sábado, 9 de outubro de 2010

O Destino de Miguel está no Cu!



Alguns estudiosos afirmam que há cinco mil anos a prática do sexo anal era natural na Mesopotâmia, inclusive fazia parte dos cultos religiosos dos Assírios. Registros mostram, também, que na Antiguidade, alguns casais usavam o sexo anal como método anticoncepcional. Na Roma antiga, na noite de núpcias, os homens se abstinham de tirar a virgindade da noiva em consideração à sua timidez, entretanto, praticavam sexo anal com ela.

Na Grécia Antiga não existia os termos 'homossexual' e 'heterossexual', bem como não havia um identidade sexual como há hoje. Um homem poderia ter relações sexuais com homens e mulheres, tudo dependia da beleza.
Os jovens masculinos despertavam mais desejos nos homens mais velhos, pois a virilidade e o rigor do corpo jovem eram qualidades que iriam defini-lo mais tarde, ao tornar-se homem, como um excelente guerreiro.
E os jovens viam nos mais velhos o conhecimento, a experiência, e a partir daí existia o ato sexual, no qual o mais sábio, ensinava, dominava o mais jovem, sendo então este o passivo. A passividade era ridicularizada, mas somente por denotar inexperiência, e por acreditarem também que mostrava que o indivíduo era intelectualmente inferior ao ativo, o dominador do ato, aquele que sodomizava. Apesar do coito anal existir aqui, os gregos também praticavam a cópula intercrustal, traduzida para o termo 'entre-coxas', em que o 'ativo' colocava o pênis entre as coxas do 'passivo', próximo aos seus testículos, não havendo penetração anal.
Outra prática comum entre os homens era a masturbação mútua. Porém, em algumas civilizações o coito anal era considerado crime. Na França, antes da revolução, essa prática era passível de condenação à morte na guilhotina e na Inglaterra, no século 17, era considerada crime contra a natureza, com penas de morte e prisão perpétua. Para o Cristianismo, e outras religiões, a sodomia era pecado grave, devendo ser pago com a vida. A Inquisição Católica, em vários países, levou muitos homens às forcas e fogueiras por este crime religioso, conhecido como a 'sodomia perfeita' (cópula anal homossexual com ejaculação interna), sendo este o único 'crime' que chegava a tal ponto, os demais crimes religiosos geravam castigos ou torturas, a prática do sexo anal heterossexual também era considerado crime religioso, mas acarretava castigos ou torturas.
Alguns documentos mostram, também, que a relação anal era comum na África, tanto com mulheres e homens, e que alguns negros escravizados foram escolhidos por colonizadores com intuito sexual anal. Os senhores que fossem denunciados, descobertos, em tal prática era julgado, chegando a ser condenado a morte ou não, dependia do tribunal católico e seus interesses. Na Rússia, muitos homens também foram presos por terem cometido o crime da sodomia.

A anatomia da região anal mostra no ânus dois esfíncteres musculares em forma de anel que circundam o canal anal e que funcionam de forma independente, onde o esfíncter externo é voluntário - você tem controle dele - e o interno é involuntário - você não tem controle de sua contração, por isso é importante existir um preliminar antes da penetração.

Médicos afirmam que o ânus é rico em terminações nervosas e que é possível sim sentir prazer no coito anal, e que o psíquico contribui muito para o orgasmo através do ato também.

Nos homens, a canal anal conta com a próstata para intensificar o prazer. Que é conhecido também como Ponto G Masculino.

Profetas e Oráculos, Paulo Ghiraldelli Jr.

Oráculos lidam com a verdade de um modo diferente daquele dos profetas. Profecia é uma coisa, a verdade do oráculo é outra. Os profetas explicitam uma verdade que será apontada. Ao ouvinte, cabe não interpretação, mas reconhecimento da verdade quando ela acontecer. Pode-se anunciar a vinda de um salvador e, então, aguardar o momento de reconhecer ou não o salvador quando ele surgir. O oráculo não produz algo para ser reconhecido, mas interpretado. Ele diz uma verdade que permite interpretação e, mais que isso, alteração pelos que ficam sabendo da verdade, que podem então tentar controlar o destino.

Os que escutam o profeta sabem que o que ele disse ocorrerá. As disputas se dão na forma do reconhecimento. Uns podem reconhecer em um determinado evento ou pessoa o que foi profetizado e outros podem não reconhecer e, então, fazem nascer a disputa sobre a profecia. É isso que difere cristãos de judeus. A profecia sobre a vinda de um Messias é a questão. Cristãos apontam Jesus. Judeus não reconhecem Jesus como o Messias.

Os que acompanham o Oráculo sabem que o que ele disse precisa ser interpretado corretamente. Tratando-se de uma desgraça, eles tentarão evitar, mas se for algo bom buscarão tirar de cena os empecilhos. Todavia, a fala oracular, por mais simples que seja, pode ser um tipo de xarada que implica na interpretação correta. Em geral, nas histórias de oráculos, o que é dito ocorre, mas de um modo que não se esperava. Aliás, nunca se sabe se realmente ocorre, pois depois de determinado desfecho, pode-se interpretar o que ocorreu como sendo aquilo que aconteceu o real aviso oracular. É isso que se passa com Sócrates.

Sócrates escuta o recado do Oráculo dizendo que ele é sábio e, então, parte para refutá-lo, procurando outros mais sábios do que ele. Ao final, ele interpreta que aquilo que o oráculo queria dizer não era o que ele concluiu inicialmente. Inicialmente ele interpreta que ele não sabia, mas, ao menos, sabia que não sabia, enquanto que os outros acreditavam saber muitas coisas que não sabiam. Mas, já bem mais velho, Sócrates diz que a interpretação correta era a de ter filosofado como filosofou, fazendo a cidade inteira se questionar e, assim, sendo a Mosca de Atenas, ter trabalhado no sentido de conter o orgulho excessivo dos cidadãos. Ele interpreta, ao final da vida, que era isso que o Oráculo de Delfos queria dele. Assim, o que o oráculo disse se realizou, foi uma verdade, mas não do modo que Sócrates inicialmente pensou. O oráculo firmou a verdade de Sócrates como o mais sábio ao final, quando ele viu que suas perguntas não tinham resposta, mas que ser sábio não era respondê-las e, sim, fazer as indagações. Por isso, para Sócrates, ao final da vida, a frase com a qual ele fica é “uma vida não examinada não vale a pena ser vivida”. Quem pensa assim, então, é sábio.

