sábado, 9 de outubro de 2010

Os Homens Amam a Guerra [Affonso Romano de Sant’anna]

Os homens amam a guerra. Por isso
se armam festivos em coro e cores
para o dúbio esporte da morte.

Amam e não disfarçam.
Alardeiam esse amor nas praças,
criam manuais e escolas,
alçando bandeiras e recolhendo caixões,
entoando slogans e sepultando canções.

Os homens amam a guerra. Mas não a amam
só com a coragem do atleta
e a empáfia militar, mas com a piedosa
voz do sacerdote, que antes do combate
serve a hóstia da morte.

Foi assim na Criméia e Tróia,
na Eritréia e Angola,
na Mongólia e Argélia,
no Saara e agora.

Os homens amam a guerra
E mal suportam a paz.

Os homens amam a guerra,
portanto,
não há perigo de paz.

Os homens amam a guerra, profana
ou santa, tanto faz.

Os homens têm a guerra como amante,
embora esposem a paz.

E que arroubos, meu Deus! nesse encontro voraz!
que prazeres! que uivos! que ais!
que sublimes perversões urdidas
na mortalha dos lençóis, lambuzando
a cama ou campo de batalha.

Durante séculos pensei
que a guerra fosse o desvio
e a paz a rota. Enganei-me. São paralelas
margens de um mesmo rio, a mão e a luva,
o pé e a bota. Mais que gêmeas
são xifópagas, par e ímpar, sorte e azar
são o ouroboro - cobra circular
eternamente a nos devorar.

A guerra não é um entreato.
É parte do espetáculo. E não é tragédia apenas
é comédia, real ou popular,
é algo melhor que circo:
-é onde o alegre trapezista
vestido de kamikase
salta sem rede e suporte,
quebram-se todos os pratos
e o contorcionista se parte
no kamasutra da morte.

A guerra não é o avesso da paz.
É seu berço e seio complementar.
E o horror não é o inverso do belo
-é seu par. Os homens amam o belo
mas gostam do horror na arte. O horror
não é escuro, é a contraparte da luz.
Lúcifer é Lubel, brilha como Gabriel
e o terror seduz.

Nada mais sedutor
que Cristo morto na cruz.

Portanto, a guerra não é só missa
que oficia o padre, ciência
que alucina o sábio, esporte
que fascina o forte. A guerra é arte.
E com o ardor dos vanguardistas
frequentamos a bienal do horror
e inauguramos a Bauhaus da morte.

Por isso, em cima da carniça não há urubu,
chacais, abutres, hienas.
Há lindas garças de alumínio, serenas,
num eletrônico balé.

Talvez fosse a dança da morte, patética.
Não é . É apenas outra lição de estética.
Daí que os soldados modernos
são como médico e engenheiro
e nenhum ministro da guerra
usa roupa de açougueiro.

Guerra é guerra!
dizia o invasor violento
violentando a freira no convento

Guerra é guerra!
dizia a estátua do almirante
com a boca de cimento.

Guerra é guerra!
dizemos no radar
desgustando o inimigo
ao norte do paladar.

Não é preciso disfarçar
o amor à guerra, com história de amor à pátria
e defesa do lar. Amamos a guerra
e a paz, em bigamia exemplar.

Eu, poeta moderno ou o eterno Baudelaire
eu e você, hypocrite lecteur,
mon semblable, mon frère.

Queremos a batalha, aviões em chamas
navios afundando, o espetacular confronto.
De manhã abrimos vísceras de peixes
com a ponta das baionetas
e ao som da culinária trombeta
enfiamos adagas em nossos porcos
e requintamos de medalha
-os mortos sobre a mesa.

Se possível, a carne limpa, sem sangue.
Que o míssil silente lançado à distância
não respingue em nossa roupa.
Mas se for preciso um banho de sangue
-como dizia Terêncio:
-sou humano
e nada do que é humano me é estranho.

A morte e a guerra não mais me pegam ao acaso.
Inscrevo sua dupla efígie na pedra
como se o dado de minha sorte
já não rolasse ao azar,
como se passasse do branco
ao preto e ao branco retornasse
sem nunca me sombrear.

Que venha a guerra! Cruel. Total.
O atômico clarim e a gênese do fim.
Cauto, como convém aos sábios,
primeiro bradarei contra esse fato.
Mas, voraz como convém à espécie,
ao ver que invadem meus quintais,
das folhas da bananeira inventarei
a ideológica bandeira e explodirei
o corpo do inimigo antes que ataque.

E se ele não atirar primeiro, aproveito
seu descuido de homem fraco, invado sua casa
realizando minha fome milenar de canibal
rugindo sob a máscara de homem.

-Terrível é o teu discurso, poeta!
Escuto alguém falar.
Terrível o foi elaborar.
Agora me sinto livre.
A morte e a guerra
já não podem me alarmar.
Como Édipo perplexo
decifrei-a em minhas vísceras
antes que a dúbia esfinge
pudesse me devorar.

