestino grosso através da colonoscopia.

COMO DEVO RESOLVER MEU PROBLEMA?

Três recomendações básicas :

1 - INGERIR BASTANTE LÍQUIDOS (6-8 COPOS /DIA)

2 - EXERCÍCIO FÍSICO (ATIVIDADE FÍSICA)

3 - DIETA RICA EM FIBRAS.

NÃO MELHORANDO PROCURE SEU MÉDICO.

ATENÇÃO NÃO FAÇA USO DE LAXANTES SEM ORIENTAÇÃO DO SEU MÉDICO.