A verdade da profecia coloca o povo que dela participa, ouvindo o profeta, na arte de um trabalho intelectual que é o reconhecimento. A verdade oracular coloca os que dela participam na arte da interpretação, um trabalho que, não raro, antes fabrica a verdade – posta na interpretação final – que a descobre. Nos dois casos, o trabalho não é exclusivamente cognitivo. A verdade do profeta é encontrada por reconhecimento, mas como reconhecer algo que nunca foi visto antes? Há uma margem de erro, portanto, nessa atividade. A verdade do oráculo é interpretada, mas não em uma atividade hermenêutica, e sim por meio da própria prática de lidar com o que o oráculo falou, ou seja, tentando refutá-lo ou então tentando evitar que ocorra ou tentando fazer com que ocorra.

No limite, a verdade da profecia é uma verdade encontrada e a verdade do oráculo é uma verdade fabricada. Ultrapassada a fase de profecias e oráculos, quando se instaura a filosofia, todo o passado retorna então crivado pela razão. Instaura-se a discussão sobre se a verdade é descoberta ou fabricada. Mas, nesse caso, sobre outras bases. Começa-se a usar a lógica, o discurso consistente. Termina a proto-história da verdade. Inicia-se a história da verdade.


Lennon rindo, Paulo Leminski [trecho]


A Spaniard In The Works, publicado em 1965, estranhas miscelâneas de textos de natureza vária,flash-contos, esboços de peças, poemasnonsense, acompanhados de desenhos, todos marcados por extrema criatividade de linguagem, conduzida ao absurdo por um humor sarcástico e cínico.

Quando os escreveu, John estava à frente de uma banda inglesa derock, os Quarrymen, agora The Beatles, trocadilho que ele inventou, montandobeetles, “besouros”, em inglês, combeat, “batida de percussão”, e, certamente, beat generation, beatniks.

Nesse momento, Lennon recebia, direta e pessoalmente, o impacto da criatividade de Bob Dylan, músico, escritor e desenhista como ele.

Com Dylan, um judeu novayorquino muito mais sofisticado intelectualmente que ele, John aprendeu isso e as coisas, “ouvindo Dylan, descobri que letra de música não precisa ser papo furado”, confessou o beatle que, no princípio, assinava letras que diziam apenas “I Want To Hold Your Hand” ou “She Loves You”.

Estava a caminho, e no bom caminho, o poeta que ia fazer, a seguir, a maior parte das letras e versos dos LPs Rubber Soul, Revolver, Abbey Road, e, sobretudo de Sergeant Pepper’s Lonely Hearts Club Band. E, daí, partiria para o vôo solitário de Imagine, Mind Games, até o maravilhoso e fatídico Double Fantasy.

Lennon foi figura de proa numa geração que produziu, entre os músicos populares, algumas de suas melhores cabeças (Dylan, Zappa, Jim Morrison, Bob Marley; no Brasil, Caetano Veloso, Gilberto Gil; e no mundo?), músicos e ao mesmo tempo, pensadores da coisa da cultura, ligados ao sentido das transformações, artistas abertos a outras artes, agitadores culturais, bons de som, de poesia e de conceito.


Os dois livros dobeatle ocupam lugar especial no quadro da criação textual da segunda metade do século XX. Pela linguagem, seus textos remetem a James Joyce, o mais radical dos prosadores do século, o Joyce das inovações de Ulysses e das montagens de palavras do Finnegans Wake. Assim que saíram, os livros de Lennon foram traduzidos para várias línguas. E consta até que, na Finlândia, traduziu-os o próprio tradutor finlândes de Ulysses.

O “walrus”, porém, declarou que, quando os escreveu, não conhecia Joyce. Sua fonte maior de influência era o Lewis Carrol, da Alice no País das Maravilhas e Através do Espelho, influência fundamental sobre Joyce.

A ser verdade essa declaração, Lennon saiu da mesma fonte do pai do Wake.

Daquele bizarro professor de matemática que gostava de fotografar menininhas, tinha o estranho hábito de acasalar palavras em híbridos que chamou de portmanteau words, palavras-valise, palavras-montagem. E escrevia como se fosse o senhor de todas as lógicas.

O humor da linguagem, traço muito inglês de Lennon e o grande obstáculo para o tradutor, depende de alguns recursos- chave. Principalmente, o estranhamento do lugar-comum através da alteração da expressão idiomática. Mas também através do bizarro e do inesperado na lógica ficcional.

Além disso, John é muito chegado numa de alterar, a seu babel prazer, a grafia das palavras, criança que estivesse brincando de grudar uma letra, ou tirar, ou trocar as letras das palavras. Este efeito, no humor televisivo brasileiro, é a especialidade de Renato Aragão, o maior palhaço brasileiro vivo, exímio em arrancar as gargalhadas que se dá diante da informação nova, com uma alteração arbitrária do modo de dizer as palavras, graça fonética do Didi dos Trapalhões.
Como amostra de estranhamento do lugar-comum, valha o próprio título dos dois livros de Lennon. No primeiro, Lennon On His Own Write, acontece a superposição de duas expressões: “in his own right”, no seu direito, e “in his own writting”, com seu próprio punho, montagem que procurei traduzir para “Lennon Com Sua Própria Letra”. No segundo, o jogo é ainda mais complexo: A Spaniard In The Works, “Um Espanhol Nas Obras”, é, na realidade, uma corruptela da expressão idiomática “a spanner in the works”, ao pé da letra, “uma chave-de-fenda nos mecanismos”, mas que designa uma dificuldade súbita, um obstáculo que não estava nos planos. Alguma coisa que tem que ver com as origens da palavra francesasabotage. Em francês, sabot é “tamanco”. E sabotar, na origem, é “jogar um tamanco para danificar o mecanismo de uma máquina”. Tanto a expressão inglesa “a spanner in the works”, quanto a sabotagem francesa pertencem ao mundo da Revolução Industrial, e trazem conotações de luta de classes, “ludditas”, entre operários, os patrões e suas máquinas.

“A spanner in the works”: (botar) Formiga no Pudim (de alguém), uma mosca na sopa, por essa você não esperava, uma pedra no caminho?

Alice Ruiz, por fim, me tirou do impasse, propondo o imbatível (unbeatable!) Um Atrapalho no Trabalho.

O específico do discurso de Lennon parece ser uma subversão sistemática dos códigos de registro da escritura, bem dentro do juvenil espírito de quebra-quebra que caracterizou os anos 60.

John não escreve errado: ele, moleque, escreve “erros”. E subverte a grafia dos vocábulos, introduzindo neles ruídos arbitrários, grafitti, deformando agestal t ortográfica das palavras deixando subsentidos se infiltrarem pelos interstícios das frases. Uma escrita “fria”, nos termos de MacLuhan, uma escrita porosa, como a TV, que convida à participação.