Nem cínico nem triste. Animal
humano, vou em marcha, danças, preces
para o grande carnaval.

Soldado, penitente, poeta
-a paz e a guerra, a vida e a morte
me aguardam
- num atômico funeral.

-Acabará a espécie humana sobre a Terra?
Não. Hão de sobrar um novo Adão e Eva
a refazer o amor, e dois irmão:
-Caim e Abel
-a reinventar a guerra.



A ilha de Gorée



Bem sabemos sobre a vinda do povo negro para as terras do Brasil, a partir de um ponto do extremo oeste no continente africano, em Dacar, capital do Senegal. Foi também a partir da pequena ilha de Gorée que cerca de 15 milhões de homens, mulheres e crianças foram embarcados para as diversas nações escravagistas, cabendo ao Brasil o número aproximado de 1/3 desse total.


A pequena ilha servia como porto comercial para os portugueses, onde o “produto” era alocado em construções especialmente feitas para armazenar, pesar, vender e deportar os negros para os países distantes. Como “mercadoria”, “peça”, muitos morriam ou ficavam tão doentes que não serviam mais para serem comercializados e eram (simplesmente) jogados ao mar. Todos os números são de estimativas e também o número de mortos (na ilha ou nas viagens): em torno de 6 milhões, para mais.

Homens, mulheres e crianças muitas vezes formavam famílias inteiras que tiveram o trajeto até Gorée como última convivência. Negros eram “peças”; por isso nunca foram tratados como “família”, nem mesmo quando, depois, no cativeiro, nas senzalas, se aproximavam por laços de afeto. São inúmeros os relatos (históricos) sobre o estupro de mulheres negras; sobre o uso de homens negros como reprodutores de “escravos”. A tão falada “miscigenação” que temos no País se deve, originalmente, aos filhos “bastardos” dos “senhores” com as mulheres negras escravizadas.

Passando pela “porta do não retorno” (**) ou girando em torno da “árvore do esquecimento” (***), para que não guardasse lembrança de sua terra e de sua identidade cultural, cada criatura era (simplesmente) filho de um par de seres humanos que por sua vez eram igualmente filhos de outros pares, formando a linha da ancestralidade de cada um, de cada uma.

Aqui chegando – despojados de tudo – o que aproximava cada negro, cada negra, era a história comum, inclusive a do despojamento. A solidão de “eu comigo mesmo”, sem pai, mãe, esposa, marido, filho, filha (porque cada um/a foi vendido para um lugar diferente) fez com que a experiência do Supremo fosse resgatada. O Supremo que, em todas as culturas é a referência do significado dos valores e do sentido da vida.


Ana Maria Felippe

Dia de Festa: Ratha-yatra

Nas últimas décadas, a Sociedade Internacional para Consciência de Krishna (ISKCON) tem apresentado a milhões de pessoas em todo o mundo os belos e atraentes festivais espirituais da Índia milenar.

O festival mais famoso, o Ratha-yatra, ou o festival das carruagens, tem sido celebrado na cidade santa de Jagannatha Puri, Índia, por milhares de anos, tornando-o uma das celebrações religiosas mais antigas do mundo. Em 1968, o fundador-acharya da ISKCON, A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada, organizou na cidade de São Francisco, nos Estados Unidos, o primeiro Ratha-yatra do Ocidente. Hoje em dia este antiquíssimo festival religioso é realizado todos os anos em diversas das maiores cidades do mundo, incluindo Nova Ior
que, Los Angeles, Washington, Londres, Paris, Zurique, Calcutá e Sidney.



A procissão de Ratha-yatra tem como modelo o milenar festival do mesmo nome em Orissa, Índia, e apresenta três carruagens belamente ornamentadas, pesando cinco toneladas e medindo dezesseis metros. Com seus reluzentes dosséis de seda colorida, os veículos de madeira com torres elevadas são puxados bem devagar numa fila única através de uma multidão de milhares de pessoas. Elefantes decorados, carros alegóricos, dança e canto, fazem parte da ocasião festiva. Em todas as comemorações de Ratha-yatra nas diversas partes do mundo, as pessoas presentes ao festival assistem a uma grande variedade de eventos e exibições culturais. As apresentações incluem peças de teatro, músicas, danças, belas artes e exibições primorosa sobre reencarnação, vegetarianismo e ciência védica. Além disso, às centenas de milhares de visitantes é servido um autêntico banquete contendo diversos tipos de preparações.


Banquetes semelhantes são servidos todas as semanas nos festivais de domingo que os centros da ISKCON comemoram no mundo inteiro. Nas últimas duas décadas, durante o ano todo, os membros do movimento Hare Krishna distribuíram mais de oitenta milhões de pratos prasadam, alimento vegetariano preparado como oferenda devocional a Krishna, Deus.