Em Um Atrapalho no Trabalho, prosa-pop, prosa da era da TV, do VT clips, VTVTTVTVTVVTTT & tc, arte de arte, obe atle faz gato e sapato das receitas de todos os gêneros, excomunga os lugares-comuns. E, trapalhão, atrapalha todo o andamento do trabalho: uma gota da baba de Dadá, no comportamento textual do “Working Class Hero”.

Nenhuma fórmula verbal escapa da verve cínica e sarcástica daquele que escandalizou o mundo ao dizer, “somos mais populares que Jesus Cristo”.

O conto. A anedota. O poema. A estória da carochinha. De detetive. A peça de teatro. A carta do leitor. A entrevista. O anúncio. A frase de TV. A notícia de jornal. A canção de ninar. Um Atrapalho é caleidoscópio de todas as formas verbais imagináveis, erodidas e erotizadas como paródia.

Mas o humor do “Nowhere Man” não é um bom humor.

É a graça que nasce do azedume (não há sexo na prosa de Lennon).

Em suas fulminantes anedotas, sempre tendentes a estados caógenos, crepusculares, na fronteira entre o inteligível e o ininteligível (“Dividido Davi”, “Os Famosos Cinco Através das Ruínas de E agora”, “Linda Linda Cremilda”, “Mr. Boris Norris”, “Elerico e Eurique”), o desfecho é sempre trágico ou melancólico, com toques às vezes sádicos e mórbidos, teratológicos.

O beatle máximo era, hoje sabemos, um “maior abandonado”, aquela pessoa profundamente insegura, poço de angústias, atingida no coração e na cabeça pela súbita idolatria mundial em escala nunca vista.

Guia dos Curiosos responde: Desenhos Animados.


No desenho Bobby Pai e Bobby Filho, o que aconteceu com a Bobby Mãe?

A "Bobby mãe" nunca apareceu no desenho. "Às vezes, determinados personagens não interessam para o autor; então, ele simplesmente os ignora", explica o colecionador Marcelo Alencar. Segundo ele, é muito comum criadores de desenhos animados e histórias em quadrinhos utilizarem tal recurso. Ele lembra, por exemplo, que nos quadrinhos do Pato Donald, houve apenas uma participação da mãe dos seus sobrinhos. Quanto ao pai, nunca foi citado. Da mesma forma, nas histórias do Bobby Pai e Bobby Filho, o personagem mãe, aos olhos do autor, não deve interferir na trama.

Quem são os pais do Hughinho, Zezinho e Luizinho, os sobrinhos do Pato Donald?

No começo, a Disney dizia que todos os seus personagens eram filhos do "Papai Walt Disney". Na verdade, Pato Donald tem uma irmã gêmea chamada Dumbella (Della, nos Estados Unidos), que foi citada uma única vez numa história em quadrinhos, nos anos 1940. Ela deixa os três filhos com Donald junto a um bilhete. Só sua assinatura aparece. Na década de 1980, a Disney publicou a árvore genealógica de toda a população de Patópolis. Dumbella está lá, mas seu marido não aparece. No lugar do desenho do pai de Huguinho, Zezinho e Luizinho, foi publicada a figura de um passarinho. A Disney nunca revelou quem ele é.


Se os Flinstones viviam no período Neolítico, por que eles comemoravam o Natal?

O Natal dos Flinstones é mais uma daquelas deliciosas contradições que tornam os desenhos animados tão especiais. Vale lembrar que Fred, Barney e companhia andam de carro, jogam boliche, batem cartão de ponto e freqüentam restaurantes - nada disso existia no Neolítico -, tudo adaptado a uma Idade da Pedra tão absurda quanto a nossa realidade atual. O que nos faz aceitar tudo aquilo é justamente a verossimilhança que o mundo de Bedrock guarda com o mundo de hoje.

Como surgiu o desenho animado?

O inventor da animação de filmes foi o belga Joseph Plateau. Em 1832, ele criou o fenacistoscópio, um disco com figuras dispostas em torno do centro que parecem se movimentar quando o mecanismo é girado. Esse mecanismo, usado ainda hoje, apresentava uma rápida seqüência de desenhos em diferentes estágios, criando a ilusão de um único desenho em movimento.

O que significa a palavra "acme" que aparece nos desenhos do Pernalonga?

O termo vem do grego akme, que significa topo, cume ou ponto mais alto. Não é uma expressão usual na língua inglesa. Em português quer dizer algo como "pimpão" ou "brejeiro". A expressão causa um estranhamento e, por isso, tem um toque de humor.

Quem é a mãe de Pateta Júnior, o filho do Pateta?

Pateta já foi casado com a sra. Pateta. Ela apareceu pela primeira vez - e bem rapidamente - no curta-metragem Pais também são pessoas. A principal função de Pateta Júnior foi permitir a seu pai explodir de orgulho à medida que Pateta não conseguia se comportar para atender às mínimas expectativas. O garoto sabia que o pai não era um gênio pensante, mas não permitia que ele percebesse isso.

Por que Brutus não come espinafre para vencer o Popeye?

Em alguns desenhos, Brutus comeu espinafre e, de fato, ganhou muita força. Mas o vilão perdia as batalhas, pois acabava desferindo golpes que se viravam contra ele mesmo. Em a situação tenha se repetido em algumas histórias, ela não teve continuidade.

Como se faz um desenho animado?

Tudo começa com um storyboard. Essa "história em quadrinhos" é um roteiro cena a cena do que será o desenho animado. Serve de base para compôr a narrativa. Para prepará-la, é utilizada uma mesa de luz. Trata-se de uma caixa de madeira com uma luz fluorescente, uma placa de vidro ou acrílico branco e dois pinos de metal. O desenhista prende nos pinos a folha em branco que usará para trabalhar. Quando termina de rascunhar o personagem na posição inicial, coloca uma nova folha sobre ela e faz a cena seguinte. Ele consegue acompanhar a seqüência de movimentos porque, ao ligar a lâmpada da mesa, a luz incide sobre a placa de vidro e torna as páginas mais transparentes. Como estão uma sobre a outra, é possível ver as modificações feitas de um desenho para o outro. Depois de pronta, toda a seqüência de imagens é passada para o computador. Um programa as exibe com intervalos bem curtos de tempo, o que dá a impressão de movimento. Para fazer uma animação de 1 segundo, são necessários 12 desenhos. Ou seja, 60 segundos de ação exigem a preparação de 720 cenas.

Os Homens Amam a Guerra [Affonso Romano de Sant’anna]

Os homens amam a guerra. Por isso
se armam festivos em coro e cores
para o dúbio esporte da morte.

Amam e não disfarçam.
Alardeiam esse amor nas praças,
criam manuais e escolas,
alçando bandeiras e recolhendo caixões,
entoando slogans e sepultando canções.

Os homens amam a guerra. Mas não a amam
só com a coragem do atleta
e a empáfia militar, mas com a piedosa
voz do sacerdote, que antes do combate
serve a hóstia da morte.

Foi assim na Criméia e Tróia,
na Eritréia e Angola,
na Mongólia e Argélia,
no Saara e agora.

Os homens amam a guerra
E mal suportam a paz.

Os homens amam a guerra,
portanto,
não há perigo de paz.

Os homens amam a guerra, profana
ou santa, tanto faz.

Os homens têm a guerra como amante,
embora esposem a paz.

E que arroubos, meu Deus! nesse encontro voraz!
que prazeres! que uivos! que ais!
que sublimes perversões urdidas
na mortalha dos lençóis, lambuzando
a cama ou campo de batalha.

Durante séculos pensei
que a guerra fosse o desvio
e a paz a rota. Enganei-me. São paralelas
margens de um mesmo rio, a mão e a luva,
o pé e a bota. Mais que gêmeas
são xifópagas, par e ímpar, sorte e azar
são o ouroboro - cobra circular
eternamente a nos devorar.

A guerra não é um entreato.
É parte do espetáculo. E não é tragédia apenas
é comédia, real ou popular,
é algo melhor que circo:
-é onde o alegre trapezista
vestido de kamikase
salta sem rede e suporte,
quebram-se todos os pratos
e o contorcionista se parte
no kamasutra da morte.

A guerra não é o avesso da paz.
É seu berço e seio complementar.
E o horror não é o inverso do belo
-é seu par. Os homens amam o belo
mas gostam do horror na arte. O horror
não é escuro, é a contraparte da luz.
Lúcifer é Lubel, brilha como Gabriel
e o terror seduz.

Nada mais sedutor
que Cristo morto na cruz.

Portanto, a guerra não é só missa
que oficia o padre, ciência
que alucina o sábio, esporte
que fascina o forte. A guerra é arte.
E com o ardor dos vanguardistas
frequentamos a bienal do horror
e inauguramos a Bauhaus da morte.

Por isso, em cima da carniça não há urubu,
chacais, abutres, hienas.
Há lindas garças de alumínio, serenas,
num eletrônico balé.

Talvez fosse a dança da morte, patética.
Não é . É apenas outra lição de estética.
Daí que os soldados modernos
são como médico e engenheiro
e nenhum ministro da guerra
usa roupa de açougueiro.

Guerra é guerra!
dizia o invasor violento
violentando a freira no convento

Guerra é guerra!
dizia a estátua do almirante
com a boca de cimento.

Guerra é guerra!
dizemos no radar
desgustando o inimigo
ao norte do paladar.

Não é preciso disfarçar
o amor à guerra, com história de amor à pátria
e defesa do lar. Amamos a guerra
e a paz, em bigamia exemplar.

Eu, poeta moderno ou o eterno Baudelaire
eu e você, hypocrite lecteur,
mon semblable, mon frère.

Queremos a batalha, aviões em chamas
navios afundando, o espetacular confronto.
De manhã abrimos vísceras de peixes
com a ponta das baionetas
e ao som da culinária trombeta
enfiamos adagas em nossos porcos
e requintamos de medalha
-os mortos sobre a mesa.

Se possível, a carne limpa, sem sangue.
Que o míssil silente lançado à distância
não respingue em nossa roupa.
Mas se for preciso um banho de sangue
-como dizia Terêncio:
-sou humano
e nada do que é humano me é estranho.

A morte e a guerra não mais me pegam ao acaso.
Inscrevo sua dupla efígie na pedra
como se o dado de minha sorte
já não rolasse ao azar,
como se passasse do branco
ao preto e ao branco retornasse
sem nunca me sombrear.

Que venha a guerra! Cruel. Total.
O atômico clarim e a gênese do fim.
Cauto, como convém aos sábios,
primeiro bradarei contra esse fato.
Mas, voraz como convém à espécie,
ao ver que invadem meus quintais,
das folhas da bananeira inventarei
a ideológica bandeira e explodirei
o corpo do inimigo antes que ataque.

E se ele não atirar primeiro, aproveito
seu descuido de homem fraco, invado sua casa
realizando minha fome milenar de canibal
rugindo sob a máscara de homem.

-Terrível é o teu discurso, poeta!
Escuto alguém falar.
Terrível o foi elaborar.
Agora me sinto livre.
A morte e a guerra
já não podem me alarmar.
Como Édipo perplexo
decifrei-a em minhas vísceras
antes que a dúbia esfinge
pudesse me devorar.

Nem cínico nem triste. Animal
humano, vou em marcha, danças, preces
para o grande carnaval.

Soldado, penitente, poeta
-a paz e a guerra, a vida e a morte
me aguardam
- num atômico funeral.

-Acabará a espécie humana sobre a Terra?
Não. Hão de sobrar um novo Adão e Eva
a refazer o amor, e dois irmão:
-Caim e Abel
-a reinventar a guerra.



A ilha de Gorée



Bem sabemos sobre a vinda do povo negro para as terras do Brasil, a partir de um ponto do extremo oeste no continente africano, em Dacar, capital do Senegal. Foi também a partir da pequena ilha de Gorée que cerca de 15 milhões de homens, mulheres e crianças foram embarcados para as diversas nações escravagistas, cabendo ao Brasil o número aproximado de 1/3 desse total.


A pequena ilha servia como porto comercial para os portugueses, onde o “produto” era alocado em construções especialmente feitas para armazenar, pesar, vender e deportar os negros para os países distantes. Como “mercadoria”, “peça”, muitos morriam ou ficavam tão doentes que não serviam mais para serem comercializados e eram (simplesmente) jogados ao mar. Todos os números são de estimativas e também o número de mortos (na ilha ou nas viagens): em torno de 6 milhões, para mais.

Homens, mulheres e crianças muitas vezes formavam famílias inteiras que tiveram o trajeto até Gorée como última convivência. Negros eram “peças”; por isso nunca foram tratados como “família”, nem mesmo quando, depois, no cativeiro, nas senzalas, se aproximavam por laços de afeto. São inúmeros os relatos (históricos) sobre o estupro de mulheres negras; sobre o uso de homens negros como reprodutores de “escravos”. A tão falada “miscigenação” que temos no País se deve, originalmente, aos filhos “bastardos” dos “senhores” com as mulheres negras escravizadas.

Passando pela “porta do não retorno” (**) ou girando em torno da “árvore do esquecimento” (***), para que não guardasse lembrança de sua terra e de sua identidade cultural, cada criatura era (simplesmente) filho de um par de seres humanos que por sua vez eram igualmente filhos de outros pares, formando a linha da ancestralidade de cada um, de cada uma.