Muitos prefeitos de grandes cidades do mundo onde ocorreram os festivais de Ratha-yatra têm assistido e feito discursos em louvor ao Ratha-yatra como uma importante contribuição cultural a um mundo com tanta variedade de raças e credos.


Regina Navarro Lins entrevista Gaiarsa.



Algumas pessoas te chamam de louco pelas coisas que você diz e escreve sobre a família. O que você pensa, afinal, a respeito dessa instituição considerada intocável?

De todos os títulos que tenho, o que mais valorizo é esse: mais de meio século como psicoterapeuta ativo, com mais de 70 mil horas de escuta e observação atenta de milhares de pessoas. Dois terços dessas horas eram falas - melhor, queixas - contra a família, brigas entre pais e filhos, mães e filhos, marido e mulher, parentes e parentes... Sempre em tudo, a família como centro e a origem de sofrimentos sem conta, de mal-entendidos sem fim e sempre tida como perfeita.

Mas por que existe tanta reação às suas idéias?

As pessoas dizem que se a família desaparecer, desaparecerá a sociedade. Mas esquecem todos: desaparecerá, sim, a sociedade que conhecemos, eivada de guerras, miséria, desumanidades, injustiças... Será tanta perda assim? Ou será uma renovação radical e salvadora desde que a velha civilização - baseada na família e no autoritarismo - está beirando perigosamente a destruição da espécie , e quiçá levando de lambuja o planeta todo conosco? A esse fim chegamos, essencialmente formados e educados em família e pela família. Não é para começar a desconfiar de que alguma coisa está errada com a bendita?

Em todos os seus livros você dá ênfase à atuação das mães e à responsabilidade delas na neurose coletiva da nossa sociedade. Recentemente você criou o partido das mães. Do que se trata?

Durante muito tempo eu concordei com todos os psicólogos, dizendo que o problema da criança era a mãe, até que percebi que não são as mães individuais que estão erradas. É o modelo de mãe que está errado. Todas as doutrinas psicoterápicas afirmam que a neurose começa antes dos cinco anos, no lar, quase sempre por influência materna.

Bom, e qual é a influência das mães ?

Elas são o DNA da transmissão social. A função delas é pôr na cabeça das crianças todo o lixo da civilização, que nós criticamos de todos os lados, mas continuamos transmitindo. Então se não houver uma nova mãe não haverá um novo homem. Daí foi só dar um pulinho a mais e dizer: "As mães são o maior partido conservador do mundo!!!"

Como é possível mudar isso?

Onde é que se aprende a ser pai e mãe? Até para ser engraxate se faz curso, agora, para ser pai e mãe, não... Eu gostaria de acentuar a questão dos cinco primeiros anos, que eu reuni uns poucos dados de fisiologia muito interessantes. Aos três anos você já desenvolveu 90% do seu cérebro em peso. A circulação cerebral da criança é de três a quatro vezes mais intensa que a do adulto. No adulto o cérebro pesa 2% do corpo, na criança o cérebro pesa 20%, a criança é só cérebro, vamos dizer assim. Outro dado, todo bicho pequeno tem que aprender depressa senão ele é comido. Essa tese é biológica, 3/4 das presas do mundo são filhotes ou ovos, então, se o filhote não acorda depressa ele é comido.

Por isso é que a gente se surpreende sempre com a rapidez que as crianças aprendem...

A natureza deu para os filhotes uma fantástica capacidade de aprender muito e depressa. Uma criança aprende num dia o que um jovem aprende num semestre e um velho aprende em um ano. A mãe DNA da tradição social, com todos os venenos da nossa sociedade, passa tudo para a criança. E outra coisa: em família está autorizada a agressão, em família você trata as pessoas de um jeito que você não trata mais ninguém, ...mas em família pode...

Existem mães que espancam a criança acreditando ter esse direito...

Também o marido agride a mulher. Três milhões e quatrocentos mil casais americanos têm espancamento em família, eu ouvi por acaso este número e guardei, 3.400.000 !!!

O que você acha do casamento?

O casamento foi feito para impedir o desenvolvimento das pessoas. Criança desenvolve, adolescente desenvolve, e depois você fica maduro e aí não muda mais... Pais e mães não podem se desenvolver muito, sair de casa, procurar cursos, não podem. Em todas as civilizações conhecidas o adulto é tido como o ideal da educação, a criança tem que se tornar igual ao adulto, e aí ela está educada... Isso é um horror!!! Casamento não foi feito para amor nem pra felicidade, mas para garantir o patrimônio e a continuidade do patriarcalismo, porque criança não tem direito nenhum.

Mas o casamento vai continuar existindo?

A menos que ele se renove a cada novo amante. Esta é uma das alternativas que eu acho simpática.
Qual seria um jeito do casamento ser uma coisa prazerosa para as duas pessoas?