Aqui chegando – despojados de tudo – o que aproximava cada negro, cada negra, era a história comum, inclusive a do despojamento. A solidão de “eu comigo mesmo”, sem pai, mãe, esposa, marido, filho, filha (porque cada um/a foi vendido para um lugar diferente) fez com que a experiência do Supremo fosse resgatada. O Supremo que, em todas as culturas é a referência do significado dos valores e do sentido da vida.


Ana Maria Felippe

Dia de Festa: Ratha-yatra

Nas últimas décadas, a Sociedade Internacional para Consciência de Krishna (ISKCON) tem apresentado a milhões de pessoas em todo o mundo os belos e atraentes festivais espirituais da Índia milenar.

O festival mais famoso, o Ratha-yatra, ou o festival das carruagens, tem sido celebrado na cidade santa de Jagannatha Puri, Índia, por milhares de anos, tornando-o uma das celebrações religiosas mais antigas do mundo. Em 1968, o fundador-acharya da ISKCON, A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada, organizou na cidade de São Francisco, nos Estados Unidos, o primeiro Ratha-yatra do Ocidente. Hoje em dia este antiquíssimo festival religioso é realizado todos os anos em diversas das maiores cidades do mundo, incluindo Nova Ior
que, Los Angeles, Washington, Londres, Paris, Zurique, Calcutá e Sidney.



A procissão de Ratha-yatra tem como modelo o milenar festival do mesmo nome em Orissa, Índia, e apresenta três carruagens belamente ornamentadas, pesando cinco toneladas e medindo dezesseis metros. Com seus reluzentes dosséis de seda colorida, os veículos de madeira com torres elevadas são puxados bem devagar numa fila única através de uma multidão de milhares de pessoas. Elefantes decorados, carros alegóricos, dança e canto, fazem parte da ocasião festiva. Em todas as comemorações de Ratha-yatra nas diversas partes do mundo, as pessoas presentes ao festival assistem a uma grande variedade de eventos e exibições culturais. As apresentações incluem peças de teatro, músicas, danças, belas artes e exibições primorosa sobre reencarnação, vegetarianismo e ciência védica. Além disso, às centenas de milhares de visitantes é servido um autêntico banquete contendo diversos tipos de preparações.


Banquetes semelhantes são servidos todas as semanas nos festivais de domingo que os centros da ISKCON comemoram no mundo inteiro. Nas últimas duas décadas, durante o ano todo, os membros do movimento Hare Krishna distribuíram mais de oitenta milhões de pratos prasadam, alimento vegetariano preparado como oferenda devocional a Krishna, Deus.

Muitos prefeitos de grandes cidades do mundo onde ocorreram os festivais de Ratha-yatra têm assistido e feito discursos em louvor ao Ratha-yatra como uma importante contribuição cultural a um mundo com tanta variedade de raças e credos.


Regina Navarro Lins entrevista Gaiarsa.



Algumas pessoas te chamam de louco pelas coisas que você diz e escreve sobre a família. O que você pensa, afinal, a respeito dessa instituição considerada intocável?

De todos os títulos que tenho, o que mais valorizo é esse: mais de meio século como psicoterapeuta ativo, com mais de 70 mil horas de escuta e observação atenta de milhares de pessoas. Dois terços dessas horas eram falas - melhor, queixas - contra a família, brigas entre pais e filhos, mães e filhos, marido e mulher, parentes e parentes... Sempre em tudo, a família como centro e a origem de sofrimentos sem conta, de mal-entendidos sem fim e sempre tida como perfeita.

Mas por que existe tanta reação às suas idéias?

As pessoas dizem que se a família desaparecer, desaparecerá a sociedade. Mas esquecem todos: desaparecerá, sim, a sociedade que conhecemos, eivada de guerras, miséria, desumanidades, injustiças... Será tanta perda assim? Ou será uma renovação radical e salvadora desde que a velha civilização - baseada na família e no autoritarismo - está beirando perigosamente a destruição da espécie , e quiçá levando de lambuja o planeta todo conosco? A esse fim chegamos, essencialmente formados e educados em família e pela família. Não é para começar a desconfiar de que alguma coisa está errada com a bendita?

Em todos os seus livros você dá ênfase à atuação das mães e à responsabilidade delas na neurose coletiva da nossa sociedade. Recentemente você criou o partido das mães. Do que se trata?

Durante muito tempo eu concordei com todos os psicólogos, dizendo que o problema da criança era a mãe, até que percebi que não são as mães individuais que estão erradas. É o modelo de mãe que está errado. Todas as doutrinas psicoterápicas afirmam que a neurose começa antes dos cinco anos, no lar, quase sempre por influência materna.

Bom, e qual é a influência das mães ?

Elas são o DNA da transmissão social. A função delas é pôr na cabeça das crianças todo o lixo da civilização, que nós criticamos de todos os lados, mas continuamos transmitindo. Então se não houver uma nova mãe não haverá um novo homem. Daí foi só dar um pulinho a mais e dizer: "As mães são o maior partido conservador do mundo!!!"

Como é possível mudar isso?

Onde é que se aprende a ser pai e mãe? Até para ser engraxate se faz curso, agora, para ser pai e mãe, não... Eu gostaria de acentuar a questão dos cinco primeiros anos, que eu reuni uns poucos dados de fisiologia muito interessantes. Aos três anos você já desenvolveu 90% do seu cérebro em peso. A circulação cerebral da criança é de três a quatro vezes mais intensa que a do adulto. No adulto o cérebro pesa 2% do corpo, na criança o cérebro pesa 20%, a criança é só cérebro, vamos dizer assim. Outro dado, todo bicho pequeno tem que aprender depressa senão ele é comido. Essa tese é biológica, 3/4 das presas do mundo são filhotes ou ovos, então, se o filhote não acorda depressa ele é comido.

Por isso é que a gente se surpreende sempre com a rapidez que as crianças aprendem...

A natureza deu para os filhotes uma fantástica capacidade de aprender muito e depressa. Uma criança aprende num dia o que um jovem aprende num semestre e um velho aprende em um ano. A mãe DNA da tradição social, com todos os venenos da nossa sociedade, passa tudo para a criança. E outra coisa: em família está autorizada a agressão, em família você trata as pessoas de um jeito que você não trata mais ninguém, ...mas em família pode...

Existem mães que espancam a criança acreditando ter esse direito...

Também o marido agride a mulher. Três milhões e quatrocentos mil casais americanos têm espancamento em família, eu ouvi por acaso este número e guardei, 3.400.000 !!!

O que você acha do casamento?