Eu só achei duas soluções até hoje. Uma, na minha vida. Casei cinco vezes e diria que um casamento que dura de quatro a sete anos pode ser interessante, dependendo da pessoa, circunstâncias e tudo mais. A segunda: hoje o que eu consideraria ideal, eu diria que é poder ter duas, três, quatro mulheres, amigas, eventualmente coloridas, e elas também terem dois, três, quatro homens. Eu acho que era a solução. Mesmo os bons amigos você não tem vontade de ver sempre. Há certos dias em que você diz: "Ih! Se ele vier aqui hoje vai ser um saco". E quando se está casado é a mesma coisa.
Em que medida o sistema patriarcal prejudicou homens e mulheres?

A espécie humana é a única na qual os homens usurparam o poder. Em todas as espécies animais, é claro que a fêmea é o centro, não tem o que discutir. Acho que se o homem se pusesse a serviço da mulher e da criança, isto é que seria o certo, mas ele quer ser o bacana. Muito da nossa desgraça vem daí...

De que forma?

A doçura, a maciez, a ternura, sabe... O homem quando se machucava não podia choramingar, e à mulher que estava com as crianças e com os velhos na colheita era facilitado o intercâmbio afetivo e sensual com a criança. Depois ela começou a usar isso pra envolver o homem numa boa, mas desde lá o que se valoriza nele é a dureza, a impassibilidade e a crueldade.
Explique mais isso de "mãe não tem xoxota"?

Eu quero dizer que o garoto não sabe para que serve o pinto, simplesmente, e ele vive eternamente envergonhado de ter um pinto porque não pode brincar com o pinto diante da mamãe... Ter pinto é uma vergonha, é um pecado original. E em segundo lugar, ainda hoje a imensa maioria das mães se perturba se a criança mexe com o pintinho ou vem com uma pergunta. Umas mães mais, outras menos... Isso vira quase um autismo: sexo é para mim e comigo.

Como essa repressão afeta os jovens?

São dezenas, centenas de experiências maiores ou menores, algumas muito dramáticas. E a criança vai absorvendo isso. Aí acontece o drama: a maioria dos adolescentes se inicia no sexo meio na esquina, meio escondidinho, meio apertadinho, e nunca mais sai desse apertadinho até o fim da vida.

Você considera estereotipado o sexo que se pratica hoje?

Extremamente estereotipado. Qual é o resultado disso? 70% dos americanos ejaculam dois minutos ou menos depois da penetração. E segundo os especialistas, nós os ocidentais, temos todos ejaculação precoce. O Tantra, que é primoroso a esse respeito, mostra o que o ocidental perde de prazer! E sempre servindo ao patriarcalismo, porque o nosso prazer é tão precário que você não vai brigar demais por ele. Você perde a noção do que é prazer e felicidade. Se você tem prazer e conhece a felicidade você tem tesão geral. Se você vai matando este tesão primário da vida, você se torna parte de um rebanho, vai brigar para quê?

As pessoas poderiam viver um sexo muito melhor?

Claro. Tudo indica que o que se vive é um sexo de baixíssima qualidade em relação ao sexo altamente cultivado e desenvolvido, refletido, meditado, e até consagrado pelas civilizações do matriarcado. De certa forma o Tantra tem altos níveis de espiritualidade no sexo.

Em um dos seus livros você fala que os orgasmos são qualitativamente diferentes, que não existem dois orgasmos iguais. O que marca a diferença?

O orgasmo é tanto melhor quanto mais amplo for o contexto pessoal e tátil. A carícia é uma coisa basicamente esquecida pelas pessoas. O que existe de carícia no mundo é muito pouco e estereotipado e, no entanto, nosso corpo é o maior playground do universo. Nossa pele tem mais de 600 mil pontos sensíveis, nós somos uma criação contínua do movimento, somos movidos por trezentos mil neurônios motores medulares. Somos criação contínua neurológicamente e se você combinar nossa capacidade de movimento com a nossa sensibilidade de pele, você pode ficar a eternidade acariciando alguém sem repetir nunca a mesma sensação.

O que você acha da masturbação?

Eu acho que a masturbação é o modo de satisfação sexual mais freqüente de todos. Juntando a sensibilidade dos genitais com a habilidade infinita das mãos, você tem um tantra masturbatório, você pode ficar se agradando horas sem repetir as sensações.

Por que tem gente que tem mais prazer na masturbação?

Por que a pessoa tem o controle do prazer e sabe onde vai, onde vem, como acontece, como pára, como avança. Com o outro precisaria de uma intimidade de altíssimo nível pra você chegar a alguma coisa parecida. Embora eu não confronte as duas coisas, não há o que comparar entre um momento masturbatório e um momento de relação sexual, são dois universos pra mim.

Você acha que a energia orgástica vai fluir pelo corpo, mesmo se o orgasmo vier através da masturbação ?