O casamento foi feito para impedir o desenvolvimento das pessoas. Criança desenvolve, adolescente desenvolve, e depois você fica maduro e aí não muda mais... Pais e mães não podem se desenvolver muito, sair de casa, procurar cursos, não podem. Em todas as civilizações conhecidas o adulto é tido como o ideal da educação, a criança tem que se tornar igual ao adulto, e aí ela está educada... Isso é um horror!!! Casamento não foi feito para amor nem pra felicidade, mas para garantir o patrimônio e a continuidade do patriarcalismo, porque criança não tem direito nenhum.

Mas o casamento vai continuar existindo?

A menos que ele se renove a cada novo amante. Esta é uma das alternativas que eu acho simpática.
Qual seria um jeito do casamento ser uma coisa prazerosa para as duas pessoas?

Eu só achei duas soluções até hoje. Uma, na minha vida. Casei cinco vezes e diria que um casamento que dura de quatro a sete anos pode ser interessante, dependendo da pessoa, circunstâncias e tudo mais. A segunda: hoje o que eu consideraria ideal, eu diria que é poder ter duas, três, quatro mulheres, amigas, eventualmente coloridas, e elas também terem dois, três, quatro homens. Eu acho que era a solução. Mesmo os bons amigos você não tem vontade de ver sempre. Há certos dias em que você diz: "Ih! Se ele vier aqui hoje vai ser um saco". E quando se está casado é a mesma coisa.
Em que medida o sistema patriarcal prejudicou homens e mulheres?

A espécie humana é a única na qual os homens usurparam o poder. Em todas as espécies animais, é claro que a fêmea é o centro, não tem o que discutir. Acho que se o homem se pusesse a serviço da mulher e da criança, isto é que seria o certo, mas ele quer ser o bacana. Muito da nossa desgraça vem daí...

De que forma?

A doçura, a maciez, a ternura, sabe... O homem quando se machucava não podia choramingar, e à mulher que estava com as crianças e com os velhos na colheita era facilitado o intercâmbio afetivo e sensual com a criança. Depois ela começou a usar isso pra envolver o homem numa boa, mas desde lá o que se valoriza nele é a dureza, a impassibilidade e a crueldade.
Explique mais isso de "mãe não tem xoxota"?

Eu quero dizer que o garoto não sabe para que serve o pinto, simplesmente, e ele vive eternamente envergonhado de ter um pinto porque não pode brincar com o pinto diante da mamãe... Ter pinto é uma vergonha, é um pecado original. E em segundo lugar, ainda hoje a imensa maioria das mães se perturba se a criança mexe com o pintinho ou vem com uma pergunta. Umas mães mais, outras menos... Isso vira quase um autismo: sexo é para mim e comigo.

Como essa repressão afeta os jovens?

São dezenas, centenas de experiências maiores ou menores, algumas muito dramáticas. E a criança vai absorvendo isso. Aí acontece o drama: a maioria dos adolescentes se inicia no sexo meio na esquina, meio escondidinho, meio apertadinho, e nunca mais sai desse apertadinho até o fim da vida.

Você considera estereotipado o sexo que se pratica hoje?

Extremamente estereotipado. Qual é o resultado disso? 70% dos americanos ejaculam dois minutos ou menos depois da penetração. E segundo os especialistas, nós os ocidentais, temos todos ejaculação precoce. O Tantra, que é primoroso a esse respeito, mostra o que o ocidental perde de prazer! E sempre servindo ao patriarcalismo, porque o nosso prazer é tão precário que você não vai brigar demais por ele. Você perde a noção do que é prazer e felicidade. Se você tem prazer e conhece a felicidade você tem tesão geral. Se você vai matando este tesão primário da vida, você se torna parte de um rebanho, vai brigar para quê?

As pessoas poderiam viver um sexo muito melhor?

Claro. Tudo indica que o que se vive é um sexo de baixíssima qualidade em relação ao sexo altamente cultivado e desenvolvido, refletido, meditado, e até consagrado pelas civilizações do matriarcado. De certa forma o Tantra tem altos níveis de espiritualidade no sexo.

Em um dos seus livros você fala que os orgasmos são qualitativamente diferentes, que não existem dois orgasmos iguais. O que marca a diferença?

O orgasmo é tanto melhor quanto mais amplo for o contexto pessoal e tátil. A carícia é uma coisa basicamente esquecida pelas pessoas. O que existe de carícia no mundo é muito pouco e estereotipado e, no entanto, nosso corpo é o maior playground do universo. Nossa pele tem mais de 600 mil pontos sensíveis, nós somos uma criação contínua do movimento, somos movidos por trezentos mil neurônios motores medulares. Somos criação contínua neurológicamente e se você combinar nossa capacidade de movimento com a nossa sensibilidade de pele, você pode ficar a eternidade acariciando alguém sem repetir nunca a mesma sensação.

O que você acha da masturbação?

Eu acho que a masturbação é o modo de satisfação sexual mais freqüente de todos. Juntando a sensibilidade dos genitais com a habilidade infinita das mãos, você tem um tantra masturbatório, você pode ficar se agradando horas sem repetir as sensações.

Por que tem gente que tem mais prazer na masturbação?

Por que a pessoa tem o controle do prazer e sabe onde vai, onde vem, como acontece, como pára, como avança. Com o outro precisaria de uma intimidade de altíssimo nível pra você chegar a alguma coisa parecida. Embora eu não confronte as duas coisas, não há o que comparar entre um momento masturbatório e um momento de relação sexual, são dois universos pra mim.

Você acha que a energia orgástica vai fluir pelo corpo, mesmo se o orgasmo vier através da masturbação ?

Vai, mas eu quero introduzir o corpo inteiro na masturbação, não só mão e genitais. Tanto numa relação masturbatória quanto na relação com o outro, é essencial a variação do gesto, porque é a variação do gesto que cria a variação do afeto. Sem o gesto adequado você não passa o sentimento adequado. Acho muito profunda essa tese, que é uma alta elaboração de Reich. Os movimentos tem que acompanhar as sensações... e abrem canais para a comunicação emocional que também não tem limite. Eu posso ter sensações e emoções a minha vida inteira criativamente, nunca repetindo. Iluminação amorosa, eu acho que seria isso, felicidade amorosa.

O prazer parece ameaçar o trabalho. A repressão sexual não estaria a serviço de um sistema econômico?

Você sabe a história do sexo e do prazer? Implantaram num ratinho uma agulha no centro do prazer, e puseram ele numa jaula, onde apertando um botão ele se excitava. Ele não saiu mais do botão, se excitou duas mil vezes em uma hora. Podiam deixá-lo com fome e colocá-lo numa jaula com comida e o botão, que ele ia direto no botão. É um dos achados que o Arthur Clark disse que era mais importante que a bomba atômica, a descoberta dos centros de prazer. Hoje em dia é uma coisa aceita, já foi comprovada, todos os animais superiores têm, nós temos.