Vai, mas eu quero introduzir o corpo inteiro na masturbação, não só mão e genitais. Tanto numa relação masturbatória quanto na relação com o outro, é essencial a variação do gesto, porque é a variação do gesto que cria a variação do afeto. Sem o gesto adequado você não passa o sentimento adequado. Acho muito profunda essa tese, que é uma alta elaboração de Reich. Os movimentos tem que acompanhar as sensações... e abrem canais para a comunicação emocional que também não tem limite. Eu posso ter sensações e emoções a minha vida inteira criativamente, nunca repetindo. Iluminação amorosa, eu acho que seria isso, felicidade amorosa.

O prazer parece ameaçar o trabalho. A repressão sexual não estaria a serviço de um sistema econômico?

Você sabe a história do sexo e do prazer? Implantaram num ratinho uma agulha no centro do prazer, e puseram ele numa jaula, onde apertando um botão ele se excitava. Ele não saiu mais do botão, se excitou duas mil vezes em uma hora. Podiam deixá-lo com fome e colocá-lo numa jaula com comida e o botão, que ele ia direto no botão. É um dos achados que o Arthur Clark disse que era mais importante que a bomba atômica, a descoberta dos centros de prazer. Hoje em dia é uma coisa aceita, já foi comprovada, todos os animais superiores têm, nós temos.

Então deveríamos dedicar muito mais tempo para o prazer...

Nós só chegaremos aí no dia em que confiarmos todos os trabalhos automáticos e mecânicos para as máquinas. Alcançaríamos o paraíso na Terra (risos). Todas as atividades repetitivas a máquina faz melhor do que nós, todo o tédio passaria para as máquinas. Eu acho que o prazer máximo é criação contínua, pode ser erótico, pode ser amistoso, pode ser intelectual, pode ser alimentar.
Por que a maioria dos homens ainda tenta corresponder ao ideal masculino de força, sucesso, poder, que é inatingível e causa sofrimento?

É a mesma história do casamento, se o homem pensasse bem nas desvantagens do machismo ele desistia de ser macho.

Você concorda que o homem tem que romper com a mãe muito cedo para não ser chamado de maricas ou filhinho da mamãe?

Na verdade, em todas as sociedades patriarcais existe o momento da ruptura da ligação com a mãe, que é o ritual de iniciação. "Agora, esqueça da mamãe, venha para o bando dos homens". "Homem precisa de coragem, de crueldade, esquece a mulher-mãe". Mas olha, eu queria sublinhar que é muito mais necessidade de contato do que de sexo, porque enquanto você é pequenino a mamãe quase sempre brinca um pouco com o neném. Segundo Freud o período de latência é dos 5 aos 10 anos e é aí que você começa a afastar a criança: "Cuidado, não mexe muito na menina, ela já tem 5 anos", "Olha o menino....", e eles começam a ficar sem graça, perdem o jeito.

O que você acha da teoria psicanalítica do Complexo de Édipo, em que o menino, entre os três e os cinco anos, deseja sexualmente a mãe?

Eu acho que o desejo não é transar com a mãe, é estar no colo da mamãe, acolhido em coisa viva, quente, morna, gostosa. Mas isso não pode, ai dele se romper a aliança com o bando masculino. Mal pode fraquejar, mal pode amar a mulher, pode transar mas não pode amar, é bem assim, nada de envolvimento. Sabe por quê? Nada dissolve mais a couraça do que carícias bem feitas.

Revista Veja: Armas de Fogo.

As estatísticas sobre porte e uso de arma de fogo no país são consideradas incompletas e pouco confiáveis por especialistas das áreas de criminalidade e segurança pública. Não há sequer um balanço formal do número de armas existentes no país - existem apenas estimativas extra-oficiais. Ainda assim, dezenas de pesquisas isoladas, principalmente a respeito do impacto das armas nas estatísticas de mortalidade, oferecem informações importantes sobre o assunto. A seguir, alguns dados desses estudos:

Porte e desarmamento

17 milhões de armas de fogo estariam em circulação no Brasil, conforme estimativa divulgada pela ONG Viva Rio. Dessas, só 49% são legais; 28% seriam armas ilegais de uso informal e 23%, armas ilegais de uso criminal.

3,5% dos domicílios brasileiros têm algum tipo de arma de fogo, porcentual muito inferior inclusive que de países com menores índices de criminalidade, como Canadá (30%), França (24,5%) e Suíça (35%)

443.000 armas de fogo foram entregues pela população no primeiro ano da campanha de desarmamento. A expectativa do governo era de receber 80.000 armas. A campanha do país só perde para a da Austrália (600.000 armas).

8,2% foi a queda no número de mortes provocadas por armas de fogo no primeiro ano de campanha de desarmamento no país, segundo o Ministério da Saúde. Foi a primeira redução no índice em 13 anos de pesquisas.

72% das armas usadas em crimes entre 1999 e 2005 no Rio de Janeiro pertenciam a cidadãos de bem e caíram nas mãos dos bandidos em assaltos e outros crimes, segundo pesquisa da Secretaria Estadual de Segurança Pública.

61% dessas armas desviadas no Rio tinham sido compradas em lojas, sendo que 33% eram registradas e 39% não tinham registro. O resto dos armamentos usadas em crimes, 28%, eram provenientes do tráfico de armas.

29% das armas registradas usadas em crimes no Rio de Janeiro foram desviadas das mãos do próprio Estado, ou seja, das polícias e das Forças Armadas do país;
65% das armas desviadas para o crime pertenciam a indivíduos.

Mortes

21,72 óbitos em cada grupo de 100.000 habitantes é a taxa de mortalidade por arma de fogo no país, conforme estudo da Unesco. Essa taxa triplicou num período de vinte anos no país.

2ª é a posição do país no ranking de mortes por armas de fogo, perdendo só para a Venezuela (30,34 a cada 100.000). O Japão foi o país com melhor índice - apenas 0,06, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

416% foi o crescimento no número de jovens mortos por armas de fogo no país entre 1979 e 2003, conforme estudo da Unesco. A cada três jovens que morrem no país, um é vítima de arma de fogo.

40.000 pessoas morrem anualmente com o uso de armas de fogo no país, segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Mesmo representando 2,8% da população mundial, o país tem 11% dos homicídios.

63,9% dos homicídios cometidos no Brasil são praticados com arma de fogo, conforme números do Datasus. A segunda principal causa, com 19,8% dos homicídios, é o uso de arma branca.

20 a 29 anos é a faixa etária com maior taxa de mortalidade por arma de fogo entre os homens, com 103,1 óbitos por 100.000 habitantes. Dos 15 aos 19 anos, a taxa é de 71,2, e dos 30 aos 39 anos, o índice é de 57,7.

39,1% dos adolescentes com idades entre 15 e 19 anos mortos no país em 2002 foram vítimas de armas de fogo. No mesmo ano, acidentes de carro mataram 14,8% desse contingente; 19,9% morreram de causas naturais.

30,1 é a taxa de mortalidade por arma de fogo entre cada 100.000 negros no país.
O índice é menor entre os pardos (28,5 óbitos por 100.000 habitantes) e entre os brancos (16,6 óbitos por 100.000 habitantes).

Fale com o Wikipedia: Erasmo Carlos.

Erasmo Carlos, nome artístico de Erasmo Esteves, nascido no Rio de Janeiro, 5 de junho de 1941, é um cantor e compositor brasileiro.

Sua parceria com o cantor Roberto Carlos certamente é a de maior sucesso na história da música popular brasileira, tanto em termos de venda quanto em termos de regravações, feitas por artistas de todo o Brasil e do exterior.

Junto com Roberto Carlos, compôs mais de 500 canções, gravadas tanto pelo Rei quanto por ínúmeros outros cantores.

Início da carreira

Participou efetivamente junto com Roberto Carlos e com Wanderléa do programa Jovem Guarda onde tinha o apelido de Tremendão, imitando as roupas e o estilo de seu ídolo Elvis Presley. Seus maiores sucessos como cantor nessa fase foram “Gatinha Manhosa” e “Festa de Arromba”. Com o término do movimento, entrou em crise, mas conseguiu se recuperar com a ajuda de seu parceiro Roberto Carlos e de sua esposa, Narinha. Nessa fase de transição fez sucesso cantando “Sentado à Beira do Caminho” e “Coqueiro Verde”.

O disco Erasmo Carlos e Os Tremendões já é um trabalho transitório na carreira do artista. O LP, de 1969, traz interpretações muito peculiares de canções de compositores da MPB, como “Saudosismo”, de Caetano Veloso e “Aquarela do Brasil”, de Ary Barroso (lançada no filme Roberto Carlos e o Diamante Cor-de-rosa em que Erasmo atua com Roberto e Wanderléa) e “Teletema” (canção originalmente interpretada por Regininha, sucesso por ter sido tema da novela Véu de Noiva, da Rede Globo), de Antônio Adolfo e Tibério Gaspar, além da primeira gravação de “Sentado à Beira do Caminho”.

Década de 70

Na década de 1970, Erasmo assina com a Polygram. A primeira metade da década mostra o Tremendão num estilo bem diferente da Jovem Guarda. Influenciado pela cultura hippie e pelo soul, lança Carlos, Erasmo em 1971. O disco, que abre com “De Noite na Cama”, escrita por Caetano Veloso especialmente para ele, traz uma polêmica ode à maconha, em “Maria Joana”.

O existencialismo prossegue em seus outros LPs dos anos 70: 1941-1972 – Sonhos e Memórias, 1990 – Projeto Salvaterra e Banda dos Contentes. “Sou uma Criança, Não Entendo Nada”, “Cachaça Mecânica” e “Filho Único” são algumas canções de destaque no período. Pelas Esquinas de Ipanema, seu LP de 1978, inclui uma impactante canção que denuncia o descaso do homem com a ecologia: “Panorama Ecológico”.