Então deveríamos dedicar muito mais tempo para o prazer...

Nós só chegaremos aí no dia em que confiarmos todos os trabalhos automáticos e mecânicos para as máquinas. Alcançaríamos o paraíso na Terra (risos). Todas as atividades repetitivas a máquina faz melhor do que nós, todo o tédio passaria para as máquinas. Eu acho que o prazer máximo é criação contínua, pode ser erótico, pode ser amistoso, pode ser intelectual, pode ser alimentar.
Por que a maioria dos homens ainda tenta corresponder ao ideal masculino de força, sucesso, poder, que é inatingível e causa sofrimento?

É a mesma história do casamento, se o homem pensasse bem nas desvantagens do machismo ele desistia de ser macho.

Você concorda que o homem tem que romper com a mãe muito cedo para não ser chamado de maricas ou filhinho da mamãe?

Na verdade, em todas as sociedades patriarcais existe o momento da ruptura da ligação com a mãe, que é o ritual de iniciação. "Agora, esqueça da mamãe, venha para o bando dos homens". "Homem precisa de coragem, de crueldade, esquece a mulher-mãe". Mas olha, eu queria sublinhar que é muito mais necessidade de contato do que de sexo, porque enquanto você é pequenino a mamãe quase sempre brinca um pouco com o neném. Segundo Freud o período de latência é dos 5 aos 10 anos e é aí que você começa a afastar a criança: "Cuidado, não mexe muito na menina, ela já tem 5 anos", "Olha o menino....", e eles começam a ficar sem graça, perdem o jeito.

O que você acha da teoria psicanalítica do Complexo de Édipo, em que o menino, entre os três e os cinco anos, deseja sexualmente a mãe?

Eu acho que o desejo não é transar com a mãe, é estar no colo da mamãe, acolhido em coisa viva, quente, morna, gostosa. Mas isso não pode, ai dele se romper a aliança com o bando masculino. Mal pode fraquejar, mal pode amar a mulher, pode transar mas não pode amar, é bem assim, nada de envolvimento. Sabe por quê? Nada dissolve mais a couraça do que carícias bem feitas.

Revista Veja: Armas de Fogo.

As estatísticas sobre porte e uso de arma de fogo no país são consideradas incompletas e pouco confiáveis por especialistas das áreas de criminalidade e segurança pública. Não há sequer um balanço formal do número de armas existentes no país - existem apenas estimativas extra-oficiais. Ainda assim, dezenas de pesquisas isoladas, principalmente a respeito do impacto das armas nas estatísticas de mortalidade, oferecem informações importantes sobre o assunto. A seguir, alguns dados desses estudos:

Porte e desarmamento

17 milhões de armas de fogo estariam em circulação no Brasil, conforme estimativa divulgada pela ONG Viva Rio. Dessas, só 49% são legais; 28% seriam armas ilegais de uso informal e 23%, armas ilegais de uso criminal.

3,5% dos domicílios brasileiros têm algum tipo de arma de fogo, porcentual muito inferior inclusive que de países com menores índices de criminalidade, como Canadá (30%), França (24,5%) e Suíça (35%)

443.000 armas de fogo foram entregues pela população no primeiro ano da campanha de desarmamento. A expectativa do governo era de receber 80.000 armas. A campanha do país só perde para a da Austrália (600.000 armas).

8,2% foi a queda no número de mortes provocadas por armas de fogo no primeiro ano de campanha de desarmamento no país, segundo o Ministério da Saúde. Foi a primeira redução no índice em 13 anos de pesquisas.

72% das armas usadas em crimes entre 1999 e 2005 no Rio de Janeiro pertenciam a cidadãos de bem e caíram nas mãos dos bandidos em assaltos e outros crimes, segundo pesquisa da Secretaria Estadual de Segurança Pública.

61% dessas armas desviadas no Rio tinham sido compradas em lojas, sendo que 33% eram registradas e 39% não tinham registro. O resto dos armamentos usadas em crimes, 28%, eram provenientes do tráfico de armas.

29% das armas registradas usadas em crimes no Rio de Janeiro foram desviadas das mãos do próprio Estado, ou seja, das polícias e das Forças Armadas do país;
65% das armas desviadas para o crime pertenciam a indivíduos.

Mortes

21,72 óbitos em cada grupo de 100.000 habitantes é a taxa de mortalidade por arma de fogo no país, conforme estudo da Unesco. Essa taxa triplicou num período de vinte anos no país.

2ª é a posição do país no ranking de mortes por armas de fogo, perdendo só para a Venezuela (30,34 a cada 100.000). O Japão foi o país com melhor índice - apenas 0,06, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

416% foi o crescimento no número de jovens mortos por armas de fogo no país entre 1979 e 2003, conforme estudo da Unesco. A cada três jovens que morrem no país, um é vítima de arma de fogo.

40.000 pessoas morrem anualmente com o uso de armas de fogo no país, segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Mesmo representando 2,8% da população mundial, o país tem 11% dos homicídios.

63,9% dos homicídios cometidos no Brasil são praticados com arma de fogo, conforme números do Datasus. A segunda principal causa, com 19,8% dos homicídios, é o uso de arma branca.

20 a 29 anos é a faixa etária com maior taxa de mortalidade por arma de fogo entre os homens, com 103,1 óbitos por 100.000 habitantes. Dos 15 aos 19 anos, a taxa é de 71,2, e dos 30 aos 39 anos, o índice é de 57,7.

39,1% dos adolescentes com idades entre 15 e 19 anos mortos no país em 2002 foram vítimas de armas de fogo. No mesmo ano, acidentes de carro mataram 14,8% desse contingente; 19,9% morreram de causas naturais.

30,1 é a taxa de mortalidade por arma de fogo entre cada 100.000 negros no país.
O índice é menor entre os pardos (28,5 óbitos por 100.000 habitantes) e entre os brancos (16,6 óbitos por 100.000 habitantes).

Fale com o Wikipedia: Erasmo Carlos.

Erasmo Carlos, nome artístico de Erasmo Esteves, nascido no Rio de Janeiro, 5 de junho de 1941, é um cantor e compositor brasileiro.

Sua parceria com o cantor Roberto Carlos certamente é a de maior sucesso na história da música popular brasileira, tanto em termos de venda quanto em termos de regravações, feitas por artistas de todo o Brasil e do exterior.

Junto com Roberto Carlos, compôs mais de 500 canções, gravadas tanto pelo Rei quanto por ínúmeros outros cantores.