Em 1971, participa do filme Roberto Carlos a 300 Quilômetros por Hora, de Roberto Farias.
Anos 80

Erasmo Carlos começa os anos 80 com um projeto ambicioso. Erasmo Carlos Convida… é um pioneiro projeto no Brasil. Foram 12 canções interpretadas em dueto com artistas como Nara Leão, Maria Bethânia, Gal Costa, Wanderléa, A Cor do Som, As Frenéticas, Gilberto Gil, Rita Lee, Tim Maia, Jorge Ben e Caetano Veloso. A faixa de abertura do álbum foi a que teve maior destaque nas rádios: “Sentado à Beira do Caminho”, com Roberto Carlos.

No ano seguinte, o LP Mulher tem uma grande repercussão com as canções “Mulher (Sexo Frágil)” (escrita com sua mulher, Narinha), “Pega na Mentira” e “Feminino Coração de Deus” (de Sérgio Sampaio). O sucesso na mídia, que continuou com Amar Pra Viver ou Morrer de Amor (1982), trouxe uma cobrança para Erasmo: assim como o parceiro Roberto Carlos (no auge do sucesso), ele deveria lançar um trabalho inédito todos os anos. “Lentinha, para tocar no rádio”, como disse o cantor ao relembrar seus discos na época. Embora seja a década com mais lançamentos de trabalhos novos, Erasmo tem algumas ressalvas sobre os seus discos a partir da segunda metade da década – Buraco Negro (1984), Erasmo Carlos (1985), Abra Seus Olhos (1986) e Apesar do Tempo Claro… (1988). O disco de 1988 seria seu último na Polygram.

Valendo-se ainda do filão engajado da pós-ditadura, cantou, ainda que numa participação especial diminuta, no coro da versão brasileira de “We Are the World”, o hit americano que juntou vozes e levantou fundos para a África, ou USA for Africa. O projeto Nordeste Já (1985), abraçou a causa da seca nordestina, unindo 155 vozes num compacto, de criação coletiva, com as canções “Chega de Mágoa” e “Seca d´Água”. Elogiado pela competência das interpretações individuais, foi, no entanto, criticado pela incapacidade de harmonizar as vozes e o enquadramento de cada uma delas no coro.

Em 1989, ele ainda faria o álbum ao vivo Sou uma Criança, com participações de Léo Jaime e dos grupos Kid Abelha e João Penca e Seus Miquinhos Amestrados e lançados pela pequena gravadora SBK.

Anos 90

Nos anos 90, o trabalho de Erasmo apareceu de forma bissexta na canção. Além de sempre assinar com Roberto Carlos as canções feitas para seus discos anuais, ele lançou dois discos. Homem de Rua, lançado pela Sony Music em 1992, chegou a ter repercussão com a faixa-título, que fez parte da trilha da telenovela De Corpo e Alma, mas a canção era tema do personagem de Guilherme de Pádua, que, ao lado da esposa Paula Tomás, assassinou a atriz Daniela Perez, num crime que chocou o país. Outra gravação de destaque foi “A Carta”, na qual Erasmo cantou com Renato Russo.

Em 1995, ele voltou a ter destaque nas comemorações dos trinta anos da Jovem Guarda, que rendeu discos e shows. No ano seguinte, Erasmo gravou o álbum É Preciso Saber Viver, com regravações de canções de seu repertório. O destaque foi para “Do Fundo do Meu Coração”, dueto com Adriana Calcanhotto.
Século XXI

Somente em 2001 Erasmo voltaria a lançar um disco novo. Pra Falar de Amor traz interpretações dele para canções apenas suas, além de cançòes de Kiko Zambianchi e Marcelo Camelo. O destaque é “Mais um na Multidão”, dueto com Marisa Monte e de autoria de Erasmo Carlos, Marisa Monte e Carlinhos Brown. No ano seguinte, ele lançou seu primeiro DVD ao vivo, além de um CD duplo.

No início de 2004, ele lançou seu trabalho mais autoral: Santa Música, com doze canções de autoria apenas de Erasmo Carlos. Além da faixa-título, destaca-se a faixa “Tim”, feita em homenagem a Tim Maia.

Em 2007, Erasmo novamente lançou um disco no qual recebe convidados. Erasmo Carlos Convida, Volume II apresenta novos encontros musicais em que Erasmo interpreta parcerias dele com Roberto. Adriana Calcanhotto, Lulu Santos, Simone, Marisa Monte, Milton Nascimento e as bandas Skank e Los Hermanos estão entre os convidados. A faixa de maior destaque nas rádios é “Olha”, cantada com Chico Buarque, e tema da novela das 21 horas, Paraíso Tropical, da Rede Globo.

Também em 2007, Erasmo compôs a faixa de abertura de SóNós, o segundo disco-solo da vocalista do Kid Abelha, Paula Toller.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Auto-retrato

Provinciano que nunca soube
Escolher bem uma gravata;
Pernambucano a quem repugna
A faca do pernambucano;
Poeta ruim que na arte da prosa
Envelheceu na infância da arte,
E até mesmo escrevendo crônicas
Ficou cronista de província;
Arquiteto falhado, músico
Falhado (engoliu um dia
Um piano, mas o teclado
Ficou de fora); sem família,
Religião ou filosofia;
Mal tendo a inquietação de espírito
Que vem do sobrenatural,
E em matéria de profissão
Um tísico profissional.

Evocação do Recife



Recife
Não a Veneza americana
Não a Mauritsstad dos armadores das Índias Ocidentais
Não o Recife dos Mascates
Nem mesmo o Recife que aprendi a amar depois — Recife das revoluções libertárias
Mas o Recife sem história nem literatura
Recife sem mais nada
Recife da minha infância
A rua da União onde eu brincava de chicote-queimado e partia as vidraças da casa de dona Aninha Viegas
Totônio Rodrigues era muito velho e botava o pincenê na ponta do nariz
Depois do jantar as famílias tomavam a calçada com cadeiras
mexericos namoros risadas
A gente brincava no meio da rua
Os meninos gritavam:
Coelho sai!
Não sai!


A distância as vozes macias das meninas politonavam:
Roseira dá-me uma rosa
Craveiro dá-me um botão


(Dessas rosas muita rosa
Terá morrido em botão...)
De repente
nos longos da noite
um sino
Uma pessoa grande dizia:
Fogo em Santo Antônio!
Outra contrariava: São José!
Totônio Rodrigues achava sempre que era são José.
Os homens punham o chapéu saíam fumando
E eu tinha raiva de ser menino porque não podia ir ver o fogo.


Rua da União...
Como eram lindos os montes das ruas da minha infância
Rua do Sol
(Tenho medo que hoje se chame de dr. Fulano de Tal)
Atrás de casa ficava a Rua da Saudade...
...onde se ia fumar escondido
Do lado de lá era o cais da Rua da Aurora...
...onde se ia pescar escondido
Capiberibe
— Capiberibe
Lá longe o sertãozinho de Caxangá
Banheiros de palha
Um dia eu vi uma moça nuinha no banho
Fiquei parado o coração batendo
Ela se riuFoi o meu primeiro alumbramento
Cheia! As cheias! Barro boi morto árvores destroços redemoinho sumiu
E nos pegões da ponte do trem de ferro
os caboclos destemidos em jangadas de bananeiras


Novenas
Cavalhadas
E eu me deitei no colo da menina e ela começou
a passar a mão nos meus cabelos
Capiberibe
— Capiberibe
Rua da União onde todas as tardes passava a preta das bananas
Com o xale vistoso de pano da Costa
E o vendedor de roletes de cana
O de amendoim
que se chamava midubim e não era torrado era cozido
Me lembro de todos os pregões:
Ovos frescos e baratos
Dez ovos por uma pataca
Foi há muito tempo...
A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros
Vinha da boca do povo na língua errada do povo
Língua certa do povo
Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil
Ao passo que nós
O que fazemos
É macaquear
A sintaxe lusíada
A vida com uma porção de coisas que eu não entendia bem
Terras que não sabia onde ficavam
Recife...
Rua da União...
A casa de meu avô...
Nunca pensei que ela acabasse!
Tudo lá parecia impregnado de eternidade
Recife...
Meu avô morto.
Recife morto, Recife bom, Recife brasileiro
como a casa de meu avô.


Arte de amar



Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus — ou fora do mundo.
As almas são incomunicáveis.
Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.
Porque os corpos se entendem, mas as almas não.



Trem de ferro

Café com pão
Café com pão
Café com pão


Virge Maria que foi isso maquinista?


Agora sim
Café com pão
Agora sim
Voa, fumaça
Corre, cerca
Ai seu foguista
Bota fogo
Na fornalha
Que eu preciso
Muita força
Muita força
Muita força
(trem de ferro, trem de ferro)


Oô...Foge, bicho
Foge, povo
Passa ponte
Passa poste
Passa pasto
Passa boi
Passa boiada
Passa galho
Da ingazeira
Debruçada
No riacho
Que vontade
De cantar!
Oô...
(café com pão é muito bom)


Quando me prendero
No canaviá
Cada pé de cana
Era um oficiá
Oô...
Menina bonita
Do vestido verde
Me dá tua boca
Pra matar minha sede
Oô...
Vou mimbora vou mimbora
Não gosto daqui
Nasci no sertão
Sou de Ouricuri


Oô...
Vou depressa
Vou correndo
Vou na toda
Que só levo
Pouca gente
Pouca gente
Pouca gente...
(trem de ferro, trem de ferro)

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