Início da carreira

Participou efetivamente junto com Roberto Carlos e com Wanderléa do programa Jovem Guarda onde tinha o apelido de Tremendão, imitando as roupas e o estilo de seu ídolo Elvis Presley. Seus maiores sucessos como cantor nessa fase foram “Gatinha Manhosa” e “Festa de Arromba”. Com o término do movimento, entrou em crise, mas conseguiu se recuperar com a ajuda de seu parceiro Roberto Carlos e de sua esposa, Narinha. Nessa fase de transição fez sucesso cantando “Sentado à Beira do Caminho” e “Coqueiro Verde”.

O disco Erasmo Carlos e Os Tremendões já é um trabalho transitório na carreira do artista. O LP, de 1969, traz interpretações muito peculiares de canções de compositores da MPB, como “Saudosismo”, de Caetano Veloso e “Aquarela do Brasil”, de Ary Barroso (lançada no filme Roberto Carlos e o Diamante Cor-de-rosa em que Erasmo atua com Roberto e Wanderléa) e “Teletema” (canção originalmente interpretada por Regininha, sucesso por ter sido tema da novela Véu de Noiva, da Rede Globo), de Antônio Adolfo e Tibério Gaspar, além da primeira gravação de “Sentado à Beira do Caminho”.

Década de 70

Na década de 1970, Erasmo assina com a Polygram. A primeira metade da década mostra o Tremendão num estilo bem diferente da Jovem Guarda. Influenciado pela cultura hippie e pelo soul, lança Carlos, Erasmo em 1971. O disco, que abre com “De Noite na Cama”, escrita por Caetano Veloso especialmente para ele, traz uma polêmica ode à maconha, em “Maria Joana”.

O existencialismo prossegue em seus outros LPs dos anos 70: 1941-1972 – Sonhos e Memórias, 1990 – Projeto Salvaterra e Banda dos Contentes. “Sou uma Criança, Não Entendo Nada”, “Cachaça Mecânica” e “Filho Único” são algumas canções de destaque no período. Pelas Esquinas de Ipanema, seu LP de 1978, inclui uma impactante canção que denuncia o descaso do homem com a ecologia: “Panorama Ecológico”.

Em 1971, participa do filme Roberto Carlos a 300 Quilômetros por Hora, de Roberto Farias.
Anos 80

Erasmo Carlos começa os anos 80 com um projeto ambicioso. Erasmo Carlos Convida… é um pioneiro projeto no Brasil. Foram 12 canções interpretadas em dueto com artistas como Nara Leão, Maria Bethânia, Gal Costa, Wanderléa, A Cor do Som, As Frenéticas, Gilberto Gil, Rita Lee, Tim Maia, Jorge Ben e Caetano Veloso. A faixa de abertura do álbum foi a que teve maior destaque nas rádios: “Sentado à Beira do Caminho”, com Roberto Carlos.

No ano seguinte, o LP Mulher tem uma grande repercussão com as canções “Mulher (Sexo Frágil)” (escrita com sua mulher, Narinha), “Pega na Mentira” e “Feminino Coração de Deus” (de Sérgio Sampaio). O sucesso na mídia, que continuou com Amar Pra Viver ou Morrer de Amor (1982), trouxe uma cobrança para Erasmo: assim como o parceiro Roberto Carlos (no auge do sucesso), ele deveria lançar um trabalho inédito todos os anos. “Lentinha, para tocar no rádio”, como disse o cantor ao relembrar seus discos na época. Embora seja a década com mais lançamentos de trabalhos novos, Erasmo tem algumas ressalvas sobre os seus discos a partir da segunda metade da década – Buraco Negro (1984), Erasmo Carlos (1985), Abra Seus Olhos (1986) e Apesar do Tempo Claro… (1988). O disco de 1988 seria seu último na Polygram.

Valendo-se ainda do filão engajado da pós-ditadura, cantou, ainda que numa participação especial diminuta, no coro da versão brasileira de “We Are the World”, o hit americano que juntou vozes e levantou fundos para a África, ou USA for Africa. O projeto Nordeste Já (1985), abraçou a causa da seca nordestina, unindo 155 vozes num compacto, de criação coletiva, com as canções “Chega de Mágoa” e “Seca d´Água”. Elogiado pela competência das interpretações individuais, foi, no entanto, criticado pela incapacidade de harmonizar as vozes e o enquadramento de cada uma delas no coro.

Em 1989, ele ainda faria o álbum ao vivo Sou uma Criança, com participações de Léo Jaime e dos grupos Kid Abelha e João Penca e Seus Miquinhos Amestrados e lançados pela pequena gravadora SBK.

Anos 90

Nos anos 90, o trabalho de Erasmo apareceu de forma bissexta na canção. Além de sempre assinar com Roberto Carlos as canções feitas para seus discos anuais, ele lançou dois discos. Homem de Rua, lançado pela Sony Music em 1992, chegou a ter repercussão com a faixa-título, que fez parte da trilha da telenovela De Corpo e Alma, mas a canção era tema do personagem de Guilherme de Pádua, que, ao lado da esposa Paula Tomás, assassinou a atriz Daniela Perez, num crime que chocou o país. Outra gravação de destaque foi “A Carta”, na qual Erasmo cantou com Renato Russo.

Em 1995, ele voltou a ter destaque nas comemorações dos trinta anos da Jovem Guarda, que rendeu discos e shows. No ano seguinte, Erasmo gravou o álbum É Preciso Saber Viver, com regravações de canções de seu repertório. O destaque foi para “Do Fundo do Meu Coração”, dueto com Adriana Calcanhotto.
Século XXI

Somente em 2001 Erasmo voltaria a lançar um disco novo. Pra Falar de Amor traz interpretações dele para canções apenas suas, além de cançòes de Kiko Zambianchi e Marcelo Camelo. O destaque é “Mais um na Multidão”, dueto com Marisa Monte e de autoria de Erasmo Carlos, Marisa Monte e Carlinhos Brown. No ano seguinte, ele lançou seu primeiro DVD ao vivo, além de um CD duplo.

No início de 2004, ele lançou seu trabalho mais autoral: Santa Música, com doze canções de autoria apenas de Erasmo Carlos. Além da faixa-título, destaca-se a faixa “Tim”, feita em homenagem a Tim Maia.

Em 2007, Erasmo novamente lançou um disco no qual recebe convidados. Erasmo Carlos Convida, Volume II apresenta novos encontros musicais em que Erasmo interpreta parcerias dele com Roberto. Adriana Calcanhotto, Lulu Santos, Simone, Marisa Monte, Milton Nascimento e as bandas Skank e Los Hermanos estão entre os convidados. A faixa de maior destaque nas rádios é “Olha”, cantada com Chico Buarque, e tema da novela das 21 horas, Paraíso Tropical, da Rede Globo.

Também em 2007, Erasmo compôs a faixa de abertura de SóNós, o segundo disco-solo da vocalista do Kid Abelha, Paula Toller.
Powered By Blogger